Reforma do Reis Magos sem data para começar obras de revitalização

Na Semurb consta apenas pedido para demolição

“Após análises do que poderia ser feito com a estrutura abandonada do hotel, chegamos à  conclusão de que a importância histórica do prédio deveria ser mantida” José Pedrosa
“Após análises do que poderia ser feito com a estrutura abandonada do hotel, chegamos à
conclusão de que a importância histórica do prédio deveria ser mantida”
José Pedrosa

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

 

Ainda não se sabe quando será possível ver as obras de revitalização do Hotel Reis Magos, na Praia do Meio, iniciadas. Apesar de confirmada e com recursos na ordem de R$ 120 milhões assegurados, a reestruturação do imóvel – fechado desde 1995 – só poderá ser iniciada após licenciamento por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). Entretanto, segundo informações da assessoria do órgão, até o momento só consta no protocolo da entidade um pedido de demolição registrado no dia 1º de agosto.

A informação da assessoria de imprensa da Semurb foi repassada conforme consta o processo número 037326/2014-16, que requer instruções normativas e solicitação de demolição, Assinatura de Responsabilidade Técnica (ART), entre outros quesitos. O processo foi despachado à equipe de campo da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo no dia 11 de agosto para realização de vistoria do imóvel.

O processo não deixa especificado se a demolição do espaço em questão será parcial ou total. Entretanto, o engenheiro José Pedrosa de Oliveira, dono do grupo Hotéis Pernambuco S/A – o qual pertence o Reis Magos – chegou a esclarecer em entrevista a O Jornal de Hoje que não haverá demolição. Segundo ele, as ruínas do antigo Hotel Reis Magos darão lugar a uma nova estrutura de hotel de luxo.

“Após diversas análises do que poderia ser feito com a estrutura abandonada do hotel, chegamos à conclusão de que a importância histórica do prédio deveria ser mantida. O Hotel está muito estragado, sem condições de recuperação por completo, mas iremos reerguê-lo”, disse, em reportagem publicada no dia 11 de abril.

Para que o prédio seja completamente licenciado, também se faz necessária avaliação e vistoria por parte do Corpo de Bombeiros e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RN). O Jornal de Hoje tentou escutar o engenheiro Arthur Percínio, responsável pelo projeto de reestruturação, sobre o que ainda está pendente para o início da obra, fora a vistoria por parte da Semurb. Até o fechamento desta edição, a reportagem não obteve retorno de Arthur.

O titular da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde), Fernando Bezerril, afirmou que o grupo Hotéis Pernambuco S/A está cumprindo com a burocracia prevista para iniciar as obras. “O engenheiro Arthur Percínio está vendo todas as documentações e renovação das certidões sobre o projeto, de modo a manter as linhas arquitetônicas. Está sendo estudada a forma mais viável para aproveitar a estrutura”, declarou Bezerril.

No projeto, o novo Hotel Reis Magos terá 297 apartamentos, lojas, edifício garagem para 500 carros e um centro de convenções. A estimativa é que sejam gastos R$ 120 milhões em recursos próprios do grupo hoteleiro. A entrada no Hotel, que antes de ser fechado era feita pela orla da Praia do Meio, na Avenida Presidente Café Filho, passará a ser realizada, quando inaugurado, pela Avenida 25 de Dezembro.

O grupo Hotéis Pernambuco S.A. cogitou trabalhar um projeto de construir um shopping ou centro comercial, ao invés de reinserir o Hotel Reis Magos na atividade hoteleira da capital potiguar. No entanto, o Ministério Público entrou na Justiça para impedir a possível demolição. O MP alegou que a demolição do Hotel poderia significar a perda irreversível de importante marco histórico e arquitetônico de Natal e de relevante elemento de identidade cultural da sociedade.

Compartilhar: