Rio Grande do Norte ainda não sabe qual é o tamanho de seu rebanho após mortes na seca

Informação é necessária para auditoria da aftosa

De acordo com o secretário, um grande número de criadores potiguares simplesmente não informou o gado vendido ou que morreu no ano passado. Foto: Ilustração
De acordo com o secretário, um grande número de criadores potiguares simplesmente não informou o gado vendido ou que morreu no ano passado. Foto: Ilustração

Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

 

Às vésperas do Nordeste passar em bloco para área livre de vacinação da aftosa, metade dos criadores do Rio Grande do Norte ainda não declarou o número exato de seus rebanhos, o que vem obrigando a Secretaria de Agricultura a correr com essa atualização.

Esse número vem sendo objeto de verificação por parte da Organização Internacional de Epizotias (OIE na sigla em inglês), que audita os serviços de defesa da agropecuária nos estados.

Na segunda quinzena deste mês, um grupo de especialistas da organização desembarca no Ceará exatamente com a missão de certificar os estados como zona livre da febre aftosa com vacinação.

Nesta quinta-feira o secretário Tarcísio Bezerra, da Agricultura, disse que espera ter números mais conclusivos até a semana que vem. “Não é uma tarefa fácil, pois todas as propriedades estão sendo percorridas e o rebanho recontado”, explicou.

Para conceder o status de zona livre com vacinação, os números exigidos pela OIE são altos. De acordo com o secretário, um grande número de criadores potiguares simplesmente não informou o gado vendido ou que morreu no ano passado e isso produziu inconsistências importantes no cadastro do Idiarn.

Desde fins do ano passado, a Secretaria de Agricultura do Estado anuncia medidas para apressar a recontagem desse rebanho, mas problemas internos, falta de recursos e dificuldade em se deliberar pequena decisões contribuiu para agravar o atraso. A expectativa não confirmada é que o RN tenha perdido até 35% de seu rebanho bovino que nos bons tempos já foi superior a 1 milhão de cabeças.

Mas esta é apenas uma entre muitas preocupações que assolam o governo estadual neste momento no que diz respeito ao campo. Ontem, a Governadora Rosalba Ciarlini pediu ao ministro da Integração Nacional, Teixeira Coelho, pressa na liberação de R$ 20 milhões esperados há dois anos para equipar cerca de 700 poços já perfurados no Rio Grande do Norte.

Na verdade, a cifra reivindicada pela secretaria junto ao Ministério da Integração Nacional era de R$ 26 milhões, quando o titular era Júnior Teixeira. Desses, R$ 17 milhões viriam para equipar poços artesianos abertos em 2010 no governo Wilma de Faria e largados sem qualquer serventia. Desde que a seca se impôs, em 2012, Rosalba não perde oportunidade de alfinetar Wilma com esses poços abandonados.

Pelo pleito original de Júnior Teixeira, feito em meados do ano passado, outros seis milhões seriam destinadas à produção de forrageira e mais R$ 3 milhões para a instalação de dessalinizadores.

Ontem, a governadora lembrou ao ministro que esses poços foram abertos em 2010, configurando desperdício de dinheiro público, num momento em que 17 cidades das regiões do Alto Oeste e do Seridó vivem a iminência de um colapso de água.

“Este projeto foi apresentado ao Ministério da Integração na primeira reunião de Governadores do Nordeste ocorrida em Sergipe em 2011”, lembrou a Rosalba ao ministro. “No último dia 22, quando esteve em Natal, relatei à presidente Dilma o quadro de calamidade que estamos vivendo no interior e ela garantiu agilidade na solução do problema”, insistiu.

Segundo o serviço de imprensa da Governadoria, por telefone, o secretário de Agricultura detalhou para o General Adriano Pereira Junior, secretário Nacional de Defesa Civil, também presente à audiência, o quadro crítico em que cerca de 90% dos municípios potiguares se encontram.

“Açudes, carros-pipa e cisternas já não estão resolvendo mais o problema da falta de água. A solução é colocar esses poços perfurados em funcionamento o mais rápido possível para abastecer as cisternas e bombear água para adutoras”, explicou Tarcísio Bezerra.

Segundo Rosalba – e isso ela lembrou ao Ministro da Integração Nacional -, o RN será o primeiro estado a universalizar o sistema de cisternas, já que possui 60% do seu território propício para a instalação de poços.

Aproveitando para fazer uma prestação de contas dos investimentos federais no Estado, a governadora repassou os seguintes números: 700 quilômetros de adutoras, 2.700 cisternas subterrâneas, além das obras da barragem de Oiticica, em Jucurutu, que já atingiu 15% do cronograma.

“Esperamos as bênçãos das chuvas todos os dias, mas temos que encontrar uma solução urgente para o convívio com a seca”, teria dito Rosalba ao Ministro. E é ai que está o problema, já que as últimas previsões indicam uma quadra chuvosa abaixo da média. Se esse quadro se confirmar, isso significa que a seca instalada em 2012 não serviu de muita coisa para amenizar a situação dos produtores para um novo período sem chuvas.

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