RESCORDANDO 1962…- Ao Jornalista Rubens Lemos Filho – Bob Motta

Rubinho: Num s’avexe, meu fíi! In 1962, foi dêsse mêrmo jeitíin c’á rapaziada do sodoso Aymoré Moreira. Só, qui naquêle…

Rubinho:

Num s’avexe, meu fíi! In 1962, foi dêsse mêrmo jeitíin c’á rapaziada do sodoso Aymoré Moreira. Só, qui naquêle tempo; era só 16 país; dais eliminatóra; já se passava para ais oitava de finá. Prá cumeçá; o Brazí ficô num grupo qui tinha além de nóis; o México, qui tinha um “paredão” debaixo duis trêis pau, chamado CARBAJAL; a Tchecoslováquia, qui tinha SHEROIFF, NOVAK e MASOPUST; a Inglaterra de GORDON BHANKS e meus “xará”, BOB MOORE e BOB CHARLTON e a Espanha, de PUSKAS, PEIRÓ e ADELARDO. Nosso premêro jogo, o de estréia, foi contra o México, quando Carbajal, a inzempro dêsse minino do México de hoje, fechô a porta do gol e jogo a chave fora… Só qui o peste s’isqueceu qui nóis tinha no nosso time, um minino cum vinte e dois ano de idade, a inzempro do nosso Neymar Júnior, qui era “a bixiga tabóca e uis seiscento istopô balaio”; chamado Edson e apilidado de Pelé. E Pelé no premêro tempo e Zagalo no sigundo; se incarregaro de abrí a porta do gol do México qui seu “baita golêro” tinha fechado. Fim de jogo e Brazí “dois a zero”! Fumo p’ro sigundo jogo, contra a Tchecoslováquia. Aí, meu fíi; o buraco era “mais embaixo”! Danô-se, deu a bixiga; e na têlça fêra passada, eu me ví nuis meus quatorze anos de idade, naquela longínqua quarta fêra de junho de 1962, “sofrendo mais do qui rato in casa de ferrage” e vendo o minino Pelé se machucá na metade do sigundo tempo e ficá in campo só fazendo número, pois naquela época; tombém era improibido substituí quaiqué jogadô durante a partida… Fim de jogo e zero a zero. Tem mais ôta; a gente só via pela TV, dois dia adispôi do jogo; tinha qui se contentá cum a voz duis grandiôso Edson Leite, Pêdo Luiz, Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral e Mário Vianna (cum dois “ene”). Veio o jogo contra a Espanha, onde o minino Pelé, foi substituído pelo tombém minino, Amarildo… E a Espanha saiu na frente, cum um gol de Adelardo… E o minino Amarildo, c’á ajuda de Mané Garrincha, foi quem fêiz a deferença, cum dois gol no sigundo tempo; siguido da “malandrage” do sodôso Newton Santos, qui fêiz falta dento da área e deu dois passo prá fora da área… E o juiz maicô fora!… Fim de jogo, Brazí dois a um. Veio o jogo contra a Inglaterra , quando nosso “anjo dais perna torta”, MANÉ GARRINCHA, deu seu show partículá para o mundo intêro; Brazí trêis a um. Veio a semifiná contra uis dono da casa, o Chile; e aí, meu fíi; foi um “passeio”; Brazí quato a dois; quando o sodôso Vavá amostrô pruqui butaro in nêle, o apilido de “o leão da copa”… Dia 17 de junho de 1962, in Santiago; Brazí e Tchecoslováquia, qui abriu logo o placá cum Mazopust. Amarildo impatô in siguida; e aí; meu fíi; haja sufrimento… Isso, inté a metade do sigundo tempo, quando Didi lanço Amarildo, qui foi inté a linha de fundo, pela isquerda e incruzô mode Zito, de cabeça, “entrá cum bola e tudo”… Dois a um e a festa cumeçô… Mais inda ia tê maise! Aos quarenta e trêis minuto do sigundo tempo, o sodôso Djalma Santos incruzô prá porta do gol da Tchecoslováquia e o pobrezíin do Sheroiff cometeu sua única falha durante toda a copa do mundo de 1962; sortando a bola nuis pé de Vavá; qui só teve o trabái de impurrá prá dento do gol… Tenho inté impressão qui foi divido a isso, qui surgiu aquela “iscramação fulêrágica”; “AÍ DEEEENNNNTO”! Deve tê sido êsse, o grito de Vavá, quando fêiz o terceiro gol do Brazí… E foi alí, Rubinho; qui no auge da alegria; eu me ferrei, aos 14 anos de idade, tumando minha premêra doze de cachaça; só vindo tumá a úrtima (ispero qui tenha sido a úrtima mêrmo…), no dia 12 de dezembro de 1992, isso depois de trinta ano, seis mêis e dizessete dias de birita… E derna de 12 de dezembro de 1992 qui seu amigo herdado de seu pai Rubão; “está sóbrio”; graças a Deus, aos meus irmãos em AA e ao amor de minha mulher e meus filhos… S’avexe não, Rubinho; vai dá certo!…

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