Raça Negra e feijoada: o Brasil no início da carreira de Cavani

Capitão do primeiro time profissional em que o atacante atuou conta bastidores da ascensão meteórica do uruguaio até se tornar o sétimo jogador mais caro da história

Cavani foi o vice-artilheiro do Campeonato Francês, vencido pelo PSG, com 16 gols. Foto: Divulgação
Cavani foi o vice-artilheiro do Campeonato Francês, vencido pelo PSG, com 16 gols. Foto: Divulgação

Principal esperança de gols do Uruguai na Copa após a operação no joelho esquerdo de Luis Suárez, Edinson Cavani já teve o hábito de saborear um churrasco escutando pagode. Na voz de Luiz Carlos do Raça Negra, grupo pioneiro no estilo carregado de romantismo que atingiu seu auge na década de 90. Dá para imaginar a cena com um dos melhores atacantes do mundo na atualidade e sétima contratação mais cara da história do futebol (64 milhões de euros pagos pelo Paris Saint-Germain ao Napoli em 2013)? O relato parece miragem, mas não é.

Quem conta a passagem é Jadson Viera, zagueiro brasileiro do Danubio (URU) que foi testemunha ocular do surgimento de Cavani da base para os profissionais do clube. Eles conviveram no elenco na temporada 2006/2007. A música ditava o ritmo dos encontros de amigos em que o camisa 21 do Uruguai comparecia na maioria das vezes ao lado do irmão mais velho Walter Guglielmone, ex-atacante que também atuou pela equipe “de la franja”.

“Quando nós fazíamos um churrasquinho aqui em casa ele não parava de comer, principalmente quando tinha um cordeirinho. Todo mundo brincava por causa disso, mas ele não dava bola, seguia comendo e ouvindo pagode. Pelo grupo ter jogadores que nasceram em cidades da fronteira com o Brasil, ouvíamos Raça Negra, Zeca Pagodinho, Revelação. Ele ainda deve escutar um pagodinho, porque por mais que tenha adquirido novos gostos na Europa, não dá para se esquecer das suas raízes”, disse o defensor, antes de apontar outro costume da cultura brasileira em que o craque já se aventurou.

“Também organizávamos feijoada uma vez por semana para desfrutar da amizade que nós tínhamos”.

Jadson é natural de Santana do Livramento, município gaúcho que faz divisa com o Uruguai, onde também foi revelado pelo Danubio, em Montevidéu. Com 32 anos, ele acumula passagem pelo Vasco entre 2010 e 2011, mas consolidou-se como capitão do Danubio, com o qual acabou de se sagrar campeão uruguaio – a quarta conquista do clube em 82 anos de existência.

A taça não vinha desde a jornada 2006/2007. Já com o Danubio liderado por Jadson, Cavani participou da campanha campeã do Apertura de 2006 aos 19 anos e marcou o gol que selou a vitória por 4 a 1 e o título sobre o Peñarol, episódio que ficou conhecido como Centenariazo, no histórico estádio. Os aurinegros também tinham chance de erguer o troféu. No ano seguinte, o centroavante foi vendido ao Palermo (ITA), de onde passou para o Napoli antes de chegar à França.

“Ele jogava mais dentro da área quando começou, mas quando saía já mostrava uma velocidade impressionante. Agora ele vive um grande momento, melhorou bastante, principalmente os gols de falta. Dá para ver pela pegada na bola. Ele saiu daqui com muitos sonhos e hoje é um centroavante temido por qualquer zagueiro”.

Vai dar pagode na Copa, a partir das 16h deste sábado contra a Costa Rica, no Castelão?

Confira um bate-bola com Jadson Viera

Como era enfrentar o Cavani nos treinos?

Pela juventude, não era esse jogador completo que é hoje em dia, mas dava para se ver que seria um grande centoravante pelas grandes condições que tinha.

De que maneira ele se comportava nos bastidores?

Bastante extrovertido, dávamos muitas risadas juntos. Não era de ficar calado, gostava de dar opinião. Não era apenas um jogador só dentro de campo, mas já demonstrava que sabia se posicionar fora também.

Desde cedo ele mostrava uma postura diferenciada, então?

Dava para ver muito pela maneira de falar que ele já estava preparado e bem centrado para a fama que estava para chegar. Ele tinha uma boa elaboração das ideias e sempre dava as suas opiniões sobre os jogos com consistência, não falava por falar.

Cavani se mostra muito ligado ao Danubio ainda?

Ele sempre está ligado. O Danubio o colocou como sócio-vitalício do clube. Embora ele esteja sempre fora do país, viajando, com certeza ele acompanha e torce, porque nós nunca esquecemos do time da onde saímos.

Além de ouvir pagode, ele também dançava?

Era um pouco duro, mas conseguia se virar (risos).

Quem era o principal amigo dele no elenco?

Gargano e Stuani, que também estão na seleção, estavam sempre juntos dele, conversando e brincando. Nós, os mais velhos, ficávamos mais no baralho, e eles, os mais jovens, escolhiam mais computador e video-game para passar o tempo na concentração.

Nascido no Brasil e radicado no Uruguai, você vai torcer por quem na Copa?

Eu torço para o Uruguai, porque eu cheguei aqui com 14 anos, foi o país que me acolheu, conheci a minha esposa, meus filhos são uruguaios e também conheço muitos jogadores da seleção. O povo daqui, com quem eu convivo, tem de estar feliz. Mas eu sempre torço para o Brasil quando não joga o Uruguai.

NÚMEROS E CARREIRA DE CAVANI

Danubio (2006/2007)
Jogos: 24
Gols: 12
Títulos: Uruguaio 2006/2007

Palermo (2007/2010)
Jogos: 116
Gols: 37

Napoli (2010/2013)
Jogos: 138
Gols: 104
Títulos: Copa Itália 2011/2012

Paris Saint-Germain (2013/2014)
Jogos: 43
Gols: 25
Títulos: Francês 2013/2014, Copa Francesa da Liga 2013/2014 e Supercopa da França 2013

Seleção do Uruguai
Jogos: 62
Gols: 21
Títulos: Copa América de 2011

Fonte: Lancenet

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