RELEMBRANDO DRICA…

Feliz daquele qui tem puro meno uma fulêrage do tempo de criança, mode contá! Mais Papai do Céu é tão…

Feliz daquele qui tem puro meno uma fulêrage do tempo de criança, mode contá! Mais Papai do Céu é tão maraviôso prá êsse véio Poeta Matuto Cum Nome de Americano; qui dois purão de navíi inda é pôco, mode guardá nais pratilêra da minha memóra; ais fulêrage do meu tempo de criança; ô qui eu assisti ao vivo e a cores; ô intonce, feita p’rú eu mêêêêêrmo… Eu mêrmo, purinzempro, morava bem no mêi da Ladêra do Bardo; diga-se subida da Av. Rio Branco in procura da Ribêra véia de guerra e de “peregrinações prostibulares”; mais meu “habitat naturá”; era tanto na Ladêra do Bardo, descendo de patinete feito de rulimã, cumo na esquina da Rua Apodí cum a Princesa Isabel, na Budega de Floriano; batendo pelada na calçada do sodosíssimo Dr. Álvaro Navarro; no fim da Rua Apodí cum a Pade Pinto,; ô robando manga e pitomba no sítio do Casarão de Dona Maria Boa; ô na Ponte Duis Iscotêro, lá no Paço da Pátria; ô na Praça Tamandaré, “gritando Paiáço de Circo”; ô aperriando uis vigia de noite; in fim; in quaiqué um dêsses canto, meu fíi ô minha fia; eu me sintia literalmente “in casa”… In tôda festa populá, “a mundiça” tava de deeeeennnto! No carnaval, na Semana Santa, na Festa da Santa Cruz da Bica (Dia 03 de maio), nuis trêis Santo, Antôin, Pêdo e João; nóis num perdia uma única oportunidade qui fôsse; mode aprontá um “presépe” (cumo dizia a sodosa Maria Rita, cunzinhêra da Fazenda Pocinhos) e fazê a “resenha” p’rú resto da vida… No finá da Rua Apodi cum a Pade Pinto, tinha uma réca de minino qui num era fáci; Mazinho (Hoje o neurologista José Alvamar Nunes de Sena), Tantico, Nilson e Lula Calixto, Paulinho (Dr. Paulo Roberto Salustino Dutra), Joãozito (Dr. João Dutra de Almeida Filho), Ivan de Seu Néco do ônibus (Brigadeiro do ar Ivan Emanoel de Macedo), seu irmão Evândalo, Joãozinho (João Gomes, aposentado do Banco do Nordeste), uis sodoso Efrain do Violão e Vavá Pombo, Prêntice Bulhões, Vigner e Valderez, Bazinho, Calabé, Pé de Pato e seu irmão Valtinho; e na esquina da Pade Pinto cum o finá da Rua Apodí, uis irmão Silvério Noronha e Adriano, o menózíin da turma, qui a gente chamava carinhosamente de DRICA… Êsse, era o “sumo da merda do cachorro qui come bosta”… Era qui nem peito de hôme; num prestava p’rá abissulutamente naaaaaaada!… E numa quinta feira de uma determinada Semana Santa, nóis inventemo de fazê um Juda e pindurá justamente no poste dessa isquina da Apodí cum a Pade Pinto. Cada um trazia uma peça de rôpa de sua casa, prá butá no Judá. Quando chegô a vêiz de Silvério, êle dixe:

– Eu vô “dá um cambão” num palito de papai e trago prá gente butá no Juda.

Depois do Juda pronto; e do trabáio mais disinfeliz dêsse mundo, mode se butá o bicho lá in riba do poste, a mininada ficô obisselvando a figura. Mais o mais adimirado de todos uis minino, era o peste do DRICA; tanto, qui sua adimiração, causô adimiração no restante da mininada… E seu irmão Silvério; vendo a adimiração de DRICA, num se agüentando de curiosidade, preguntô:

– O qui é, DRICA; qui tu tá olhando tão adimirado ? Tá achando o Juda paricido cum quem ?

E DRICA, na maió inucênça:

– Cum paaaaaaaaiiiiiiii!

Silvério fechô a mão e deu no pé da urêia do pobre do DRICA, qui saiu chorando prá casa… E daí in diante, tôda vêiz qui quaiqué um da gente preguntava:

– DRICA, cum quem parece ?

Êle respundia ligêro dimaise:

– Cum a puta qui pariu!…

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