Rastafeeling abre temporada de verão 2013
“Ao mesmo tempo que vejo pessoas que adoram ir aos nossos shows para fechar os olhos e deixar nossa música os conduzir para um lugar no seu próprio interior que eles mesmos desconhecem, também vejo pessoas indo aos nossos shows só porque “ouviu dizer” que dá muita gente ou porque, de certa forma, o reggae está virando moda… enfim… são vários motivos, cada um com o seu. Mas, prefiro acreditar que independente do motivo que os conduzem a “consumir” nosso som aqui em Natal, todos têm um objetivo em comum: a valorização da cultura potiguar”, declarou o vocalista da banda Rastafeeling, Allan Negão.
E nesta sexta-feira, dia 4, a partir das 22h, no Castelo Pub que fica na Rota do Sol, em frente ao estádio do ABC, a banda Rastafeeling faz o show de abertura do verão e promete atingir altas temperaturas com as melhores canções do grupo, sem deixar de tocar os principais sucessos do reggae nacional e internacional.
O JORNAL DE HOJE entrevistou o vocalista da banda Rastafeeling, Allan Negão, que falou sobre o novo repertório, o reggae, o cenário musical potiguar, projetos, carreira nacional, entre outros.
O JORNAL DE HOJE – O que vocês prepararam para este verão?
Allan Negão – Passamos os últimos quinze dias do mês de dezembro concluindo o processo de reformulação do novo repertório da banda para os shows durante o primeiro bimestre de 2013. Novas músicas autorais entraram no repertório assim como interpretações de clássicos já conhecidos no cenário reggae mundial.
O JORNAL DE HOJE – Rastafeeling é uma banda potiguar que já conquistou um público cativo. O que representa isso para você?
Allan Negão – Para nós do Rastafeeling, o público representa muito mais do que aquele povo que fica cantando, gritando e dançando na frente do palco. Nosso público é nossa maior força! Nosso incentivo, nossa motivação! Sem dúvidas, o público é nossa maior conquista como profissionais da música. Com a mídia brasileira exercendo seu poder espantoso de imposição musical em rádios, TVs e outros veículos de comunicação, nos sentimos honrados em conquistar a confiança e merecer o apoio de tantas pessoas que manifestam seu carinho pelo nosso trabalho, pelas nossas mensagens, pelas nossas músicas.
O JORNAL DE HOJE – O que lhe motivou a se dedicar ao reggae?
Allan Negão – Me dedico ao reggae cultura já há doze anos. A música reggae é muito rica, maravilhosa! Nela encontrei um ritmo envolvente, de gingado malicioso, sabe? Contagia sem você se dar conta. Sem contar o prazer que me dá ouvir letras de conteúdo capazes de fazer qualquer um que “ouça com o coração” refletir sobre vários aspectos que só acrescentam à minha alma e ajudam transformar minha vida de uma forma positiva! Como dizia Bob Marley: O reggae não é pra ser ouvido. O reggae é pra ser sentido! Quem não o sente não o conhece.
O JORNAL DE HOJE – Aliás, é um movimento que a cada dia que passa cresce na capital potiguar. Na sua opinião, o que motiva esse crescimento?
Allan Negão – Aqui em Natal, o reggae vive hoje um momento de expansão maravilhoso! Trabalhamos muito duro para transformar essa meta em realidade. Vejo constantemente mais e mais pessoas querendo conhecer, ouvir e entender essa cultura. O princípio fundamental dessa expansão é a curiosidade e, por parte, a moda. Ao mesmo tempo que vejo pessoas que adoram ir aos nossos shows para fechar os olhos e deixar nossa música os conduzir para um lugar no seu próprio interior que eles mesmos desconhecem, também vejo pessoas indo aos nossos shows só porque “ouviu dizer” que dá muita gente ou porque, de certa forma, o reggae está virando moda… enfim… são vários motivos, cada um com o seu. Mas, prefiro acreditar que independente do motivo que os conduzem a “consumir” nosso som aqui em Natal, todos têm um objetivo em comum: a valorização da cultura potiguar!
O JORNAL DE HOJE – Vocês têm plano para trilhar uma carreira nacional?
