Retomada da exportação de sal no RN só vai ocorrer em 2014

Marcelo Hollanda hollandajornalista@gmail.com Contrariando as expectativas do setor salineiro, a retomada das exportações tão aguardadas para 2013 devem acontecer mesmo…

Empresários projetavam exportar 320 mil toneladas de sal durante o ano de 2013. Mas, não se chegou nem à metade. Foto: Divulgação
Empresários projetavam exportar 320 mil toneladas de sal durante o ano de 2013. Mas, não se chegou nem à metade. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Contrariando as expectativas do setor salineiro, a retomada das exportações tão aguardadas para 2013 devem acontecer mesmo só a partir de 2014 e se acontecerem. Até lá será difícil obter qualquer projeção não só dos embarques pelo porto Ilha de Areia Branca como qualquer outra informação pertinente ao estado que produz 90% do sal brasileiro.

O motivo para tanta desinformação é processo administrativo aberto em fins de setembro  pela Superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar o envolvimento de 21 empresas, três associações e 43 pessoas em um cartel na produção e venda de sal que estaria em operação há 20 anos no Brasil.

Hoje, Aírton Torres, presidente do Sindicato da Indústria do Sal no Rio Grande do Norte, disse que não poderia fazer qualquer prognóstico de exportações, tanto do ponto de vista físico como comercial. Afirmou apenas que acredita no retorno de operações mais robustas de exportação a partir 2014. “Maiores detalhes não podemos dar no momento”, resumiu.

Em 2010, o setor no RN era responsável por 69,8% da produção brasileira total de sal e por 90,3% da produção nacional de sal marinho. Em 2013, por conta da seca de 2012 que favorece a produção, projetava-se exportar entre 160 mil toneladas e 320 mil toneladas. Não chegou a metade disso. Volume insignificante para um estado que já atingiu durante o pico das exportações 800 mil toneladas.

A investigação do Cade, que começou em julho de 2008 a partir de reportagens publicadas por jornais do RN, informando sobre possíveis ações conjuntas para enfrentar a queda no preço do produto, é a razão de todos os problemas dos salineiros.

Em setembro último com apoio da Polícia Rodoviária Federal, o Cade cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Mossoró, Natal e no Rio de Janeiro em empresas, no Sindicato da Indústria da Extração do Sal (Siesal), no Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal (Simorsal), e na Associação Brasileira de Extratores de Sal (Abersal).

Na operação foram recolhidos na sede das empresas e das três associações 24 volumes, com cerca de cinco mil cópias de documentos em papel e cerca de 1.700 arquivos eletrônicos. O Cade buscou com isso caracterizar a existência um “cartel clássico” a partir dos indícios encontrados.

A documentação, segundo o próprio Cade, aponta que o cartel teria iniciado em meados da década de 1990, tendo a Abersal como a organizadora. A partir de 2000, ainda de acordo com a investigação, Siesal e Simorsal teriam passado a exercer “importante e decisiva influência na organização e implementação dos acordos ilícitos.”

Isso não deixa de ser uma frustração para o Porto-Ilha, que duplicou sua capacidade de armazenamento e ampliou a área de cais em quase 100 metros para possibilitar o atracamento de até duas embarcações por vez para descarregamento, melhorando o transbordo de navios cargueiros, passando a acolher até 2.500 toneladas de sal por hora. Essa reforma custou R$ 270 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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