Quarentona, Ponte de Igapó sofre com a impressionante falta de manutenção

Enquanto viaduto do Baldo está interditado, equipamento sobre o Rio Potengi continua sendo utilizado apesar dos riscos estruturais

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A Ponte de Igapó nunca teve uma manutenção regular ou uma grande reforma. Além da confirmação oficial, as colunas metálicas aparentes nos pilares de sustentação denunciam o descaso, assim como os pescadores que vivem na região. O pior dessa situação é que nem as recentes pressões de políticos e especialistas foram suficientes para mudar a realidade do primeiro laço entre a zona Norte e o resto da cidade.

Em dia de maré baixa, a equipe de reportagem d’O JORNAL DE HOJE encontrou muitos pilares corroídos, com ferragem aparente e deterioração de toda ordem – além de muito lixo e mal cheiro, características comuns ao rio. No primeiro pilar (situando-se na direção bairro Nordeste – Igapó), a extremidade esquerda está despedaçada. Os frequentadores relatam quadro ainda pior.

Quem conhece melhor o cotidiano do rio Potengi e do que há dentro dele é o pescador Juarez Francisco da Silva, de 55 anos. Ele trabalha há 40 anos naquelas águas, quase o mesmo tempo de existência da ponte de concreto. O pescador acompanhou a deterioração da obra de engenharia forçada pelo tempo, marés e peso dos veículos.

Juarez confirma que nunca houve manutenção regular ou uma grande reforma na ponte. “Vieram uma vez há mais de dois anos e fizeram um capiaço [acabamento] nessas partes que o ferro tá aparecendo”, declarou o pescador. Mais recentemente ele testemunhou a presença de engenheiros há cerca de seis meses no local. “Eles andaram de canoa, mediram aí e tiraram foto”, descreveu.

Por vezes, o ribeirinho e os colegas de trabalho se assustam quando passam sob a ponte. “Tem parte aí que não tem mais ferro, é só no cimento. Quando a gente passa por baixo e dá fé, cai um pedaço da pilastra”, contou. São mais de 10 pilares de sustentação nos cerca de 600 metros extensão.

Esforços inúteis

Em 2013, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN) formulou um anteprojeto para recuperação do equipamento urbano e ampliação das faixas de rolamento (de quatro para seis). O canteiro central e um das passagens laterais para pedestres seriam derrubados. O projeto foi entregue ao DNIT, mas até agora nada se materializou.

Considerando a hipótese da duplicação da avenida Felizardo Moura, no bairro Nordeste, dentro das obras de mobilidade urbana para a Copa naquela região, a duplicação da ponte também seria fundamental. Caso contrário, de nada adiantariam as intervenções viárias, pois a ponte se tornaria um gargalo.

Também no ano passado, o vereador Luiz Almir (PV) conseguiu uma audiência com o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Jorge Fraxe, para mostrar imagens da situação e cobrar uma solução. Igualmente sem êxito até agora.

O Clube de Engenharia do Rio Grande do Norte expôs o desgaste da ponte com palestras técnicas sobre o caso durante o ano passado. Mas nem toda essa mobilização foi suficiente para forçar uma ação, que deveria ser urgente na visão dos associados ao clube.

Check up aos 40

A ponte de concreto foi concluída em 1970 durante o governo Monsenhor Walfredo Gurgel (PSD). Em 1988, o governo Geraldo Melo (PMDB) acrescentou mais duas pistas de rolamento. Desse modo, o equipamento urbano passara a ter capacidade para a circulação de 38 mil veículos diariamente.

Posteriormente, a ponte passou a ser patrimônio federal, pois está no caminho de uma rodovia federal (BR-101 Norte). Atualmente, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 90 mil carros/dia pressionam os pilares da ponte com seu vai-e-vem.

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