Protesto de motoristas de ônibus contra a insegurança deixa trânsito lento

Movimento durou cerca de duas horas. O motorista Carlos André (detalhe) já sofreu 10 assaltos em um período de 10 anos

Paralizacao-dos-motoristas-de-onidus-HD

Um protesto de motoristas de ônibus de Natal, sendo a maioria da empresa Guanabara, deixou o trânsito lento no final da manhã desta sexta-feira (21) na altura do Viaduto do Baldo, no bairro do Alecrim, e imediações. O movimento iniciou às 10h da manhã e terminou antes do meio dia. A mobilização foi organizada por motoristas da empresa Guanabara e teve como objetivo principal protestar contra a insegurança que enfrenta a categoria, vítima constante de assaltos, e em solidariedade ao motorista César Augusto de Lima, demitido pela empresa.

Segundo César, o motivo da demissão foi uma conversa entre motoristas e cobradores em um grupo fechado do WhatsApp, serviço de mensagens gratuitas para usuários de celulares. “A empresa, de alguma forma, invadiu a nossa privacidade, e disse que teve acesso a informações do grupo e este era o motivo para a minha demissão por justa causa. Só que em abril de 2013 voltei de um afastamento para tratamento psiquiátrico, justamente por causa do estresse da profissão, e tenho a estabilidade de um ano. A empresa não poderia me demitir e ainda assim invadiu a nossa privacidade. Ao invés de me perseguir e a outros, deveria era prestar uma assistência para os motoristas e cobradores que são vítimas de assaltos a cada dia. Quando acontece um assalto, além de não nos apoiarem com ajuda médica e psicológica, nos obrigam a trabalhar no outro dia e se a gente não trabalhar, descontam do nosso salário e nos dão suspensão de dois a três dias”.

Um dos casos mais célebres entre os motoristas é o de Carlos André. Com 11 anos de profissão, dentro de um período de 10 anos ele já sofreu 10 assaltos, média de um por ano. “Em nenhuma dessas vezes, passei por um psicólogo ou outro profissional indicado pela empresa. Quando acontece o assalto, eles perguntam o quanto levaram e exige ainda o Boletim de Ocorrência. Os empresários não se preocupam com o funcionário e o usuário, e sim, com o lucro. As câmeras que existem nos ônibus não são para a segurança, é para ver se como estamos trabalhando, se estamos dando carona a amigos ou familiares”.

Um dos motoristas envolvidos no protesto, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, também denuncia a dupla função da categoria. “Além da melhoria de condições de trabalho, não temos veículos compatíveis com a função e somos motoristas e cobradores ao mesmo tempo. A gaveta do dinheiro fica exposta, o que estimula a ação de ladrões. A situação está insustentável há anos, mas piorou de uns dois anos para cá”.

Segundo Júnior Rodoviário, ex-presidente do Sintro/RN e membro da Federação dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário do Nordeste, ele recebeu o convite para liderar o ato público pelo grupo de motoristas que idealizaram o movimento. “Os motoristas da Guanabara me procuraram por causa da demissão do companheiro e fomos até à DRT [Delegacia Regional do Trabalho]. Ele foi vítima de acidente de trabalho, estava doente, tinha estabilidade e não podia ser demitido desta forma. Só ele, já presenciou seis assaltos. Queremos que a Semob convoque a diretoria das empresas de ônibus para dar apoio a estes trabalhadores. Os empresários também podem dar um suporte a maior à Polícia e atuar com segurança nos principais corredores de ônibus da cidade”, enfatizou.

De acordo com a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros do Rio Grande do Norte (Sintro/RN), Maria da Paz Dantas, o sindicato também apoia o movimento. “Nós somos representantes destes trabalhadores e o Sintro está buscando uma mediação entre a Guanabara e a o motorista demitido. Não temos conchave com patrão e somos a favor do trabalhador”, disse.

Compartilhar:
    Publicidade