Rio Grande do Norte examinará redução do querosene de aviação

Especialista em cidades-aeroportos, John Kasarda, ao lado do prefeito Jaime Calado, realizou palestra para detalhar o que pode ser o futuro de São Gonçalo do Amarante

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Silvio Torquato, disse hoje pela manhã, durante uma palestra do especialista norte-americano em modelos de aeroporto-cidade, John Kasarda, no Teatro Municipal de São Gonçalo do Amarante, que a governadora espera, depois da Copa, debater com o consórcio Inframérica e com o “trade” turístico de Natal uma fórmula possível para desonerar o querosene de aviação das companhias aéreas, cuja alíquota para rotas nacionais é atualmente de 17%.

Para voos internacionais essa alíquota é zero. O insumo é responsável por 45% de custo das companhias aéreas e é considerado o vilão pelo RN ter perdido mais de três mil voos desde 2010.

Torquato, no entanto, não disse se o Estado pretende protagonizar esse tema ou deixará a cargo do consórcio ou das companhias aéreas fazê-lo. “Tudo mudou com a chegada da Inframérica, que ao lado das companhias áreas, é a parte mais interessada no assunto”, acrescentou.

Representando também a Federação da Indústria, o secretário Silvio Torquato foi um dos que falaram antes da palestra de John Kasarda, que começou depois das 10 horas. Depois de pedir um minuto de silêncio pela morte do ex-jogador da Seleção Brasileira, Marinho Chagas, ele adiantou que há uma boa perspectiva de sair a licitação para o novo porto privado do RN em mais dois meses. A localização, conforme já foi divulgada, será em Porto do Mangue.

A vinda de John Kasarda há tempos estava nos planos do prefeito de São Gonçalo, Jaime Calado, que o conhece depois de assisti-lo várias vezes por suas viagens internacionais. “Este homem é o maior especialista mundial em aerotrópolis (aeroportos-cidade) e se há alguém capaz de nos dizer para onde vamos com o nosso novo aeroporto é ele”, afirmou.

Kasarda, que foi saudado como autoridade de primeira grandeza, encontrou problemas para conseguir dar sua palestra. Embora a tradução simultânea tenha funcionado bem, ele enfrentou dificuldades mais cedo no deslocamento de um hotel na Via Costeira para São Gonçalo, via a RN 160.

Depois de conhecer de perto da precariedade das estradas, Kasarda quase não conseguiu exibir conteúdo no data-show a partir de seu notebook Macintosh, rapidamente transferido para a linguagem PC da Microsoft.

Mas não foi apenas esse detalhe técnico que atrasou a palestra. Seguiram-se uma série de pequenos discursos de parceiros como João Hélio Cavancati, diretor técnico do Sebrae-RN, que seguiu a fala do prefeito Jaime Calado e precedeu a do secretário Silvio Torquato.

Professor da Universidade de Carolina do Norte e membro do Instituto de Comércio Aéreo, John D. Kasarda é também consultor do governo de Minas Gerais desde 2004 para a implementação no estado do conceito de “Aerotrópole”, do qual é mentor. Consultor de sucesso, anualmente ele está no Brasil e o filão que ele explora amplamente – a teoria de integração entre cidades e aeroportos – lhe valeu da revista TIME por causa da “Aerotrópole” o detentor de uma das 10 ideias que mudarão o mundo no século 21.

Ele foi um dos primeiros a entender que as aerotrópoles estão se desenvolvendo ao redor do mundo espontaneamente e há boas razões para isso. Entre as mais proeminentes temos as de Amsterdam com o aeroporto de Schiphol, Hong Kong, Incheon na Coreia do Sul, Dubai, Chicago, Dallas-Ft Worth, Washington Dulles, e Memphis, todas têm atraído, principalmente, investimentos nos negócios localizados na área do aeroporto com grande impacto econômico em suas regiões e nações. Em muitos casos, são investimentos superiores a US$ 10 bilhões ao ano.

Durante a inauguração do novo aeroporto Aluizio Alves, a governadora Rosalba Ciarlini, perguntada por um jornalista sobre a possibilidade de desonerar o querosene de aviação, disse apenas que pensava no assunto, sim, mas para depois da Copa. Hoje, o secretário Silvo Torquato repetiu o texto da chefe. “Vamos ver essa questão sim, mas depois da Copa”.

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