Quando nascem monstros
Não deve ser verdade que os petistas do Rio Grande do Norte se consideram acima do bem e do mal. Como se não arrastassem neles mesmos as monstruosidades congênitas de quem exerce o poder por longos períodos. Mas, se for, a explicação é simples: imaginam que buscando o escapismo de uma distribuição de renda que inegavelmente realizaram, vão se purgar dos escândalos que promoveram na manutenção do mando, agora julgados e condenados pelo Supremo, sob o escárnio de toda a Nação.
O poder é um útero perverso e nele, quase sempre, nascem monstros fecundados na ambição humana. E não se cometa o erro de atribuir a uma civilização tropical recente e sem tradição, ou a estamentos economicamente menos favorecidos. Ricos e pobres burlam as leis e os bons costumes. A diferença é que os ricos, aliados ao poder político, dissimulam e, não raro, sabem apagar as impressões digitais; os pobres e desprotegidos são levados à Justiça numa satisfação pública de falsa moral. E só.
O que espantou o Brasil não foi o julgamento final de um processo que durou mais de sete anos e a condenação dos culpados. Foi o Supremo Tribunal Federal, acima de todas as pressões públicas ou dissimuladas, e mesmo com ministros quase todos nomeados pelo governo petista, ter pela primeira vez julgado os réus pelos crimes dos quais eram acusados, e não pelos cargos ou o status econômico ou político que detinham. Foram iguais perante a lei e isto quebrou a vidraça das nossas falsas elites.
Ora, Senhor Redator, se elites tivéssemos, nascidas de um processo civilizatório fundado na tradição dos direitos consuetudinários – os costumes como fontes geradoras das leis – e por consenso da sociedade, nada teria espantado. Ao contrário: espantoso, na consciência coletiva, seria não puni-los pelos crimes contra o erário. É ai que o PT estribado na alegação de que governa distribuindo renda e lutando contra a pobreza, imagina fazer do estribo o escambo de trocar o dever pelo perdão público.
A postura sóbria e por isso mais próxima da magnitude do cargo que exerce foi da presidente Dilma Rousseff. Não cabia à presidência questionar as decisões do Supremo. Nem mesmo pressionar seus ministros. O pressuposto é que lá chegaram por mérito. E o conceito de mérito de um magistrado não está apenas na austeridade da sua toga, símbolo da isenção. Mas em quem nomeia em nome do respeito ao papel do Poder Judiciário no Estado republicano, mesmo que o PT não aprenda nunca.
As pressões exercidas na eleição da mesa da Câmara Municipal, entre veladas e dissimuladas, nasceram da velha deformação incrustada nos quinhentos anos desse Brasil inzoneiro. Como é comum num país sem elite política, o PT, consciente ou de má fé, confunde os limites que separam o poder e o mando. Como o PT detém há doze anos o Palácio do Planalto, portanto, o poder, imagina que detém o mando. Por isso assistiu a condenação dos réus do Mensalão como pesadelo. E ainda não acreditou.
CÚRIA
Até final de janeiro o expediente na Cúria Metropolitana será das 8 às 13h. A Câmara Eclesiástica e o juizado auditor – padre Júlio Cesar – estão em recesso. Mas tudo volta ao normal até início de fevereiro.
PAUTA
Os bispos do Regional Nordeste II vão se reunir em Natal para um período de descanso. Nem por isso deixarão de confabular discretamente sobre nomes para as Dioceses de Caicó, João Pessoa e Floresta.
OAB
Dia 17, 19h, no Olimpo Recepções, a solenidade de posse da diretoria, conselheiros estaduais, federais e diretores da Caixa de Assistência dos Advogados. Sérgio Freire e Marcos Guerra comandam a OAB.
META
A grande meta administrativa do advogado Sérgio Freire é a construção da sede da OAB no alto da Candelária. A sede antiga, no seu prédio histórico da Junqueira Aires, será o Memorial da Cidadania.
SERTÃO
A Fauna Nordestina é o tema do ensaio de Benedito Vasconcelos na edição de dezembro da revista Nordeste 21. Na Eco-Brasil ele escreve sobre A Charqueada da carne de charque e do jabá nordestino.
GESTO
Correta a decisão da governadora Rosalba Ciarlini isentando do IPVA táxis com até sete lugares. É uma forma direta de incentivar um campo gerador de ocupação e renda. Desonerar é a saída moderna.
ANOTEM
A presença do procurador Carlos Castin na área jurídica da Prefeitura é uma inegável segurança para a lisura nos contratos públicos municipais. Castin além de ser do quadro conhece bem aquela máquina.
PONTEIROS – I
Culpar a assessoria e o marketing pela imagem negativa do governo é arrancar os ponteiros do relógio na esperança de parar o tempo. Mesmo a assessoria sendo até hoje apenas uma engenhoca de releases.
REFORMA – II
O governo precisa mudar de método, eleger uma forte agenda de posicionamentos e substituir alguns dos seus auxiliares que ao longo desses dois anos até demonstraram obediência, mas nenhuma eficácia.
ALIÁS – III
Não será soltando fogos e insuflando balões de propaganda que o governo vai conquistar uma cidade que vem sofrendo há dois anos com o desmantelo municipal e o abandono do governo das áreas vitais.
EXEMPLO – IV
Diante de três grandes desafios – saúde, segurança e educação – o governo investe alguns milhões na duplicação da estrada de Tibau. Como se lá pudesse colher dividendos para compensar seus fracassos.
PERDAS – V
A queda de secretários de áreas estratégicas e geradoras de fatos fortes, como a pasta da Justiça e da cidadania – já foram três os que pediram para sair por falta de prestígio – revela o desacerto do modelo.
GAIOLAS
Tomara que a doutora Elequicina Santos, competente que é, retome o uso das estações de transferência nos transportes urbanos sem prender os passageiros naquelas gaiolas feias, modernosas. Vamos torcer.
ATENÇÃO
Fontes ligadas à ex-prefeita Micarla de Sousa afirmam que ela voltará a ocupar as telas da sua tevê e manter um programa diário. É melhor não subestimar tanto assim a sua capacidade de gerar saudade.


