Radioastrônomo amador brasileiro trabalhou para a NASA do quintal da sua casa

Em 2012, Tulio observou um ponto branco no céu e ficou sabendo da AMAS

A NASA possui um programa de radioastrônomos amadores e distribui equipamentos para pessoas em partes do mundo que podem ser úteis para suas pesquisas. Foto: Divulgação
A NASA possui um programa de radioastrônomos amadores e distribui equipamentos para pessoas em partes do mundo que podem ser úteis para suas pesquisas. Foto: Divulgação

Tulio Baars é um jovem catarinense de 17 anos, mas já tem um grande feito em sua vida: ele contribuiu em uma pesquisa da NASA. E, graças à sua ajuda, a agência espacial norte-americana conseguiu mapear que a radiação cósmica sobre o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é 61% maior do que em outros 39 pontos do planeta.

A NASA possui um programa de radioastrônomos amadores e distribui equipamentos para pessoas em partes do mundo que podem ser úteis para suas pesquisas. No caso de Tulio, ele morava em uma cidade que fica abaixo de uma alteração chamada Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), onde a parte mais interna do cinturão de Van Allen tem a sua maior aproximação com a superfície da Terra. Essa proximidade faz com que essa área receba a maior incidência de radioatividade.

A AMAS já era conhecida, mas não com muitos detalhes. Já sabia-se que a incidência de ratioatividade na região da América do Sul é bem maior do que em outras áreas do planeta, e isso faz com que o telescópio Hubble, da NASA, seja desligado sempre que sua órbita passar por aqui, para não correr o risco de ser queimado durante a sua operação.

Em 2012, Tulio observou um ponto branco no céu e ficou sabendo da AMAS e da questão do desligamento do telescópio Hubble. Ele então candidatou-se ao programa de radioastrônomos amadores da NASA e foi aceito. Com isso, recebeu inicialmente três equipamentos: um receptor, uma antena e um radiotelescópio. Junto com eles veio um outro aparelho do Energetic Ray Global Observatory que é único no Brasil – um detector de múons para medir a radiação que chega até o solo.

Depois de um árduo trabalho montando todos os equipamentos em um laboratório improvisado na sua casa, ele chamou seu projeto de Programa Alexa e monitorou os dados por quase um ano e os enviou para a NASA, que conseguiu assim quão maior a incidência de radiação é na região da AMAS. O próximo passo na vida de Baars é passar no vestibular – ele quer estudar física. Se conseguir, pretende levar todo o seu laboratório para Florianópolis para seguir com esses estudos e ver se essa diferença de 61% tem alguma outra consequência direta nas nossas vidas. 

 

Fonte: Gizmodo Brasil

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