Allan Negão – Com certeza, temos planos de trilhar carreira nacional e todo o trabalho que executamos tem essa meta como objetivo final. O nosso DVD, lançado em agosto de 2012 já está atingindo a marca de oito mil exemplares vendidos no mercado formal! No informal, esse número com certeza triplica graças às vantagens dos downloads pela internet e a ajuda fundamental dos “pirateiros” (que hoje são os maiores responsáveis pela divulgação de um artista). Já temos convites e parcerias fechadas para shows no sudeste e sul do Brasil para 2013.
O JORNAL DE HOJE – E, fale sobre o projeto “Conexão Reggae Brasil”?
Allan Negão – Em fevereiro, começaremos o projeto “Conexão Reggae Brasil”, onde a cada bimestre traremos à Natal uma banda brasileira com grande qualidade musical mas que ainda não ocupa local de destaque expressivo na cena reggae nacional. A primeira convidada é a banda “Veja Luz”(SP), que fez sua primeira turnê nacional no final de 2012 e recebeu diversos elogios pelas mais de 10 cidades por onde passaram. Esse projeto terá como objetivo principal tirar o “modismo” do foco dos regueiros. Será uma maneira de incentivar o público à buscar e conhecer novos nomes da música reggae do país, além de ajudar no processo de divulgação do gênero para que este sempre apresente novidades boas para o público. A contrapartida é que cada banda convidada também firma o convite e a parceria conosco em sua cidade de origem.
O JORNAL DE HOJE – Allan você é o vocalista. Fale um pouco sobre os outros integrantes da banda?
Allan Negão – Em 2013 completaremos 9 anos de estrada e hoje vejo que o Rastafeeling é muito mais do que uma banda… é uma família. Tenho o prazer de contar com amigos que são músicos! Nossa ligação vai muito além da profissão. Nos teclados, conto com Max Coelho que é um dos melhores tecladistas do estilo em nosso estado. Michael William é nosso guitarrista e faz parte da banda desde o seu segundo ano de existência. Jonathas Rodrigo “Grooveman” é meu parceiro de longa data e o baixista do Rasta. Musicalmente ele acrescenta muito em nosso trabalho. Renan Amantéa é o baterista e membro mais jovem da banda, mas, apesar de novo, já tocou em outras bandas de reggae na cidade e tem uma pegada na batera que faz a diferença na hora do show. O reforço vocal do grupo veio com a chegada de Marinna Rodrigues. Cantora excelente que agrega todo seu talento e desenvoltura no palco ao trabalho da banda. Nos metais, Rastafeeling conta com o trio mais instigado de Natal: Gabriel Oliveira, Emerson Carpegianne e o maestro Gilberto Cabral. Todas essas pessoas especiais são motivo de muito orgulho para mim e, com certeza, para toda massa regueira da nossa cidade… (risos).
O JORNAL DE HOJE – E, qual é a proposta de trabalho do Rastafeeling?
Allan Negão – Nossa proposta é fazer um reggae livre de rótulos! Nem “roots” nem “pop”: só reggae. Queremos protestar nas letras, mas, também queremos falar de amor. Queremos manter a tradição no ritmo, mas, também queremos inovação. Enfim, a gente quer o reggae jamaicano com influência brasileira e swing nordestino. E se for pra rotular chame de REGGAE POTIGUAR!
O JORNAL DE HOJE – Quais são os seus projetos para 2013?
Allan Negão – Temos vários planos (principalmente agora que começou um novo ano…) (risos). O principal continua sendo a divulgação nacional do nosso trabalho mas, paralelo a isso, citarei dois projetos pelos quais tenho muito carinho e trabalharei incansavelmente: o primeiro é transformar nossa Cidade do Sol em uma referência brasileira do gênero no nordeste para que bandas de outros estados e outros países sintam a necessidade de trazer seus shows para cá (e pelo que vejo, já estamos conseguindo). Seria muito egoísmo da nossa parte fazer as malas agora e partir daqui sem solidificar a cultura reggae na terra onde tudo começou pra gente. O outro passo é levar a música reggae ao interior do Rio Grande do Norte, assim como para toda a costa do nosso litoral, para que a cena reggae não limite-se apenas à capital. Já fizemos shows em Currais Novos, Mossoró, Tibau, Caiçara do Norte, Galinhos, Touros, Areia Branca, Pipa, São Miguel do Gostoso e sempre fomos bem recebidos pelo público, o que nos motiva a expandir o estilo pelo estado. É um trabalho difícil? Sim. Impossível? Não. Toda caminhada, por mais longa que seja, começa com o primeiro passo. Quero poder fazer algo expressivo e positivo pela música na minha terra!


