Que o povo decida – Walter Gomes

Presidente e vice da República olham na mesma direção. Pelo menos, demonstram afinidades a menos de cinco meses da eleição…

Presidente e vice da República olham na mesma direção. Pelo menos, demonstram afinidades a menos de cinco meses da eleição nacional. O mote é a consulta popular sobre o roteiro a seguir na reforma política.

Nem tudo, porém, une a porta-bandeira e o mestre-sala. Há divergências, mas nada impossível de compor. O PT de Dilma Rousseff e o PMDB de Michel Temer podem continuar juntos na campanha eleitoral deste 2014, como parece, mas são legendas divergentes na ação administrativa e no exercício da vida partidária. Majoritariamente, os petistas seguem as diretrizes da cúpula. No peemedebismo, deputados e senadores, sobretudo, traçam o próprio caminho. Por isso, lidera no quesito ‘divergência’.

Volte-se à pauta de hoje. Temer vê no plebiscito o melhor caminho e explica o porquê como político e professor de Direito Constitucional.

Ele é adepto de mudanças, ou adaptações, resultantes da operação conjunta da democracia indireta (questões apresentadas pelo Congresso) com a direta (a sociedade votaria cada item proposto pelos parlamentares e aprovado pelas duas casas do Legislativo).

Apesar de licenciado da presidência do PMDB, ele quer o partido na linha de frente da reforma política.

Em duas frentes

Quem diz é o próprio Lula da Silva.

No Rio de Janeiro, pedirá voto para Lindbergh Farias, candidato a governador pelo PT, e Sérgio Cabral, filho, em campanha para o Senado sob o estandarte do PMDB.

Trata-se de uma dupla ex-aliada que optou pelo ‘apartheid’.

Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB) alternam-se no primeiro lugar, para o Palácio Guanabara.

Os mesmos institutos de opinião situam Jandira Feghali (foto), do PCdoB, na ponta para senadora. Bem próximo dela colocam o peemedebista Cabral.

Desenho do cisma

Repetem-se os desencontros de parlamentares do PMDB.

Ontem, na capital paulista, anotado outro capítulo dos desacertos.

Nenhum deputado compareceu à reunião de senadores da sigla com Lula da Silva. Pauta: pendências regionais com o PT.

Análise de peemedebista estrelado sem, contudo, alinhamento no imbróglio:

“Os senadores, além da presunção de soberania, cuidam de interesses pessoais e da família; os deputados, de si.”

– Com fortes críticas ao governo Rousseff e ao PT, a coligação liderada pelo PSDB apresentou a chapa completa para o pleito majoritário em Minas Gerais. Governador: Pimenta da Veiga (tucano); Vice: Dinis Pinheiro (PP) e Antonio Anastasia (também do tucanato), para senador.

– Gilberto Maringoni concorre ao governo paulista pelo PSOL. Dia 14 de junho, a convenção oficializa a candidatura do professor. Slogan de campanha: ‘Uma alternativa democrática e de esquerda para São Paulo’.

– Sábado, em Porto Alegre, lançamento da candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) à sucessão do governador (recandidato) Tarso Genro (PT). O presidenciável Aécio Neves participa da festa. O Rio Grande do Sul é um dos estados onde os pepistas se desligaram da coligação com o Partido dos Trabalhadores.

– Eduardo Campos, representante do PSB na corrida ao Palácio do Planalto, visita, amanhã, a Paraíba (Campina Grande e João Pessoa). Quinta, vai ao Rio Grande do Norte (Natal e Santa Cruz).

– O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lança o 13º livro, neste ano. Título: ‘A civilização na encruzilhada’. O sociólogo italiano Domenico de Masi assina o prefácio. Buarque foi reitor da Universidade de Brasília e governador do Distrito Federal.

– Para refletir: “Quando perdi meu pai, tive pena do velho. Quando minha mãe morreu, tive pena de mim” (Philip Morgan, correspondente de jornais brasileiros em Londres).

Compartilhar: