Quem ganha com a prorrogação das carteiras? – Danilo Sá

A desculpa é quase sempre a mesma, com raríssimas mudanças de discurso. Todo início de ano, o prazo final para…

A desculpa é quase sempre a mesma, com raríssimas mudanças de discurso. Todo início de ano, o prazo final para uso da carteira estudantil da temporada anterior se transforma em uma verdadeira novela. Em 2014, pasmem, já estamos no quinto mês e, até agora, ainda é válido o documento do ano passado. Pior, hoje foi determinada a prorrogação da identidade até o final de junho, decisão tomada por meio de decreto assinado pelo próprio prefeito Carlos Eduardo e publicado no Diário Oficial do Município.

Os motivos alegados pelo poder público são semelhantes aos do passado, que se repetem há mais de uma década, desde que este redator ainda era uma criança nas salas de aula do Auxiliadora. “Os colégios ainda não atualizaram os dados dos estudantes este ano”. Ou então, “os estudantes precisam de mais tempo para tirar a nova documentação”. Ou ainda, “as entidades estudantis ainda não estão regularizadas, precisam enviar suas informações. Esse ano há, enfim, uma novidade: “as escolas não enviaram o lay out das carteiras”.

Ora, quem ganha com as seguidas prorrogações das carteiras estudantis? O poderoso Sindicato do Transporte Urbano de Natal (Seturn) teria interesses em manter essa validade interminável? Até onde vai a participação da Prefeitura nessa questão? Os verdadeiros alunos saem no prejuízo? Será que cinco meses é insuficiente para que as escolas e seus alunos consigam se organizar? E se em seis meses os dados ainda não tiverem sido informados, vão adiar para julho? E depois para agosto?

Desde o seu princípio, a indústria das carteiras estudantis no Rio Grande do Norte sempre esteve envolvida em polêmicas. E, pelo visto, esta realidade não terminará tão cedo. Foi assim para extinguir o monopólio das entidades, para criar a identidade gratuita e, como se vê, até para se definir uma data de validade do documento. Uma verdadeira piada, se a questão não fosse tão importante para a juventude potiguar, dependente do benefício da meia entrada no transporte público e nos eventos culturais.

O que mais assusta é perceber que toda essa situação se repete de tempos em tempos, como se estivéssemos em um círculo vicioso, sem que nenhum órgão fiscalizar levante sequer a mão para investigar tamanha confusão por um direito previsto em lei. Onde está o Ministério Público e seus promotores ávidos por uma denúncia de grandes proporções? E a Justiça, que apesar de sempre lenta, já teve tempo suficiente para abrir o olho em cima do assunto? Cadê? Afinal de contas, será que ninguém nunca se perguntou quem ganha com essa banal prorrogação das carteiras estudantis?

TÁTICA ELEITORAL

O deputado federal Henrique Eduardo Alves concedeu uma longa entrevista hoje pela manhã, na 94 FM. E o peemedebista deixou bem clara qual será sua estratégia de campanha. Primeiro, é evitar o confronto direto com seu “amigo” Robinson Faria, como o mesmo fez questão de enfatizar. Além disso, as respostas as críticas já surgidas na imprensa estão na ponta da língua.

RESPOSTAS

Provocado sobre o argumento de que, apesar dos 44 anos na Câmara, nunca havia atraído projetos para o RN, Henrique lembrou até mesmo de recursos obtidos para obras na BR-101 na gestão do ex-governador Geraldo Melo, em 90. Sobre desconhecer problemas da saúde pública, citou a opinião elogiosa de diretores respeitados de unidades hospitalares do Estado a seu respeito, divulgadas esta semana.

PRECAUÇÃO

Com relação ao governo Rosalba Ciarlini, vacinou. Relembrou que votou em Iberê Ferreira em 2010, disse que aderiu ao governo para “contribuir” com o RN e que deixou a gestão após incontáveis tentativas de se fazer ouvir pela governadora. E, por fim, ainda deixou bem claro que não receberá o apoio da Rosa, já que é hoje um crítico da sua gestão. Sobre o DEM, desconversou, e disse que é preciso esperar uma posição da legenda.

REPERCUSSÃO

Em tempo: as palavras ditas pela presidente Dilma Rousseff em relação a Henrique Alves, de que desejaria vê-lo como governador do Rio Grande do Norte, durante reunião com integrantes do PMDB, ainda não foi deglutida pelos militantes petistas potiguares e seus representantes com mandato. Não caiu bem para o PT do RN.

ADEUS

O ministro Joaquim Barbosa oficializou ontem sua decisão de deixar o Supremo Tribunal Federal. Entre críticos e fãs, o magistrado deixa a função e consolida, de vez, sua participação na história da democracia brasileira. Sem ele, certamente, o país continuaria sendo, para sempre, um dos únicos a jamais mandar corruptos para a cadeia. Barbosa deu apenas o primeiro passo.

SEM DESTAQUE

O Rio Grande do Norte possui hoje duas notícias de grande importância que, devido ao momento vivido pelo Estado, quase não tiveram direito a uma chamada de capa nos jornais locais. Primeiro, o fato do RN ter sido considerado área livre da aftosa, algo buscado há anos. Segundo, o projeto do passe livre, aprovado pela Câmara de Natal ontem.

POLÊMICAS

Com a votação do passe livre, os vereadores praticamente concluem o primeiro semestre de 2014 tendo conseguido colocar em análise os projetos mais polêmicos prometidos para a atual temporada. A reforma administrativa e o passe livre sempre foram apontados como os principais calos da Câmara. É a luta.

VALORES

A Prefeitura de São Gonçalo resolveu colocar um ponto final nas discussões em torno do valor gasto pelos turistas por uma corrida de táxi do novo aeroporto para os hotéis de Natal. O município anunciou hoje que o valor da tarifa será de R$ 2,00 por quilômetro rodado, bem abaixo do cobrado em Natal, por exemplo, que é de R$ 2,35 na bandeira 1 e de R$ 3,75 na bandeira 2, no período noturno. Tiro certeiro da Prefeitura.

GIRA MUNDO

O ex-jogador Ronaldo Nazário, o Fenômeno, pelo visto, ainda vai dar muito o que falar nessa Copa do Mundo. Comentarista convidado da Rede Globo para o mundial, o ex-atleta foi entrevistado na sabatina promovida pela Folha de São Paulo. Entre outras coisas, disse ser favorável a que a polícia “baixe o cacete nos vândalos” que se misturam em meio aos protestos. Ronaldo também voltou a criticar a Fifa e disse que o órgão está traumatizado com o Brasil e não realizará mais eventos no país tão cedo. É, tem sentido.

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