Quinto protesto contra a Copa termina com depredação e 54 detidos

Manifestação começou pacífica, às 18h, na Avenida Paulista, mas houve confusão por volta das 21h30 perto da Estação Butantã do Metrô

Grupo foi cercado e detido dentro da estação Butantã. Foto: Divulgação
Grupo foi cercado e detido dentro da estação Butantã. Foto: Divulgação

Sob chuva constante, terminou em confronto na noite desta terça-feirao 5.º ato contra a Copa do Mundo, em São Paulo. A manifestação começou pacífica, às 18h, na Avenida Paulista, na região central, mas houve confusão por volta das 21h30 perto da Estação Butantã do Metrô, na zona oeste da capital. Segundo a Polícia Militar, 54 manifestantes foram detidos e o acesso à plataforma foi fechado.

O ato já havia chegado ao fim quando a Tropa de Choque teve de agir. No caminho para o metrô, quando a PM não acompanhava mais os manifestantes, três black blocs depredaram agências do Santander e do Bradesco, um orelhão e uma lixeira na Avenida Vital Brasil. Foi quando começou o tumulto.

Os PMs seguiram os manifestantes até a estação, onde o Choque bloqueava a entrada para prendê-los. Um ônibus foi usado para transferi-los para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo o major Genivaldo Antonio, que comandou a operação, entre os detidos havia três menores de idade e uma gestante.

Cerca de mil manifestantes, segundo a PM, participaram do protesto. Apesar do clima de tranquilidade no início, os manifestantes picharam as pilastras do Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde foi realizada a concentração, com a frase “Acorda, Brasil”. Cartazes com os dizeres “Não vai ter Copa” foram afixados. O tema da manifestação foi a saúde pública.

Por volta das 19h, começaram a chegar manifestantes mascarados, aos gritos de “Nós somos o povo, poder para o povo”. Além das faixas, havia bandeiras de movimentos como Território Livre, Juntos, Frente Popular da Saúde e de partidos como PCR e PSTU, além das coloridas da comunidade LGBT. Na concentração, manifestantes queimaram uma bandeira do Brasil.

Desta vez, os policiais não formaram cordões para isolar a multidão – eles se dividiram em dois grupos, à frente e ao fim da passeata. A mudança na estratégia da PM fez com que os manifestantes conseguissem circular com mais facilidade, bloqueando a passagem de carros. De acordo com a PM, eram 1 mil soldados no ato.

O funcionário público Felipe Dacar, de 28 anos, participou pela primeira vez de um ato contra a Copa. Dacar saiu do trabalho e foi sozinho. “A Copa está chegando e precisamos mostrar para as pessoas o que ela significa. Deveria ser uma Copa para o País, e não é. Precisamos cobrar o governo sobre o gasto absurdo com o evento, enquanto a saúde continua sendo um problema crônico.”

Questionado se assistiria aos jogos, Dacar respondeu: “Depende”. “Se tiver manifestação durante um jogo, vou à manifestação. Se não, vou assistir.” E vai torcer para o Brasil? “Sim, mas sem esperança.”

Passeata

Depois de seguir pela Avenida Paulista em direção à Rua da Consolação, o grupo seguiu pela Avenida Rebouças, onde por volta das 21h passageiros nos pontos de ônibus gritavam para que os manifestantes liberassem o corredor – todas as pistas rumo à Marginal do Pinheiros foram bloqueadas.

Foi só na Avenida Francisco Morato que começou o clima de tensão, quando duas bombas foram lançadas. Os policiais, no entanto, não reagiram.

Nesta terça-feira, 15, o grupo decidiu realizar o próximo para o dia 29.

Fonte: Estadão

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