Qual é a tua, bicho?
Já se tornou comum a irritação do jogador Neymar em partidas contra times ditos medianos e grandes; o jovem craque do Santos ainda não adquiriu maturidade para entender que o glamour da tietagem por ele não entra no gramado com os adversários.
Ontem, quando o Santos penou para supera o poderoso Ituano, o garoto reclamou de novo das entradas dos zagueiros e trocou gentilezas com o banco do rival. Depois acusou que alguém o chamou de “macaco”, fato não confirmado pelo quarto árbitro.
Causa-me espanto como a referência ao animal, nosso primo mais próximo da cadeia símia, seja tratada como um crime hediondo e muitas vezes surjam casos em que uma acusação falsa descambe para um inquérito cheio de histeria só por causa do animal.
Trocam-se todos os tipos de agressões verbais numa contenda, mas nada é recebido como tão grave quanto a citação da palavra macaco, a mesma que os cangaceiros usavam para referir-se aos soldados das volantes que os caçavam nas caatingas.
Independente do carregamento de preconceito racial contra os negros, que já deveria ter sido abolido da civilização desde o século XIX, desconfio que há um tipo de rejeição etológica, sei lá, dos seres humanos para com os lépidos animais que nos geraram.
Puxei da memória e não lembrei de um caso sequer com alguém processando outro por ter sido chamado de cachorro, nem mesmo as mulheres, algumas com o acréscimo do termo perua que é um equivalente à cachorra na gíria especializada em bicharada.
Todo dia tem gente sendo chamada de burra, inclusive toda raça brasileira nos discursos de enganação dos governos. Jamais se levou isso às barras dos tribunais. Chame um desafeto de jumento e a reação dele será talvez replicar lhe chamando de cavalo.
Quantas sogras já foram chamadas de cobra, inclusive com a devida classificação de espécie, tipo jararaca ou cascavel? O leitor sabe de algum episódio em que uma mulher foi adjetivada pelos substantivos vaca e galinha e tenha reagido com um advogado?
Garotas inquietas e com horas rodadas de vida noturna são chamadas de sirigaita, aquelas outras de programas de aluguel são conhecidas como mariposas, mulheres de temperamento indócil são consideradas hienas. E há as jovens reboculosas, as éguas.
Todo mundo tem um amigo urso, mas nem por isso é processado por chamá-lo assim. Nenhum homem na terceira idade chamará a polícia se uma mulher tratá-lo por bode velho, leão desdentado. Aliás, estamos cercados de cães de guarda e leões de chácara.
Usamos também os animais para elogiar. O empresário de visão empreendedora é uma águia, a moça em roupas mínimas fica uma pantera, a dondoca quarentona sente-se uma leoa, e o jogador que rompe defesas para a alegria do gol é um touro indomável.
Qualquer que seja o animal utilizado como referência para um humano, do idiota com cérebro de ameba à megera com corpo de baleia, apenas o macaco é sujeito a uma guerra jurídica quase sem fim. Dizem que o veado também caminha para tal contexto.
Não é o caso de Neymar, óbvio, apesar de tanta frescura. (AM)
Pesquisa
Conversa numa roda política no fim da tarde de ontem dizia que foi só Rosalba Ciarlini inventar uma programação na Via Costeira para interagir com a sociedade de Natal e aí Wilma de Faria tratou logo de inventar uma pesquisa de eleitoral-administrativa.
Lambendo a nata
Já não é mais segredo que um velho aspone com PHD em bajulação está operando na Via Láctea potiguar e dando um show como atravessador, um verdadeiro asteroide que carrega no seu rastro 150 mil fragmentos verdinhos, bem ricos e substanciais.
Idiotice
Os militontos locais vivem tão distantes do tempo em que vivem (ainda sonham com ditadura do proletariado), que agora apareceu um sociólogo defendendo a tese da “estatística de esquerda”, da “pesquisa engajada” que favoreça nomes do PT e PCdoB.
Os imundos
Meia dúzia de esquerdopatas, cada um com sua paranoia de revolucionário retroativo, fez um mimimi no Twitter sobre a nota de ontem com o Zé Mané de Abreu e pelo fato de transcrever texto do Ucho Haddad. Nada me dar mais prazer do que incomodar.
Falsário
Não convém a um promotor ou quem quer que seja utilizar internauta especializado em criar perfis falsos (fakes) como propagador de vazamentos de inquéritos e/ou ações em segredo de Justiça. A sociedade não pode aceitar a rede de prejulgamentos.
Aquieta Zé
É ridículo o criminoso Zé Dirceu (já condenado) se imaginar um líder popular e sair por aí vomitando agressões contra o Superior Tribunal de Justiça. O capataz de Lula na mensalão anda dizendo que o julgamento do Supremo não é a vontade da Nação.
Vontade
Ora, se as Cortes de Justiça fossem acatar todas as vontades populares, o Brasil já teria a pena de morte, mais de dois terços dos políticos estariam cassados e quem sabe o Poder Executivo voltasse aos militares, já que as Forças Armadas lideram a preferência.
Reação
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) emitiu uma nota refutando os boatos que circulam nas redes sociais e principalmente em Santa Maria de que ele seria proprietário da Boate Kiss. Quer identificar a origem e tomar providências nas barras da Justiça.
Aumento
Na reportagem de ontem do Jornal Nacional sobre o aumento da gasolina, a participação de um consumidor entrevistado num posto de combustível serviu como sugestão de um belo slogan para o governo petista: “Governo Dilma, Acende a Luz, Apaga o Carro”.
Fiasco
A média de público do campeonato potiguar de futebol é de risíveis 660 pagantes, audiência equiparada ao movimento de alguns bares da vida noturna natalense. Talvez com a entrada do ABC e do América, decerto esse número suba para uns 890, né?


