Quinto Festival de Mágica do RN traz profissionais de Estados vizinhos

O melhor da arte ilusionista local você confere na noite de sábado (12), no Teatro de Cultura Popular

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Mistura de teatro, habilidade manual e psicologia, a mágica tem público cativo desde a Antiguidade. Acusados de debocharem do sobrenatural, o que soava herético para a Igreja, ou de simples adeptos do entretenimento, os mágicos causavam espanto e já despertavam a curiosidade quase dois mil anos antes de Cristo. Na tarde de amanhã (12), no Teatro de Cultura Popular (TCP), a partir das 19h, sete ilusionistas potiguares, mais dois convidados (um pernambucano, outro, cearense) resgatarão a prática que investe no mistério e no desafio às leis da física como um dos atrativos do V Festival de Mágica do RN. Com ingressos a preços acessíveis (R$ 10,00), a lotação da casa é esperada pela organização.

Assim como o circo, a mágica é recebida por muita gente com desdém, como algo banal. O engano começa a ser desfeito na hora em que a rotina dos profissionais é desvelada, pois uma obediência a sessões diárias de manuseio de objetos é acompanhada por pesquisas e estudos psicológicos sobre o melhor gesto e postura para seduzir uma plateia. “É uma prática diária que requer muita dedicação para conseguirmos fazer com que as pessoas passem um tempo pensando no que viram, depois da sensação inicial de surpresa”, diz Hikel Brauwn, jovem de 24 anos ‘rebatizado’ como Hórus, o deus dos céus na mitologia egípcia, filho Osíris, cuja cabeça de falcão e os olhos representavam o Sol e a Lua.

Há seis anos ele vive da mágica, mas o incentivo familiar começou na adolescência. Após assistir a um vídeo do americano David Blaine, Hórus arriscou alguns truques em casa, até que uma tia de Maceió o convidou para se apresentar durante seu aniversário. Foi o instante em que a coisa ficou séria, a ponto de fazer cursos on-line, participar de oficinas e congressos em outros Estados e países. “O Festival tem esse objetivo: promover o intercâmbio, compartilhar experiências. Começamos como um encontro do grupo e logo sentimos necessidade de avaliarmos nosso nível de apresentação diante do público” – a participação em um festival no Chile, em 2013, serviu para estabelecer contatos e conhecer novas técnicas.

Especialista em manipulação de cartas e moedas, que é a base da mágica, Hikel Brauwn, ou ‘Hórus’, acredita no encanto precoce sentido por crianças. “Toda criança tem apreço pelo sobrenatural, pelo mistério. Com o tempo, ela vai perdendo isso. Mas algo acontece, algo que ela vê, pode retornar com isso, mesmo na idade adulta. Comigo foi com esse vídeo que vi. A reação das pessoas com os números de Blaine me chamaram a atenção”. Ele utiliza material portátil, o que facilita o transporte para cidades distantes, como Carnaubais, onde se apresentou em praça pública. “Depende muito da estrutura do local e do tipo de evento, mas o cachê de um mágico pode variar de R$ 200, 00 a R$ 4 mil, nas principais regiões do Brasil”, diz o ilusionista.

Fã do carioca Gustavo Vierini, único brasileiro no Campeonato Mundial de Mágica, na Itália, em 2015, e presença constante em programas televisivos, e do norte-americano Jeff McBride, uma das atrações do XI Fenoma (Festival cearense; o maior do Nordeste), Hórus enaltece a quinta edição do evento potiguar. “No ano passado, conseguimos entrar em um edital público e o festival aconteceu na Casa da Ribeira. Mas este ano demos um salto ao começarmos a trazer gente de outros Estados. Existem oficinas de mágica em Natal, mas ainda estamos no início. Por isso o evento desperta interesse” – a interiorização pode ser medida com a inclusão de Phillipe Danton, de Areia Branca, distante 330 km da capital, na lista de atrações.

Prestes a concluir um curso de teatro, Hórus fala sobre o caráter didático do Festival. “À tarde, às 14h, teremos uma oficina gratuita com Rapha Santa Cruz, de Recife, com uma hora de duração. Ele é um dos grandes nomes da região”. À noite, o espetáculo prevê 01h30 de duração, fracionado entre os nove mágicos. Para Tom Oliver, outro organizador do encontro, que utiliza, o ilusionismo para complementar a renda de professor de inglês, o momento é dos mais favoráveis. “Hoje o Festival tem uma visibilidade bem maior. Em 2013, participamos do Circuito Cultural da Ribeira e temos a expectativa de lotar o teatro, com os 180 lugares vendidos. Não houve seleção, nem haverá competição para ver quem é o melhor. Queremos apenas aproximar o espectador da mágica”.

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