Quem vai, quem fica

Aos 30 anos, Rodrigo Silva é um homem raro no futebol brasileiro. Capaz de marcar 30 gols. Sua opção é…

Aos 30 anos, Rodrigo Silva é um homem raro no futebol brasileiro. Capaz de marcar 30 gols. Sua opção é o balanço da rede adversária e o transe  de sua torcida.

A afinidade entre Rodrigo Silva e o ABC se firmou pela obstinação de um centroavante nato, um pistoleiro de grande área e a correspondente reação grata de uma massa feliz por vibrar e cantar sem vergonha se ser feliz. Rodrigo Silva é a cara do torcedor anônimo, humilde, devotado.

Em 2013, Rodrigo Silva cumpriu o estágio de maturação das  flores no latifúndio do seu espaço, o setor próximo à meta do time rival. Começou semente promissora num time ruim, resistiu às campanhas terríveis e desabrochou em maturidade goleadora ao final da Série B, implacável  e caprichoso na suprema arte da finalização.

É artilheiro fatal nas cobranças de pênaltis e ousado para finalizações sutis em momentos cruciais como em jogos decisivos e marcantes contra no Campeonato Brasileiro, quando evitou chutões e matou goleiros com seus toquinhos.

Rodrigo Silva parte, vai embora, deixa um vazio de qualidade e de sentimento. Vai para o Criciúma nos acréscimos de 2013 e na chegada do ano-novo. O ABC perde um dos seus mais recentes e cativantes artilheiros.

Um centroavante nato. Difícil de ser encontrado e que irá para um time de Primeira Divisão, jogar diante dos holofotes nacionais, com todas as chances de repetir o feito de Éderson, tão desprezado em Natal e hoje paparicado pelo show no Atlético Paranaense.

Vivo estivesse, o repórter Souza Silva, símbolo de amor imparcial diria aos berros no microfone da Rádio Cabugi: Obrigado, Rodrigo, a Frasqueira te agradece.

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Rodrigo Silva vai embora, o América anuncia a permanência do seu meia Régis, destaque em sofisticação da Série B. Enfim, o futebol potiguar terá alguém fora do padrão de figurinista em campo. O América fez certo: no lugar de atirar no escuro, importando desconhecidos, se esforçou e garantiu  Régis, seu melhor nome de criatividade junto a Cascata na Série B. O titã do time foi Norberto, monstro em polivalência.

Eis a diferença, Norberto é múltiplo e Régis se destaca pela qualidade ausente no país continental. O individualismo desconcertante que jamais será pecado em quadriláteros que  abrigaram Pelés, Didis e Garrinchas.  Em  pele rubra, Hélcios, Véscios, Silvas  e Mouras.

Régis chegou, vestiu a camisa 10 vermelha e saiu por aí, driblando, arrancando do meio-campo, enfileirando marcadores, fazendo gols importantes. Há tempos as escolinhas de futebol, pomposamente chamadas de “categorias de base”, não revelam jogadores do estilo arisco e inteligente de Régis.

Há uma contradição irônica. Pode até haver a base nos clubes, mas a categoria sumiu. Infestado de empresários mercadores, o espaço da molecada é exclusivo para os gigantes e bem aquinhoados.  Paga-se para jogar e consagra-se a frase dita pelo saudoso Nilton Santos sobre o fim do drible no futebol brasileiro. Sorriu o mais encantador dos sorrisos sedutores – foi pelos anos 1990 – olhou para a jovem repórter e disparou:

- Minha filha, pobre não tem mais vez no futebol. Você tem visto crioulinho, escurinho fazendo maravilha nos clubes? Claro que não,  porque a escolinha de futebol agora é para rico. E desde quando rico joga bola?

Nilton Santos, que morreu dando a impressão de que saiu para fumar, comprar uma revista e a qualquer hora volta, fez, numa frase, um estudo que sociólogos e teóricos presunçosos levam anos para escrever rebuscado em teses.

Nilton Santos estava dizendo à mocinha que os meninos estavam sendo perdidos para a bandidagem nos morros, de onde saiam descalços para treinar e encantar.  Garrincha dificilmente teria chance hoje em dia, todo torto, analfabeto e miserável. Gênio, morreria desconhecido nas peladas de sopé de morro no interior do Rio de Janeiro.

Voltando a Régis, o  América de velocidade e cadência quando Cascata saía do banco, tornou-se agradável de se ver com o toque de bola ofensivo imposto pelo canhoto que invertia jogadas, segurava o tempo da partida, administrava o ritmo de um confronto tático no doce artifício da  técnica.

O futebol em 2014 se desenhava um filme apenas com coadjuvantes lotando todos os times. O ABC trouxe 11 para se juntar aos que aqui já estavam. Pode ser que dentre todos, existe alguém melhor do que Régis. Júnior Timbó é de igual nível, mas só joga no segundo semestre.
Eis a diferença. Da dúvida para a verdade. Régis é a verdade alegre da torcida do América. O melhor presente para o torcedor que é o mais sábio: gosta de ver beleza e gols sobrando.

 

Sem entender
Se o ABC vai buscar um homem-gol “do nível de Rodrigo Silva “para substituí-lo, então é sinal de que os atacantes contratados não merecem essa confiança toda.

Élvis
O torcedor alvinegro deve apostar suas fichas no meia Élvis. É  bom jogador, malandro, impetuoso. Pode até não dar certo, mas saber jogar, ele sabe e sabe bem.

Norberto
Cobiçado por grandes clubes do Brasil, por mais que Norberto fique no América, sua cabeça sempre lhe interrogará: “Não teria sido melhor ter ido embora, ter ido ganhar mais?”.  Ou então as especulações não passam delas.

Sem medo
Na lateral-direita do América,  Norberto é do nível de grandes nomes históricos. Com a vantagem de ser versátil. Ponha Norberto de volante que ele joga. Bem. Ponha Norberto na meia que ele joga. Bem, Ponha Norberto adiantado, próximo ao ataque e ele joga. Bem. Só não foi testado de goleiro.

O primeiro tri do Flamengo
O primeiro tricampeonato do Flamengo foi em 1953/1954/1955. O rubro-negro encerrava a fase de domínio do Expresso da Vitória do Vasco, o campeão de 1952. Os campeonatos cariocas eram longos, invadiam o ano seguinte e para chegar ao bicampeonato de 1954, o Flamengo precisou entrar em 55.

Empate
Dia  2 de janeiro de 1955, o Flamengo empatava com o América no Ex-Maracanã(em nada parece com o atual) por 1×1, gols de Leônidas “da Selva “para o Flamengo e Benítez para o Mengo.
 
Times
Flamengo: Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Benítez e Esquerdinha. América: Osni,  Alzemiro e Edson; Osvaldinho e Hélio; Paraguaio, Vassil, Leônidas “Da Selva”, João Carlos e Ferreira.

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