Racismo

Racista é recalcado de raiz. É um medroso oculto nos seus próprios traumas e suas emboscadas purulentas. Nunca põe a…

Racista é recalcado de raiz. É um medroso oculto nos seus próprios traumas e suas emboscadas purulentas. Nunca põe a cara ao aplicar seus golpes sujos e tem na multidão ou penumbra, a máscara invisível da Ku Klux Klan, organização nefasta pela supremacia branca e responsável por terrorismo e morte nos Estados Unidos. Até a intervenção do FBI conter enforcamentos tinturando de sangue e vergonha as madrugadas impunes.

Confesso: vejo e revejo 100, 200 vezes a cena em que o magistral Gene Hackman com seu sorrisinho escroque barbariza o assistente de delegado criminoso e um dos autores do triplo assassinato de ativistas sociais retratado no filme Mississipi em Chamas. Hackman dá show como o agente casca-grossa enquanto o seu chefe polido e político, interpretado por William Dafoe, é ridicularizado pelos preconceituosos.

O racismo está no centro dos debates no futebol, onde já não existem tantos negros em campo como no tempo da democrática dominação afro-sambista dos pobres, hábeis e consentidos pela atração resultando em bilheterias empanturradas. O racismo que está no meio de nós, era até pior.

Clubes formados pela aristocracia proibiam boleiros “de cor” jogando ou frequentando suas sedes suntuosas. Regra quebrada no Rio de Janeiro pelo Vasco, nos idos em que podia ser chamado de referência futebolística.

O inaceitável no futebol atingiu o goleiro Dida, do América de Natal. Chamado de macaco por algum crápula após o jogo contra o Alecrim. Dida, um sujeito com certa tendência ao sofrimento, foi injustamente perseguido ao tomar um frango na decisão estadual do ano passado e se redimiu, protestou e deve merecer do clube, apoio judicial para cobrar uma investigação minuciosa sobre o caso.

O comodismo geral ajuda ao racista. Que nada difere do vândalo. Ambos se arrastam ao peso do caráter apodrecido. O preconceituoso é cínico, o arruaceiro é escrachado, leva porrada (merecida) da polícia e está pronto e de lombo inchado para a próxima baderna e consequente pancada de bastão de ipê. O vândalo aqui e acolá é punido. Existem vários vegetando no jardim apropriado: uma cela imunda e superlotada de presídio ou delegacia.

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Concordemos, o pilatismo nosso estimula o racismo. Ora, quem vai identificar um racista no estádio? A Polícia, que dispõe de homens e mulheres competentes para investigar qualquer crime. Entreguem um caso como o do goleiro Dida à delegada Sheyla Freitas, por exemplo. Sheyla resolve e sem precisar de salamaleques.

Sheyla é do time da polícia vocacionada, onde também joga o discreto e eficiente Inácio Rodrigues, lá de Pau dos Ferros. Podem apostar que Sheyla e Inácio não amenizariam pra racista do jeito que não amaciam pra seqüestrador, assassino e traficante.

A lei sobre o crime de racismo é uma das mais rebuscadas do Código Penal, gera dubiedade de interpretação, se enreda na teia da injúria. Vou parando porque direito do meu conhecimento somente o do meu pé, frustrante quando tentava se entender com uma bola nas peladas de rua. Nas quais jogavam geniais pretinhos dribladores. Seria demais chamar o falecido Careca, lá das areias canguleiras das Rocas, de afrodescendente, imposição pra lá de segregadora.

No dia em que for preso racista de arquibancada, ele (ou ela) virá com a farsa psicológica da própria vitimização. Sua fúria de touro manso terá sido pelo chifre levado em casa, pelo berro ululante do patrão intragável, pela inveja do carro mais novo comprado pelo vizinho. Ao escroque, tudo em rigor, nunca a tolerância diante de um crime.

Crime que a nossa banalidade disfarça, igual a quem olha espantado para a mulher loira do negro Tinga, outra vítima recente, também chamado de macaco. O que existe de pejorativo em um macaco? Animal brincalhão, circense e malandro? O macaco é a antítese do ódio racista que ataca gente e bicho. Racista acumula função: também é ignorante, mentecapto. Hitlerista inconsciente.

Olhemos nós para o espelho do quarto. O racismo, preconceito ou discriminação camuflados estão na empregada doméstica vestida feito mucama da escravatura, para entender qual é o seu lugar, no sorriso zombeteiro ao homem que manca doente, no sistema de cotas que deveria privilegiar a menor renda e não formalizar o ranço pela cor. No elevador, social e de serviço.

Nunca esquecer a frase pusilânime do elogio hipócrita: “Fulano é gente boa. Pense num preto de alma branca!”. Antes de abotoar a camisa, lembre que ninguém escapará de onde não há racismo nem pela força das ditaduras. No cemitério, todos são iguais. Nem há raça ou posição social. É tudo horizontal. Lá embaixo.

 

Globo da vez

O Globo está na Copa do Nordeste de 2015 com todo o merecimento. Um clube que se reconstruiu sabendo fazer cada hora, sem dar um passo precipitado. Ganhou o primeiro turno e conquistou seu espaço na competição regional que garante boas rendas e prestígio.

 

Higor

Baixinho, gordinho, simplório, o técnico Hígor César simboliza a conquista do Globo. Jamais seria lembrado por algum dos grandes de Natal. O olho clínico do empresário Marconi Barreto enxergou sua capacidade. Higor é o novo astro de Ceará-Mirim.

 

Segundo turno

O segundo turno vai ferver. Graças ao Globo, que tirou uma vaga tida como de ABC ou América, segundo os mais variados prognósticos. O fato é que será briga feroz pela presença na decisão. O Globo assiste. ABC, América e Alecrim vão ter de rebolar.

 

Semifinal

O América pisou no freio no jogo contra o Corintians de Caícó, testemunhado por umas 200 pessoas na Arena das Dunas. Fabinho, tão brilhante como regra, foi bobo na exceção. Expulso, abriu espaço para o Corintians quase empatar a pelada em slow motion.

 

Alecrim

Esperanças criadas, fé reacesa, a praia ficou na miragem. O Verdão não conseguiu ganhar dependendo apenas dele.

 

Há 40 anos, jogaço

O América estreava no Campeonato Brasileiro de 1974 em 10 de março de 1974, empatando (1×1) com o Avaí, no Castelão (Machadão), para um público de 11.431 torcedores. Garcia fez 1×0 para o América e um jovem camisa 10, magrinho, empatou para os catarinenses: Zenon, futuro craque do Guarani, Corinthians e seleção brasileira.

 

Times

América: Ubirajara; Ivã Silva, Scala, Mário Braga e Cosme; Afonsinho, Garcia e Washington; Ronaldinho (Almir), Pedrada e Davi (Santa Cruz). Avaí: Rubens, Sousa, Jairo, Vilela e Crivaldo; Rogério, Zenon e Balduíno; Paulo Roberto (Veneza), Toninho (Carlos Roberto) e João Carlos.

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