A retórica do equívoco

Quando Dilma Rousseff (PT) bateu José Serra (PSDB) no segundo turno da eleição de 2010, a expectativa do país –…

Quando Dilma Rousseff (PT) bateu José Serra (PSDB) no segundo turno da eleição de 2010, a expectativa do país – o que produz e o que consome – era de acentuado crescimento econômico. No início do primeiro ano de mandato, falou-se em índice ao redor de 5%. Abaixo desse percentual, nem pensar. A presidente da República “sabe de tudo”, conforme foi mostrada aos brasileiros por Lula da Silva, responsável pela ascensão dela ao poder.

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Como é do conhecimento de tantos, não se deve levar ao pé da letra o que diz o senhor Silva. O exagero faz parte de sua técnica para persuadir. À senhora Rousseff não cabe o título de ‘grande administradora’, sabe grande parte dos nacionais. Cabe-lhe o adjetivo ‘razoável’. Nada, entretanto, além e aquém dessa qualificação.

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Na etapa final do governo da mineira-gaúcha, o birô da coluna cita comentários soprados por economistas – inclusos alguns ocupantes de cargos nobres na Esplanada dos Ministérios e adjacências.

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Três referem-se aos quesitos negativos da política econômica que a governante recandidata impõe a Guido Mantega, seu ministro da Fazenda:

1. A expansão dos gastos, sobretudo o de alcance social, fez o consumo crescer mais rapidamente que a oferta de bens e serviços;

2. Houve crescimento da inflação, os juros continuam em alta e, portanto, aguarde-se a elevação do endividamento externo;

3. Com a desvalorização do real, o câmbio entra na corda bamba. Encarecem as importações e prejudicam as vendas externas.

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Pós-escrito: Essa situação provoca ventania sobre a economia brasileira Por isso, as agências internacionais consideram-na uma das mais vulneráveis entre as nações emergentes.

Onda sem crista

Duas afirmações (*) categóricas em poucas palavras.

Uma referentemente à eleição para a Presidência da República.

Lula da Silva sobe ao palanque, mas como cabo eleitoral de Dilma Rousseff.

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Trata-se a segunda do pleito para o Executivo do Rio Grande do Norte.

Wilma de Faria, favorita ao Senado, dispensa o retorno ao governo.

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(*) Poderia ser feita a terceira declaração peremptória. Como inexiste certeza, use-se o ‘talvez’ em relação ao projeto eleitoral de Henrique Eduardo Alves. O provável é que o deputado busque o tranquilo mandato número 12. Tem apoio político-partidário para suceder à governadora Rosalba Ciarlini, mas o desafio tem risco acima da média.

 

Ritmo de samba

No Carnaval, Aécio Neves (foto) veste a fantasia de candidato versátil.

Sexta-feira, em Salvador, fica ao lado de ACM, neto, bem avaliado governante da cidade e líder do DEM na Bahia.

Domingo, no Rio de Janeiro, o tucano vai ter a companhia do prefeito Eduardo Paes (PMDB). No camarote oficial do município, assistirá ao desfile das escolas de samba.

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Passa também por São Paulo, mas rapidamente. Na sequência, agenda de folião (?) discreto.

- Em Pernambuco, sua base de sustentação, o presidenciável Eduardo Campos pode ter 60% dos votos válidos, no primeiro turno do pleito. No estado, são quase sete milhões de pessoas com o título na mão.

- Hoje, rede nacional a serviço do PMDB. Rádio: 20h às 20h10. Televisão: 20h30 às 20h40.

- “Ideli Salvatti é um zero à esquerda”. Assim o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), identifica a ministra das Relações Institucionais. Diz mais: “Ela é lenta no trato de demandas políticas.”

- Mais uma reunião de Lula da Silva com o governo de Cuba. Foi à ilha com o senador Blairo Maggi (PR-MT). Empresário da área do agronegócio, apelidaram-no Rei da Soja.

- Nos dois últimos dias, Eduardo Cunha (RJ) recebeu apelos para “amolecer” na ação contra o Planalto. O líder do PMDB diz que não hostiliza o poder federal, mas “não vou agradar a quem me hostiliza”.

- Líder do PCdoB no Senado, Vanessa Grazziotin (AM), participa, em Nova York, de seminário internacional de parlamentares ambientalistas.

- Para refletir: “Não gosto de homens que falam como um livro, mas adoro livros que falam como um homem” (Claude Roy, escritor francês).

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