Relembrando José Rocha – Valério Mesquita, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de RN (mesquita.valerio@gmail.com)

01) O ex-deputado José Rocha é dono de um repertório incrível de histórias políticas do nosso humano folclore. Saído da…

01) O ex-deputado José Rocha é dono de um repertório incrível de histórias políticas do nosso humano folclore. Saído da política foi advogar para ganhar a vida. Um de seus clientes era o irreverente Leonel Mesquita. Numa mesa do saudoso Samburá, Mesquita o indagou acerca do Estatuto da Terra, recém lançado pelo governo. Na verdade, procurava respaldo para se livrar de um incômodo morador da sua fazenda Arvoredo. Zé Rocha explicou-lhe tecnicamente as novas implicações do estatuto, que modificava as relações patrão versus trabalhador rural. Dois dias depois, os dois amigos voltam a se encontrar no hotel de Mino. Leonel, bem ao seu estilo gozador, foi logo disparando: “Perdeu os honorários!!” Zé Rocha curioso quis saber porque. “Amarrei uma corda na cumeeira da casa e puxei com o trator. O sujeito num instante saiu de lá!!” “Leonel”, disse Zé Rocha, “o seu procedimento no Direito, tem uma correlação. Chama-se isso de RITO SUMÁRIO!!”

02) Advogado Trabalhista, José Rocha viveu situações hilariantes em várias fases dessa profissão. No início, conviveu muito com o doutor Alvamar Furtado, seu ex-professor no Colégio Sete de Setembro. Alvamar foi um dos primeiros juízes do Trabalho do Rio Grande do Norte. Sério, honrado, intelectual, Alvamar nunca perdeu aquele fair-play, aquele humor fino, que caracterizam os homens de aguçada sensibilidade. Numa audiência, em plena sexta-feira, já enfarado, Alvamar pergunta ao advogado: “Temos acordo, doutor Zé Rocha, entre as partes?” “Tem, sim senhor”. Zé Rocha faz a proposta que é aceita pelo empregado mas que deseja receber a sua indenização logo. “Pode pagar como deseja a parte?” “Pois não doutor juiz. Peço, apenas a parte para se dirigir ao meu escritório a fim de assinar os recibos comprobatórios, à rua Ulisses Caldas em frente a prefeitura”. “Sabe onde fica o escritório do doutor Zé Rocha?”, pergunta Alvamar. “Não senhor”. “Sabe onde fica a prefeitura?”. “Não senhor”. Insiste Alvamar: “E o Palácio do Governo?”. “Não sei, não senhor”, responde o homenzinho. “E a Receita Federal, sabe onde fica?”, interroga o juiz já impaciente. “Não senhor”. “Você, pode-se dizer, é um brasileiro feliz”, comenta Alvamar jocosamente. “Não deve, não teme não liga e nem sabe onde ficam essas coisas!”

03) De outra feita, Zé Rocha sempre trazia para testemunhar nas audiências trabalhistas a figura do capitão de campo. Advogado de patrão, Zé Rocha escalava sempre o capitão de campo, pois este, conhecia todas as manhas e artimanhas dos empregados das usinas. Lá pras tantas, depois de umas cinco ou seis audiências, Alvamar já vislumbrando algo suspeito nesse espantalho dos canaviais, comentou ironicamente, com o advogado: “Olhe, essa figura de capitão de campo precisa urgente de uma promoçãozinha pois já está muito manjada”.

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