Reginaldo Rossi inspira GACC-RN na realização de tributo nesta sexta

Festa anual começou como confraternização de funcionários e colaboradores e virou evento de sucesso, com ingressos a partir de R$ 30,00

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Na edição do último dia 20 de dezembro, horas após a morte de Reginaldo Rossi, eu folheava este O Jornal de Hoje quando vi a coluna de Rubens Lemos. “Borogodá”, estampava o título de mais um ótimo texto escrito por um dos craques da casa – juntamente com Alex, dono das melhores palavras esportivas do Estado. “Cheguei atrasado”, pensei de imediato. Sempre quis usar essa expressão com que o Rei do Brega animava seus shows, presente na música “Deixa de Banca”. Rubens falava de um amigo que era a cara do cantor pernambucano. Qualquer desentendimento juvenil, nêgo tascava um “Cala a boca, Borogodá”, então o apelido do coitado. Creio que além da semelhança física, algo da alegria e efusividade de Reginaldo permeava a brincadeira. Passados nove meses do adeus do Sinatra do Recife, a mesma felicidade que ele emanava será aproveitada, na próxima sexta-feira (05) por uma turma que desde os 80s cuida dos seres mais frágeis e singelos da humanidade. Com a realização do 8º Brega Solidário, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC-RN) prestará homenagem ao rei com um tributo intitulado “Pra matar a tristeza”. A festa será em Gilson Buffet, a partir das 21 horas, e alude aos 25 anos da instituição.

Mais que o evento anual realizado para angariar recursos utilizados na manutenção da entidade, a edição 2014 foi anunciada com uma estrutura caprichada para os convidados – desde a decoração aos sorteios e concursos de fantasias. Criado para confraternizar funcionários, voluntários, colaboradores e simpatizantes, o Brega Solidário cresceu de forma inesperada, o que levou a organização a buscar novo local e proposta artística. Segundo Natividade Passos, coordenadora de Desenvolvimento Institucional do GACC-RN, a transformação de uma mera reunião de colegas de trabalho em um evento aberto ao público e com fins lucrativos foi natural. “A entidade vive de arrecadação de recursos, mas o Brega não surgiu com esse objetivo. Isso foi vislumbrado com o crescimento da festa e, por isso, após o sucesso do ano passado, quando lotamos a AABB, vimos que precisávamos melhorar a qualidade no atendimento ao público”. Eles aguardam cerca de 1500 pessoas com atrações diversas, dentre as quais o ícone José Orlando – ainda tem Rodolfo Amaral, Hélia Braga, Dodora Cardoso, Tony Pan e banda Cafonaite.

Quem conhece o trabalho do GACC-RN sabe que é alta a dose diária de otimismo e dedicação que seus integrantes aplicam contra a implosão dos glóbulos brancos que deixa os pequenos corpos no limite fisiológico – como se fossem um carro mil o tempo todo a 180 km/h. Portanto, a ‘ordem’ na sexta-feira será desacelerar a rotina e mostrar o sorriso de cada funcionário na batalha contra O Imperador de Todos os Males (título de um livraço do médico e escritor Siddhartha Mukherjee, também chamado de Uma Biografia do Câncer). “Temos uma linha de tratar o câncer de forma positiva, apesar do paradoxo dessa afirmação. Muita gente diz que não tem coragem de vir à sede do Grupo, por ser um lugar com crianças com câncer. Mas quem vem se surpreende com a alegria do local”. Natividade diz que um VT com Reginaldo Rossi conclamando a sociedade a ajudar serviu de pedra fundamental para o Tributo. “Tínhamos o sonho de fazer um Brega Solidário com ele cantando, mas infelizmente ele morreu [de câncer no pulmão]”.

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