Quadrilha vendia vagas para o curso de Medicina por até R$ 140 mil

Uma quadrilha que movimentava milhões de reais com a venda de vagas em faculdades de Medicina em Minas Gerais e…

Operação Hemostase desbaratou quadrilha e durou 8 meses até ser concluída. Foto:Divulgação
Operação Hemostase desbaratou quadrilha e durou 8 meses até ser concluída. Foto:Divulgação

Uma quadrilha que movimentava milhões de reais com a venda de vagas em faculdades de Medicina em Minas Gerais e no Estado do Rio foi desbaratada nesta terça-feira pela Polícia Civil mineira. Foram presas 21 pessoas. Segundo as investigações, as vagas custavam entre R$ 30 mil e R$ 140 mil.

As instituições suspeitas de envolvimento no Rio são a Unig de Itaperuna e Nova Iguaçu; a Unifeso de Teresópolis e a FMP de Petrópolis. De Minas, também serão investigadas a Unipac de Juiz de Fora; a PUC e a Faminas, de Belo Horizonte; a Unec de Caratinga; a UI de Itaúna; a Univaço de Ipatinga e a Funjob de Barbacena.

Apontados como líderes do bando, o funcionário público aposentado Quintino Ribeiro Neto, 63 anos, e Maria Aparecida Calazani, 37, estão entre os presos. Com a quadrilha foram apreendidos cerca de R$ 500 mil, sendo U$ 25 mil (R$ 59,5 mil), celulares, documentos, pontos eletrônicos, munições de uso restrito e um veículo de passeio.

O preço da vaga variava de acordo com a modalidade da fraude. O método podia ser aplicado por meio de telefone celular, ponto eletrônico, falsificação de históricos escolares, vaga direta ou mesmo por terceiros, que faziam a prova no lugar do candidato.

Chamada de “Hemostase” (conjunto de procedimentos cirúrgicos para estancar uma hemorragia), a operação foi iniciada há oito meses pela Delegacia Regional de Caratinga, em Minas. Além de cumprir todos os mandados de prisão, foram executados 32 de busca e apreensão. A operação contou com 180 policiais em 17 cidades nos dois estados e empregou até um helicóptero.

“O trabalho não termina aqui. Vamos aprofundar os levantamentos a fim de solidificar ainda mais a nossa convicção de que desvendamos um esquema criminoso, altamente rentável, e que permitia a entrada de profissionais despreparados no mercado da Medicina”, explicou o delegado Jeferson Botelho, superintendente de Investigações e Polícia Judiciária.

Acusados vão responder por fraude, estelionato e lavagem de dinheiro

De acordo com a investigação da polícia mineira, alguns integrantes da quadrilha tinham uma função. Entre os presos está a médica Micheline Vieira Ribeiro, presa em Minas, e o policial reformado Jorge Rodrigues de Oliveira, 60 anos, detido no Rio.

José Cláudio de Oliveira, 41, era o responsável por conseguir os candidatos, assim como as estudantes de Medicina Mirela de Souza Faria, 33, e Samyra Sarah Marques, 26. Talytta Cristine da Silva, 26, e Spencer Almeida de Oliveira, 22, exerciam a função de intermediadores do bando. Eles e outros integrantes foram presos em Minas Gerais.

Além do policial, no Rio foram presas outras seis pessoas. Todos os acusados de envolvimento no esquema fraudulento vão responder por associação criminosa, fraude de certames de interesse público, estelionato, falsificação de documentos públicos e de documentos particulares, falsidade ideológica, falsa identidade e lavagem de dinheiro.

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