Do reinado da danação – Vicente Serejo

A política, Senhor Redator, anda como o Diabo gosta. E se ele não se importar, há de piorar daqui pra…

A política, Senhor Redator, anda como o Diabo gosta. E se ele não se importar, há de piorar daqui pra frente. Os demônios cutucam uns aos outros e desse jeito vamos caminhar mais um mês inteiro. Quando nada, e se não houver o segundo turno. A disputa pelo poder foi sempre assim, desde Roma. Uma luta mais dos artifícios profanos do que das artes nascidas do sagrado. Os homens são os mesmos e é louca essa velha mania de poder nesse mundo de sensações e tentações medonhas.

Por esses dias, andei lendo as folhas, apurando nos olhos a malícia do mundo, e fui anotando como são estranhos os tempos de danação. Os filhos prometem tudo quanto os pais nunca fizeram em anos e anos de mandatos, como se fosse tudo muito natural. Os políticos esqueceram a exaustão que, há pouco mais de ano, nas jornadas de junho, explodiu nas ruas. No grito das multidões que saíram sem líderes, sem partidos, sem ideologias, levadas pela revolta e debaixo das barbas dos poderosos.

Há de um tudo e não falta de um nada. Há mãos espalmadas que se dizem limpas, filhas de partidos sujos. E há sujos que de tão sujos parecem limpos com o riso fácil que cobriu a sisudez do feio. Há heróis a favor dos fortes contra os fracos, para não falar no desfile dos falsos martírios, pois de lá virão os santos de araque e suas almas pecadoras. Tudo cabe na política se tudo convém nesse vale de lágrimas de crocodilos, segundo a lei do pântano, onde toda paz mete medo e tudo é noite.

Mas, como viver sem eles, os mágicos e prestidigitadores, os enganadores de toda espécie, se a realidade muitas vezes é insuportável? Como seria viver nos dias mais tristes, quando não canta o sabiá? E as noites, principalmente as longas, esticadas pela insônia, como seria vencê-las, caídos no tédio sem fim? O circo é a salvação, Senhor Redator. A única salvação. Como seria viver sem a triste alegria do palhaço, sem trapezistas voadores, sem as pernas das bailarinas dando um salto mortal?

Teria razão Michel Onfray, pois que há uma sabedoria trágica em tudo, principalmente na arte da política, ele que leu intensamente Nietzsche na sua juventude que não vai tão distante assim? Seria verdade que todo homem tem medo de ser santo e por isso vive como se fosse um demônio? Talvez. O teatro imita a vida, mas nem tanto. Não teria sentido a virtude vencer o pecado. Seria monótono e assustador. Como a terrível negritude dos corvos quando pousam nos trigais luminosos de Van Gogh.

A política é um espetáculo. A sua arte, mesmo diante do tanto de verdade que possa existir no seu mistério como ciência, consiste mais na artimanha de reinventá-la do que na técnica de fazê-la real. A realidade nunca será suficiente para explicar o trágico e o cômico e, às vezes, o grotesco que há em tudo que é política. Talvez a comédia, mais do que a tragédia, desnude melhor o ridículo da política, como querem os grandes críticos. Afinal, há de ter sido para castigá-la que a natureza nos deu o riso.

CUIDADO – I

Os números das últimas pesquisas, pelo jeito, levaram o deputado Henrique Alves a redobrar os afagos à ex-governadora Wilma de Faria. Ele sabe que o descolamento, um do outro, é um campo muito fértil.

MAIS – II

As casamatas dos candidatos monitoram todas as tendências do eleitor norte-rio-grandense em Natal e no interior com pesquisas semanais a partir de agora. Até para sentir como o eleitorado reage e votará.

ATENÇÃO – III

Segundo a astrologia, setembro se apresenta vulnerável aos influxos de Júpiter e do Sol, exigindo um reforço de valores e estruturas. Pela formação dos astros nesta hora, a influência de Vênus não demora.

BOLSA – IV

Um experiente conhecedor da Zona Norte vaticinava ontem, entre uma garfada e outra de um filé bem ao ponto: tem bolsa família do outro lado do Rio. Na área rural de S. Gonçalo que se limita com Natal.

EM… – V

Compensação, não parece tão fácil assim a vida do PT nas áreas mais tradicionais da cidade tipo Tirol e Petrópolis. O jet-set, pelo jeito, não morre de amores pelo governo de Dilma Rousseff, a gerentona.

REAÇÃO – VI

O desagrado não é só uma reação do jet-set natalense. José Dirceu declarou que a grande favorita é na Marina Silva. E explico: ela reúne as mesmas características que Lula reuniu quando eleito presidente.

JURA – VII

Em Mossoró, onde o sol da política nunca se põe, há quem jure de mãos postas que o ex-deputado Carlos Augusto Rosado não se mete em nada dos votos para o Governo e o Senado. Alguém acredita?

GRANA

De Gilberto Carvalho, sombra de Lula nos gabinetes do Palácio do Planalto, na Brasileiros: ‘O critério de eleição de parlamentares cada vez mais é daqueles que têm capacidade de mobilizar recursos’. E é.

VINHO – I

O Instituto do Bem promove dia 18 de setembro, às 20h, no Hotel Majestic, na Av. Roberto Freire, O Vinho do Bem. Uma harmonização do vinho com Finger Food, comidinhas assinadas por Erick Jacquin.

JOSINO – II

O Instituto do Bem promove a doação de órgãos e por isso presta a homenagem à memória de Miquel Josino que hoje faria 49 anos. Diante do grande gesto da família ao autorizar a doação de seus órgãos.

SENHAS – III

Quem desejar participar, as senhas estão à venda na Belezaria (Rua Apodi). O discurso de homenagem a Miguel José será de Marcelo Navarro em nome de todos os amigos de Josino da Confraria do vinho.

AVISO

O dinheiro, em alguns jardins, já não floresce como antes, ainda que os dias de setembro só comecem amanhã anunciando o verão. Por isso começou muito cedo a repescagem. É tempo da velha barganha.

BRILHO

Primorosa a homilia do padre João Medeiros Filho na missa que celebrou, ontem, para as alunas da Turma Manuel Dantas nos cem anos da Escola Doméstica. Foi sua bela lição de profundo humanismo.

LIÇÃO

De Henrique Castriciano na conferência sobre a Educação da Mulher, em 1911, há 103 anos: ‘Para ser grande esse povo só falta educação. Para que se torne eficaz, deve ser distribuída pelos dois sexos’.

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