Quadrinistas potiguares buscam reconhecimento da própria região

A baixa procura por histórias em quadrinhos também se deve a uma falta de investimento educacional

Feira e Mostra de Quadrinhos passará a ser realizada mensalmente no Mercado de Petrópolis. Profissionais locais como Beto Potiguara lutam por valorização no próprio Estado. Foto: José Aldenir
Feira e Mostra de Quadrinhos passará a ser realizada mensalmente no Mercado de Petrópolis. Profissionais locais como Beto Potiguara lutam por valorização no próprio Estado. Foto: José Aldenir

Produções que rodam o Brasil e profissionais que trabalham para grandes empresas de todo o mundo. Essa é a realidade das Revistas em Quadrinhos do Rio Grande do Norte. Porém, mesmo com toda a qualidade apresentada no trabalho dos potiguares, os quadrinistas ainda sentem falta da valorização local.

Foi com a intenção de divulgar esse talento que Milena Azevedo, do portal GHQ, em parceria com a Federação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), vai promover todos os meses a Feira e Mostra de Quadrinhos, que será realizada no espaço Abraham Palatinik, no Mercado de Petrópolis. O primeiro evento foi realizado neste sábado (15) e contou com a participação e amantes das HQs de várias gerações. “Hoje os quadrinistas do RN fazem um trabalho em todo o Brasil, mas aqui ainda não são conhecidos. Então estamos fazendo esse evento para mostrar a cara desses profissionais para o público. A ideia dessa feira é exatamente essa, de criar um público consumidor para o evento e mostrar o trabalho dos profissionais para o público daqui”, destacou Milena Azevedo.

Um dos mais animados com o evento era o historiador Beto Potiguara, que é dono de publicações reconhecidas em todo o território nacional. “O meu trabalho mais conhecido foi o Carcará, trabalho onde a gente mistura cordel, poesia e quadrinhos. Como sou historiador, também fiz ‘Os Notáveis e Outras Histórias’, que pega a ideia de Edgar Allan Poe, da Liga Extraordinária. Então pegamos vários ícones brasileiros como o Lampião, Carmen Miranda, Zumbi e fazemos as histórias, como por exemplo, colocamos como realidade e história do ET de Varginha. Também que Santos Dumont realmente fez o avião depois dos irmãos Wright. Então criamos esse universo. Eu consegui vender bem essas HQs em outros lugares, mas aqui a demanda é menor”, frisou.

Para Beto, a baixa procura por histórias em quadrinhos também se deve a uma falta de investimento educacional. “Eu faço palestras nas escolas e tento mostrar para os professores o potencial educacional que as histórias em quadrinhos possuem, que podem ser utilizadas como um objeto de estudo e não apenas colocar os alunos pintando e lendo os quadrinhos”.

Criador do primeiro grupo de quadrinhos do Rio Grande do Norte, o Grupec, que foi fundado em 1971 e considerado um dos mestres da arte no RN, Emanuel Amaral contou as dificuldades até que as HQs potiguares conseguissem sucesso. “Hoje nós temos um talento muito grande no Rio Grande do Norte. Mas no começo não era fácil. Não tinha como fazer histórias em quadrinhos aqui. Eu era do RN, mas fui com cinco anos morar no Rio de Janeiro. Lá conheci o Evaldo Oliveira e comecei a gostar de quadrinhos. Foi depois disso que criei o Grupec, em 1971. Pouco depois o nosso grupo começou a publicar no Diário de Natal, que foi onde tudo começou”, recordou.

Um dos grandes sucessos de Emanuel Amaral foi a HQ ‘Guerreiros das Dunas’, escrita junto com o amigo e também quadrinista Givanildo Lira, que conta a história da chegada dos Europeus no Brasil, só que na visão dos índios. “Agora estamos com o projeto para produzir o segundo volume, de um total de quatro. Estamos na fase de captação de recursos”, frisou Givanildo.

Espaço para outras artes

Apesar de ser uma Feira de Quadrinhos, os organizadores do evento têm a intenção de transformá-lo em um local de encontro para profissionais potiguares de diferentes tipos de artes. “Nas próximas edições nós iremos trazer também o pessoal de outras artes, como o audiovisual, das artes plásticas e literatura, promovendo mesas-redondas, palestras e exibições de documentários, animações e curtas”, destacou Milena.

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