Protesto dos Alternativos provoca caos no trânsito da capital potiguar

Motoristas prejudicados viveram momentos de grande estresse nas ruas

Trânsito ficou confuso, praticamente parado. Motoristas nervosos reclamavam do prejuízo. Foi preciso muita paciência. Foto: José Aldenir
Trânsito ficou confuso, praticamente parado. Motoristas nervosos reclamavam do prejuízo. Foi preciso muita paciência. Foto: José Aldenir

Quem precisava passar pelas avenidas Prudente de Morais, Salgado Filho, Romualdo Galvão e Bernardo Vieira na manhã de hoje certamente perdeu a paciência diante do trânsito literalmente parado. A situação foi provocada pelos motoristas do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Alternativo (Sitoparn/RN), os quais acusam a Prefeitura de Natal estar terceirizando seus veículos para o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Natal (Seturn). Em protesto contra a medida “arbitrária”, diversos carros que compõem o sistema do transporte alternativo resolveram interditar avenidas de grande fluxo.

“A secretária de Mobilidade Urbana, Elequicina Santos, está tentando descaracterizar o nosso sistema e não permitiremos isso. Para tentar unificar o sistema de transporte público e implantar a bilhetagem eletrônica, conquista que alcançamos recentemente, ela resolveu incorporar nossos carros ao Seturn. Sete já foram terceirizados. Queremos a suspensão disso. Carlos Eduardo vai ter que resolver esse problema”, explicou Pedrinho dos Alternativos, membro do Sitoparn/RN.

Segundo o sindicalista, a categoria permanecerá interditando o trânsito “até que o Gabinete Civil se coloque a disposição de uma reunião ainda hoje”. “Se nós recebermos uma ligação de alguém da Prefeitura, iremos liberar o trânsito na mesma hora. Se não, permaneceremos aqui. Nunca fizemos isso com a população e sabemos o quanto ela esta se sentindo prejudicada, mas é a única resistência que temos”, avaliou.

O diagramador Fábio Ewerton chegou atrasado ao trabalho na manhã de hoje em função do protesto. Por volta das 10h, ele estava no Alecrim e gastou mais de meia hora para chegar ao trabalho, na rua Doutor José Gonçalves, em Lagoa Nova. Ele pegou um táxi no bairro do Alecrim, mas o trânsito já estava parado a partir do cruzamento da avenida Presidente Bandeira com a Jaguarari. De lá, Fábio Ewerton optou por ir a pé até o trabalho, já que o trânsito estava completamente parado.

A oftalmologista Suzete Guerra também ficou presa no trânsito em função da paralisação dos alternativos. Ela mora nas proximidades do TRE, em Lagoa Nova, mas não conseguiu chegar à residência, por volta do meio dia, haja vista que todas as vias estavam interditadas pelos alternativos. Diante da impossibilidade de ir para casa, Suzete Guerra estacionou o carro e foi a um supermercado esperar que o trânsito fosse desobstruído. Diante da situação, a médica remarcou todas as consultas agendadas para a tarde de hoje, já que, dificilmente, as pessoas conseguiram chegar até o consultório.

O motorista Alex Rufino foi mais um a ser prejudicado com o congestionamento causado pelo protesto. Ele estava trafegando pela avenida Salgado Filho e se viu ‘obrigado’ a fazer o restante do trajeto a pé. “O trânsito estava todo parado e não tive outra alternativa a não ser abandonar o carro e andar mais de um quilômetro a pé”, disse Alex que deixou o carro no bairro de Lagoa Seca, nas proximidades da rua Alberto Silva.

O comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, explicou que a competência da fiscalização e autuação é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) e que não compete a Polícia intervir na situação. No entanto, segundo informou o comandante, a Secretaria solicitou o apoio da Polícia Militar para guinchar alguns ônibus que estejam obstruindo o trânsito. “Mas a aplicação do auto de infração é de competência da Semob, apenas estamos dando todo apoio no que for preciso. Esperamos que eles possam sair de forma pacífica”, afirmou Coronel Araújo.

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