Queria ter escrito – Rubens Lemos

Sabe aquele texto que você lê, relê, fica babando de adoração e de saudável inveja? É o que resolvi publicar…

Sabe aquele texto que você lê, relê, fica babando de adoração e de saudável inveja? É o que resolvi publicar hoje. Gostaria de haver escrito as palavras do enjoado ex-jogador Paulo César Caju, um craque tão estilista quanto mascaradão.

Concordo com tudo o que Paulo César Caju afirma. Tudo. Cem por cento. Futebol para mim é do jeito que Paulo César descreve como se estivesse bailando na passarela do ex-Maracanã. Futebol é lírico, lúdico, moleque, atrevido, belo. Futebol era. Hoje é um saco assistir um jogo no Brasil.

Culpa de Paolo Rossi

Blog do Paulo César Caju em O Globo

Não tenho absolutamente nada contra o Dunga. Ele não pode ser culpado por ser amigo do Gilmar Rinaldi, que é amigo do Ricardo Teixeira, que ainda distribui as cartas na CBF. Esse papo é muito chato e já desgastou. Tenho raiva é do italiano Paolo Rossi que em 1982, com seus três gols, não só nos fez perder uma Copa, mas nos empurrou para a beira do abismo e roubou nossa identidade, nossa graça de jogar, numa das grandes injustiças do futebol mundial.

Aquela seleção com Falcão, Cerezo, Zico, Sócrates, Leandro & Cia não merecia tamanho castigo. Considero aquela Copa ganha por nós. Eu e grande parte dos brasileiros. Porque os brasileiros gostam do futebol bem jogado, dos dribles desconcertantes, das tabelas mágicas, dos lançamentos precisos, da molecagem.

Nas minhas contas, o futebol arte já ergueu quatro canecos – 58/62/70/82 – e estamos vencendo por 4 x 2 do futebol força. Os outros títulos brasileiros se deram graças aos talentos individuais de Romário, Bebeto, Ronaldo e Rivaldo. E olha que estou quebrando o galho e deixando 86 de fora. Brasil 1 x 1 França foi um jogaço! O Brasil perdeu, e daí??? O caminho era aquele.

Nossas raízes estavam preservadas, nossa escola encantava e assombrava o mundo. Mas do que adianta jogar bonito e não ganhar, perguntavam os especialistas. A partir desse pensamento medíocre as convocações mudaram e os cabeça de área ganharam status de camisa 10.

Desarmar virou sinônimo de eficiência e as escalações covardes se repetem até hoje, dez brucutus atrás e dois habilidosos tentando resolver na frente. Ganhar assim tem graça? Viu o que você fez Paolo Rossi?

Precisamos redescobrir nossa vocação, podemos ser eficientes sem nos violentar. Ou vocês preferem continuar convivendo com esse show de horrores? O Campeonato Brasileiro é e maior prova de que precisamos retomar nossa verdadeira arte.

O cartola tricolor Francisco Horta carregava as estrelas da Máquina para o teatro, shows e óperas. Acho que refletia em campo. O histórico pode dizer. Bobagem? Acreditem, não é. Falta arte, sim. Hoje vivemos o futebol bombadão e até os jogadores levam apelidos intimidadores ou de super-heróis vitaminados. Tem o Hulk, o He-Man, o meu Fogão trouxe o Mamute e o Vasco, em sintonia com as arenas, contratou um Gladiador. É, eu devo estar errado por sentir saudade da pureza de um Garrincha.

Meio-campo

O ABC está travado pela falta de criatividade do meio-campo, atestada pelo técnico Zé Teodoro. Os meias não estão fazendo o jogo fluir e a bola chega quadrada ao ataque. Há uma crise nacional de talentos, o ABC não é uma ilha. O excesso de cabeças de área engessa o futebol. Que está horroroso, complicado de se ver.

Diferencial

O Júnior Timbó arrasador do final do ano passado ainda não reapareceu e é compreensível. Quem passa por uma cirurgia, volta com medo e somente o tempo vai repor a normalidade. Falta ao ABC um Giovanni Augusto, típico armador habilidoso e inteligente. Que joga, mas pensa que joga mais do que sabe.

Gilmar

Até para o bem de Gilmar, é hora de tirá-lo do time titular do ABC. Gilmar está em fase terrível e é até cruel a sua exposição às vaias e críticas em tom de perseguição. É hora de dar vez a João Paulo começando o jogo. A torcida precisa saber se o João Paulo de agora é o João Paulo arisco e artilheiro de quando saiu para o exterior.

Sacrifício

O técnico do América, Oliveira Canindé, fez milagre. O América venceu o xará mineiro e está perto do G-4 da Série B. O América estava simplesmente mutilado, cheio de desfalques. Para o próximo jogo, algumas peças devem voltar. O meia Jéferson, sozinho, está sobrecarregado na criação. Nada de Morais e Arthur Maia.

Nível

O nivelamento – por baixo – da Série B impõe maior ímpeto aos times de Natal. Não existe nenhuma força suprema. O Vasco está em 10º lugar e deve lutar para não cair. Infelizmente, é a verdade, meus caros amigos Aluísio Lacerda, João Batista Machado, Geraldo Batista e Chiquinho Alves.

Punição

As entidades de prática desportiva poderão responder solidariamente pelos danos causados por suas torcidas organizadas num raio de 5 mil metros ao redor do local de realização do evento esportivo, ou durante o trajeto de ida e volta do local da realização do evento. É o que prevê o Projeto do deputado Jhonatan de Jesus (PRB-RR), que acrescenta dispositivo ao Estatuto de Defesa do Torcedor.

Prevenção

Atualmente o estatuto estabelece que a prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores, inclusive de seus respectivos dirigentes.

Crime

O estatuto também tipifica como crime a conduta de promover tumulto, praticar ou incitar a violência num raio de 5 mil metros ao redor do local de realização do evento esportivo, ou durante o trajeto de ida e volta do local da realização do evento.

ABC x Alecrim

Vitória fácil do alvinegro sobre o Alecrim (3×0) no dia 28 de julho de 1976, jogo válido pela segunda fase do terceiro turno do Estadual. Pouca gente no Castelão: 3.728 pessoas pagaram ingresso e viram os gols de Draílton, Reinaldo e Noé Silva. Arbitragem de Afrânio Messias.

Times

ABC: Hélio Show; Fidélis, Pradera, Vágner e Vuca; Draílton, Danilo Menezes (Raimundinho) e Zé Carlos Olímpico; Noé Silva, Reinaldo (Zé Carlos Henrique) e Noé Macunaíma. Alecrim: Geraldo; Sabará, Ticão, Ivan Montenegro e Paulinho; Nilson Beckenbauer, Gonzaga e Zé Augusto; Natã, Jonas e Jaime (Cacau).

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