Rio Grande do Norte começará a prestar conta de ações contra a seca

Relatório mostrará destinos de recursos federais

A próxima reunião do Comitê da Seca, que muitos produtores criticaram e acusaram de esvaziamento, quer voltar à vida e mostrar para que veio. Foto: Divulgação
A próxima reunião do Comitê da Seca, que muitos produtores criticaram e acusaram de esvaziamento, quer voltar à vida e mostrar para que veio. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

 

Com um ano de atraso, o Comitê da Seca criado pela governadora Rosalba Ciarlini para debater saídas para minimizar a crônica falta de chuvas sobre o Estado desde 2012 terá, finalmente, que apresentar um painel de entrada e saída dos recursos federais. E isso terá que acontecer já na reunião do grupo marcada para o próximo dia 10, segunda-feira, já que o encontro de hoje foi cancelado para que os órgãos envolvidos se concentrassem na elaboração do relatório.

Outra medida a ser adotada é que as secretarias de Recursos Hídricos e da Agricultura ficarão responsáveis por coordenar toda a aplicação de recursos contra a seca, já que foram constatadas duplicidades de verbas trabalhadas pelos dois órgãos governamentais ao mesmo tempo.

Hoje, o secretário Tarcísio Bezerra, da Agricultura, garantiu que serão conhecidas todas as entradas e aplicações de recursos em obras contra a seca no estado. “Não deixaremos qualquer dúvida sobre esse assunto”, prometeu Bezerra, que vem lutando para liberar R$ 17 milhões de um programa do Ministério da Integração para perfuração de 764 poços, além de outros R$ 6 milhões para uso em programas suplementares para distribuição de ração e forrageira aos agricultores.

Dede que a governadora Rosalba Ciarlini anunciou, em novembro de 2012, a entrada de R$ 250 milhões para combate a seca, dos quais R$ 108 milhões já teriam sido liberados para execução de obras emergenciais e estruturantes, não houve qualquer preocupação em se manter a opinião pública informada sobre a aplicação desse recursos.

Vários produtores ouvidos pelo JH nesta segunda-feira disseram que ninguém tem um painel de andamento dessas obras. Representante da Federação da Agricultura no Comitê da Seca, o engenheiro-agrônomo Henderson Magalhães Abreu, ex-presidência da Emater ainda no governo Rosalba, é um dos que se ressentem da falta de informação, apesar de já ter ocupado uma posição estratégica no Estado no que diz respeito a programas rurais. “É fundamental ter essas informações atualizadas”, afirmou.

Em meio a reclamações generalizadas de produtores de que não vem recebendo auxílio efetivo do Estado, a Petrobras, a Secretaria Estadual da Agricultura, a Emater-RN e 17 municípios do Rio Grande do Norte assinam nesta terça-feira o convênio do Programa Terra Pronta para o ano de 2014. Esse evento tradicional em tempos de dificuldade acontece às 9h, no Auditório da Governadoria, Centro administrativo.

A Petrobras irá disponibilizar 190 mil litros de óleo diesel para abastecer os tratores cedidos pelos municípios para preparação motomecanizada da terra. A Secretaria da Agricultura fornecerá as sementes selecionadas para os bancos de sementes dos municípios, e a Emater entrará com a assistência técnica aos agricultores. A idéia é atingir este ano cerca de 10 mil pequenos produtores rurais, ajudando no preparo de terra para o plantio, em uma área de aproximadamente 15 mil hectares nos municípios de Macau, Guamaré, Pendências, Ipanguaçu, Alto do Rodrigues, Mossoró, Areia Branca, Apodi, Assú, Governador Dix-sept Rosado, Carnaubais, Porto do Mangue, Upanema, Caraúbas, Felipe Guerra, Serra do Mel e Afonso Bezerra.

Mas outro problema, que não depende dos entes públicos, preocupa os integrantes do Comitê da Seca: são as chuvas ou a falta delas. Na reunião do próximo dia 10, por isso mesmo, os participantes aguardam ansiosamente o relato do metereologista Gilmar Bistrot, da Emparn, que recentemente acompanhou um encontro especializado em Fortaleza onde o assunto principal foi a quadra chuvosa.

De posse de dados mais atualizados, que sempre são mais confiáveis do que os produzidos em dezembro, Bistrot fornecerá as última avaliações sobre a expectativa de chuvas para os próximos meses, o que permitirá à secretarias e órgãos envolvidos que se preparem para o que vem pela frente.

Da entrevista coletiva convocada por Rosalba para anunciar as obras contra a seca, em fins de 2012, muita coisa aconteceu e outras entraram para a estatística da ficção. A próxima reunião do Comitê da Seca, que muitos produtores criticaram e acusaram de esvaziamento, quer voltar à vida e mostrar para que veio.

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