Religiosos cobram ação da Prefeitura para proteger estátua de Iemanjá

Na madrugada da quarta-feira de cinzas, a imagem foi depredada e parte do braço esquerdo da escultura foi destruído

Grupo promoveu cortejo com louvores e rezas em homenagem à Iemanjá, na na Praia do Meio. Foto: Heracles Dantas
Grupo promoveu cortejo com louvores e rezas em homenagem à Iemanjá, na na Praia do Meio. Foto: Heracles Dantas

Um ato em defesa da imagem de Iemanjá reuniu na manhã desta sexta-feira (28), dezenas de pessoas na Praia do Meio. Os integrantes do grupo de capoeira Cordão de Ouro, do Terreiro Filhos de Luz, do Instituto Terreiro do Futuro e crianças do Instituto Ponte da Vida realizaram um cortejo com louvações e rezas para Iemanjá.

“A gente quer uma ação que proteja a imagem. As autoridades devem tomar providências porque em todo o litoral brasileiro a Iemanjá é um ponto turístico e a daqui fica desse jeito”, analisou Maria Rita de Cássia, do Instituto Terreiro do Futuro. Ele lembrou também que neste ano já houve uma manifestação semelhante no dia dois de fevereiro. No entanto, segundo ela, esse novo ato foi necessário diante do ocorrido depois do Carnaval.

Na madrugada da quarta-feira de cinzas, a imagem foi depredada e parte do braço esquerdo da escultura foi destruído. Segundo Maria Rita de Cássia outro ataque à obra religiosa aconteceu no mesmo dia em que o monumento à Bíblia Sagrada foi inaugurado em 2011, também na praia do Meio. Além dos problemas recorrentes nas mãos, a imagem está com marcas de tiros no pescoço.

Outras bandeiras que buscam a valorização dos povos formadores do Brasil também foram lembradas na manifestação. A organizadora do evento Lucinha Madana Mohana também luta pela aplicação das leis 10.693/2003, que diz respeito ao ensino da história africana nas escolas brasileiras, e da lei 11.645/2008, que inclui o ensino da história indígena no currículo escolar nacional. “Por preconceito, as escolas não estão colocando em prática”, disse.

“Essa ação também é para incentivar a criação de livros didáticos e paradidáticos”, acrescentou. Segundo Lucinha, as escolas justificam a ausência dessa disciplina com a falta de referências bibliográficas. Para contrariar essa realidade, a própria organizadora possui um livro paradidático para dar um empurrão inicial na mudança dessa realidade. A equipe do programa antidrogas RN Vida e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também participaram do evento.

Largo de Iemanjá

A Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte defende a construção de um largo para dar mais espaço para os rituais e proteger a imagem adequadamente. “As pessoas colocam as oferendas e vem um bêbado, um meliante qualquer e tira. Não tem policiamento nenhum, nem guarda municipal pelo lugar”, descreveu Macilei Maciel, presidente da federação.

Na década de 1990, a imagem deixou os arrecifes da praia do Meio e foi para a areia. O líder espiritual também afirma que o local em que a imagem está localizada atrapalha a colocação de oferendas.

A federação também busca parcerias para construir uma nova imagem. O presidente também trabalha com o projeto de erguer uma nova Iemanjá com 5 metros de altura. “É impossível a recuperação daquela imagem porque as ferragens de dentro dela estão bastante enferrujadas”, explicou

Atualmente, a Iemanjá com representação branca tem origem na mistura religiosa produzido pela cultura brasileira. Mas, de acordo com o presidente da federação, “existe a possibilidade de se fazer a imagem com a originalidade africana”. A imagem seria negra.

Conforme Maciel, a Federação está analisando a validade de uma lei municipal que garante a construção deste tão requisitado largo naquela região. “Nós temos uma lei que dá direito de fazermos um largo, mas até agora nada saiu do papel”. Segundo o presidente da Federação, o espaço seria construído abrangendo cem metros tanto do lado esquerdo como do lado direito da imagem.

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