Reencontro

O reencontro é a esperança consentida pela saudade. É a chama de alegria reacesa. É a sensação de estar presente…

O reencontro é a esperança consentida pela saudade. É a chama de alegria reacesa. É a sensação de estar presente no tempo que a modernidade levou no concreto destruído e jamais abalará as estruturas de suas pilastras sentimentais.

Estava  precisando da tarde agradável com quatro dos campeões pelo ABC em 1983, desculpem-me a franqueza, o melhor time que vi jogar no Castelão (Machadão).

Um bar simples, o mar fazendo a segurança de paisagem serena. Eu e meus ídolos do tempo em que contava migalha, abria  cofres atrás de moedas para tomar ônibus e ver seus treinos.

Acordava na segunda-feira pensando em vê-los aos domingos, desfilando na passarela de Lagoa Nova em bons tempos de Mangueira com Jamelão cantando em sua voz rouca e vascaína.

O pretexto para reunir a turma foi a visita do ex-quarto-zagueiro Alexandre Mineiro, eleito o melhor do século em 2001, na eleição promovida pelo Jornal Tribuna do Norte e o maior da história do Castelão(Machadão) em seleção dos leitores da coluna Passe Livre.

O articulador foi o advogado, pesquisador e historiador alvinegro Leonardo Guerra Maranhão Bezerra, sobrinho-neto de Djalma Maranhão, filho de Ronaldo e Margarida. Leonardo é uma daquelas figuras em extinção pela bondade e solicitude.

Leonardo localizou Alexandre Mineiro no Rio de Janeiro e vários outros ex-jogadores. Fez campanha para ajudar ao goleiro do timaço de 1983, Lulinha, morto no ano passado em decorrência de problemas pulmonares.

Cheguei trazendo comigo o maestro Danilo Menezes, o meia-armador do século do ABC. Danilo Menezes é referência de estilo clássico e de caráter. É bem recebido em qualquer ambiente de abecedistas e americanos civilizados. Danilo Menezes paira com sua elegância sobre o tempo e os homens.

Tive uma daquelas surpresas de infância. Estavam lá Marinho Apolônio, o camisa 10, Dedé de Dora, o cerebral número 8, o xerife Joel Celestino e o visitante Alexandre Mineiro, mantendo o porte elegante das tardes em que comandava a defesa como líbero prático.

O ex-presidente Judas Tadeu Gurgel apareceu e relembrou casos dos seus tempos de torcedor pendurado nas árvores que cercavam o velho Estádio Juvenal Lamartine.

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E tome papo. Marinho Apolônio contando sobre as tabelinhas com Silva e as triangulações entre os dois e Dedé de Dora, fatais para qualquer adversário. Aquela máquina fez 114 gols, marca imbatível até hoje.  Joel detalhava a tensão da véspera dos clássicos. contra o América. e a qualidade do adversário.

Torcedores de minha geração pediam autógrafos, batiam fotografias, puxavam assunto. Sempre bem atendidos. A diferença. Todos exaltaram a qualidade do adversário, o timaço que o América tinha, do goleiro Rafael ao ponta-esquerda Severinho.

Aquele ABC me fez parar, olhar para o mar e cair no imaginário da cidade dos meus 13 anos. De minhas idas ao Palácio dos Esportes para ver Dennis fazer jogadas geniais no futebol de salão , Sílvio do América chutar feito um torpedeiro e o goleiro Nilson Barrote arremessar deixando os pivôs prontos para marcar.

Aquela tarde me fez estar outra vez no Cinema Rio Grande e esperar pelo Canal 100, os cinco minutos mágicos que antecediam o filme e que valiam mais que a atração anunciada como principal.

Depois, comer uma cartola na Casa da Maçã. Comprar tênis na Loja do Atleta e andar de escada rolante nas Lojas Brasileiras. Observar a imponência do Hotel Ducal, nosso primeiro arrancha-céu. Tudo no Centro de Natal, hoje caminhando para o fantasmagórico.

Refiz o passeio, de carro, imaginando papai dirigindo e a família inteira apertada na velha Marajó, pela orla marítima, observando o formigueiro humano, os biquínis que hoje seriam considerados calçolões e o movimento dos pescadores chegando para a pesagem no Pâmpano Esporte Clube em sua sede na Praia do Meio. O Hotel dos Reis Magos  ainda charmoso e florido.

O reencontro fluía. Marinho Apolônio provocava Danilo Menezes lembrando as vitórias do América com seus gols sempre no final das partidas no Campeonato de 1977. Danilo apenas ria e devolvia citando o ano seguinte, quando o título ficou nas mãos do ABC.

Por unanimidade, os quatro remanescentes do time de 1983, mais o mestre Danilo Menezes condenaram o trabalho feito nas escolinhas, a perda do brilho individual do jogador brasileiro, categoria que sobrava num drible de Marinho, num passe de Dedé de Dora, numa antecipação sóbria de Alexandre Mineiro.

E foi de Alexandre Mineiro a pergunta que resumiu o papo desarmado de rancores ou preocupações com os problemas do mundo. Ele simplesmente resumiu a triste ópera do futebol brasileiro com a pergunta:

– Quem é o ídolo do ABC, do América? Onde estão os ídolos?
Depois de um silêncio constrangedor, eu mesmo respondi:

– Os ídolos estão aqui, os ídolos são vocês, inesquecíveis há 30 anos.
A vida se renova em reencontros inesperados. Que venha o próximo e sem agenda. Ali estava a representação de um time que cumpria os quesitos principais de uma escola de samba: enredo, samba-enredo, bateria, evolução, harmonia e conjunto. E a Velha Guarda para emocionar.

 

Controle nas contratações
Uma reunião, da qual participaram o presidente em exercício do ABC, José Wilson Gomes Neto e o executivo Rogério Marinho definiu que não se contrata mais por enquanto. O número de gente chegando assustou.
 
Experiências
O técnico Roberto Fernandes age bem ao transformar a Copa RN num laboratório, testando  jogadores e poupando  cobras criadas. É um torneio que não anima e é bom saber logo se essa enxurrada vai servir.

Jogo tranquilo
ABC e Alecrim sempre foi  jogo tranquilo. Em 36 anos acompanhando futebol(desde os sete), não recordo de uma briga no clássico. Hoje à noite, todos em paz e que os jogadores retribuam o público jogando ao menos 20% do que se convém chamar futebol.

Gustavo avalia Padang
Na entrevista aos  jornalistas Marcos Lopes e Camila Dantas no Arena da TV Ponta Negra, o novo presidente do América, Gustavo Carvalho deu nota  “de oito para cima”a administração do seu antecessor, Alex Padang.  O América está mais entrosado há muito tempo em seus bastidores.

Isac
A volta de Isac é um presente para a torcida americana. É um goleador pronto, feito, sem qualquer margem de dúvidas.É melhor dar o tiro de sniper, único e certeiro, do que perder munição à toa.

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