Pronto Socorro do Santa Catarina sofre com superlotação

Nesta manhã, recepção do hospital tinha dezenas de pessoas esperando atendimento. Foto: Heracles Dantas
Recém inaugurado, no último dia 28 de dezembro do ano passado, o novo Pronto Socorro do Hospital Doutor José Pedro Bezerra, conhecido como Hospital Santa Catarina, já começa a sofrer com o problema de superlotação. Na manhã desta sexta-feira (4), uma semana após a inauguração, a recepção do Pronto Socorro estava lotada com cerca de 70 pessoas que aguardavam atendimento. O Setor de Classificação de Risco, que foi implantado junto com o novo Pronto Socorro, está funcionando com o objetivo de disciplinar o grande fluxo de atendimento ambulatorial que é realizado no Hospital Santa Catarina.
A nova estrutura conta com oito leitos de reanimação, 12 leitos de observação, duas salas de radiologia, com equipamentos de raio-X novos, uma recepção, uma sala de transplantes, uma sala de reanimação, uma sala de nebulização, dois consultórios médicos, repousos para médicos e para os profissionais de enfermagem, além de duas salas para pequenas cirurgias.
A diretora geral do Hospital Santa Catarina, Maria da Guia de Araújo Silva, disse que após a abertura do novo Pronto Socorro aumentou consideravelmente o fluxo do atendimento na unidade. Ela conta que a classificação de risco, apesar de nova, já começa a surtir os primeiros efeitos. “Estamos ainda em fase de adaptação e de ajustes, mas a classificação de risco tem contribuído para ordenar o atendimento. As pessoas ainda resistem, mas em longo prazo conseguiram sentir a importância do serviço para a qualidade e eficácia do serviço”, afirmou. Maria da Guia disse ainda que há falta de recursos humanos, em especial na área de técnico de enfermagem, para o Pronto Socorro, mas que já foi solicitado a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), que deve providenciar nos próximos dias.
Na sala de classificação de risco uma enfermeira indica, através de cores, a ordem de atendimento dos pacientes. Os pacientes que recebem as cores verde e azul são aqueles de atendimento ambulatorial e que podem esperar de 3 a 4 horas por atendimento. Os que recebem a cor amarela são encaminhados para o atendimento, que deve ser realizado em até meia hora. Já os que recebem a cor vermelha, os de urgência e emergência, são atendidos imediatamente.
“A nossa proposta é diminuir cada vez mais o atendimento e aumentar a qualidade, mas para isso é necessário que a rede básica funcione bem e que estes atendimentos ambulatoriais possam ser realizados nas unidades básicas de saúde ou até mesmo na UPA e deixe para o Santa Catarina apenas os casos de urgência e emergência. Mas hoje não podemos fazer muita coisa, pois não podemos deixar o paciente voltar, já que ele não tem para onde ir”, afirmou.
As obras do Pronto Socorro do Hospital Santa Catarina se arrastavam há anos, com um total de nove paradas, onde comprometia o fluxo e o atendimento daquela unidade hospitalar. Para a diretora, Maria da Guia de Araújo Silva, esse é o sonho concretizado, que toda a equipe esperava. “Com a nova estrutura vamos melhorar o atendimento obstétrico, já que reestruturamos as salas de alto risco e aumentamos a clínica médica”, disse a diretora. A Nova UTI Geral, que passará dos atuais seis leitos para dez, estava prevista para ser entregue ontem, mas só deve ficar pronta para o próximo dia 3 de março.
O Hospital Santa Catarina é o segundo maior hospital da capital do Estado, considerado maternidade estadual de referência em gestação de alto risco, a direção espera receber com a nova estrutura, cerca de 12 mil pacientes por mês. Em relação ao Centro Obstetríco, Maria da Guia de Araújo disse que a situação continua caótica, segundo a diretora, em virtude da alta demanda oriunda dos municípios do interior do Estado. Em dezembro foram 237 partos de mulheres do interior, destaque para os municípios da Região Metropolitana de Natal, como Ceará Mirim (46 partos), Macaíba (40), São Gonçalo do Amarante (26) e Extremoz (17).
“Nossa maior preocupação não é Natal e sim os municípios que encaminham as gestantes para realizar partos, em sua maioria, de baixa complexidade. Ocupamos os leitos com gestantes de partos normais e as de alto risco ficam, muitas vezes, esperando os leitos desocuparem. É necessário que os hospitais desses municípios voltem a realizar partos o quanto antes”, destacou a diretora Maria da Guia de Araújo Silva.
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