“Quero denunciar vocês”, diz Bernardo em vídeo divulgado pela polícia

Gravação mostra discussão entre menino e madrasta; para acusação, prova incrimina o pai

Foto: Divulgação
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A Polícia Civil de Três Passos divulgou um novo trecho do vídeo gravado pelo pai de Bernardo Boldrini, morto em abril deste ano, no Rio Grande do Sul. A gravação mostra um pedido desesperado de socorro do menino de 11 anos após uma briga com a madrasta, Graciele Ugulini. A criança também fala que vai denunciar o pai e a madrasta.

O vídeo mostra apenas a sombra de Leandro Boldrini, pai do menino. O celular do médico ficou escondido para captar o áudio da discussão. Na gravação, o menino pede ajuda.

“Socorro!! Vocês me agrediram!! Socorro!! Empresta o telefone, eu quero denunciar vocês! Empresta, quero denunciar!”

O pai não se sensibiliza com o pedido do filho.

“Aqui quem manda sou eu.”

Já a madrasta se diverte com o desespero do enteado.

“Ah, tu quer o telefone para denunciar?” [risos]

Parte desta gravação, que tem 13 minutos, já havia sido divulgada pela polícia e mostra Graciele ameaçando a criança.

“Tu não sabe do que eu sou capaz. Eu não tenho nada a perder, Bernardo. Tu não sabe do que eu sou capaz. Eu prefiro apodrecer na cadeia a viver nesta casa contigo incomodando. Tu não sabe do que eu sou capaz. Tu não sabe do que eu sou capaz. Vamos ver quem tem mais força. Aí nós vamos ver quem tem mais força”.

Mais adiante, a madrasta faz nova ameaça.

“Vamos ver quem vai para baixo da terra primeiro”.

Para os advogados de acusação, essa gravação é prova de que o pai de Bernardo teve envolvimento na morte do filho. O vídeo foi gravado em agosto do ano passado no celular do médico e tinha sido apagado. Mas a perícia conseguiu recuperar o material, como explica a delegaca Caroline Bamberg, responsável pelo caso.

“O vídeo demonstra bem o comportamento do pai em relação ao filho. É um vídeo bem revelador!”

O material foi divulgado na primeira audiência do caso, quando o juiz ouviu dez testemunhas de acusação. O corpo de Bernardo foi encontrado no dia 14 de abril, enterrado em uma zona rural de Frederico Westphalen. A madrasta assumiu que provocou a morte da criança com superdosagens de medicamentos. Além do pai e da madrasta, estão presos os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz por participação no crime e na ocultação do cadáver.

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