Riscos com alimentos vendidos nas praias de Natal são desconhecidos

O consumidor deve ficar atento para o modo como estes alimentos estão acondicionados

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Com incidência de sol praticamente o ano todo, as praias potiguares tem um constante movimento de pessoas que procuram esses locais em busca de descontração, lazer e atividades saudáveis. Vários alertas sobre os cuidados que se deve tomar nesse tipo de passeio são bem divulgados na mídia, como áreas próprias para o banho e cuidados com a exposição solar, porém, existe um perigo invisível o qual os frequentadores das áreas praianas são surpreendidos: alimentos contaminados.

As praias natalenses são conhecidas pelas diversas opções de comidas, como a famosa ginga com tapioca, porém, o consumidor deve ficar atento para o modo como estes alimentos estão acondicionados.

A nutricionista Mychelle Kytchia afirma que a população deve evitar o consumo desse tipo de alimento. “É indicado que as pessoas levem lanches para as praias, como barra de cereais, para evitar consumir os alimentos vendidos por ambulantes, que muita vezes não são acondicionados adequadamente” disse.

O resultado é que estes quitutes vendidos na praia podem vir com alguns “ingredientes” extras como fungos, vírus e bactérias – que podem ser encontrados nos lanches, petiscos e bebidas – e se desenvolvem nestes alimentos por causa das más condições de higiene. No organismo humano, em poucas horas, podem causar, entre outros males, a temida infecção intestinal.

A nutricionista ainda conta que o consumidor deve ficar vigilante com as comidas feitas na hora. “Grande parte dos alimentos fritos, reutilizam muitas vezes o óleo aproveitado em outra comida, além disso, mesmo sendo alimentos cozidos, a população deve ficar atenta ao modo como foi armazenado e ao seu preparo” alertou.

Alguns frequentadores das praias de Natal colocam em dúvida a qualidade das comidas e bebidas disponibilizadas à venda no local. A assistente social, Ana Regina, que frequenta a praia de Ponta Negra, afirma que prefere consumir água de coco, já que corre um risco menor de contaminações. “Às vezes eu compro comida na praia, mas prefiro água de coco, já que com certeza não existe o devido armazenamento da comida oferecida. As comidas que não ficam bem conservadas, como as congeladas, eu fico de olho, além daquelas que ficam expostas ao sol e poeira, essas prefiro não comprar” contou.

Qualquer comida disponibilizada à venda na praia é propensa à contaminação, já que vai desde a falta de higiene no preparo dos alimentos e a exposição prolongada ao sol sem uma refrigeração adequada. Já os utensílios utilizados como copos, pratos, canudos e talheres, devem ser descartáveis e não podem estar expostos.

A vendedora ambulante Maria Luzinete diz que a população não se atenta a questionar a procedência dos alimentos. “Ninguém nunca reclamou sobre os alimentos que vendo, apesar de que às vezes eles perguntam por que não uso luvas. O que sei que é errado” disse.

Questionada sobre o que poderia ser feito para adequar o manuseio e armazenamento dos alimentos ela diz que os depósitos utilizados são próprios para comercializar o tipo de comida. Entretanto, o material do depósito é transparente e, com a exposição ao sol, afeta na qualidade da comida, podendo até estragar.

Ao contrário da maioria dos comerciantes, o ambulante Tiago Santos, que comercializa sanduíches, diz que sempre fica atento como o alimento é conservado. “Meus recipientes são adequados para levar esse tipo de alimento. Só quem anda com as caixas abertas, deixando entrar areia e poeira, corre o risco de contaminar os alimentos” disse.

Pesquisas realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) constam que muitas das contaminações encontradas nos alimentos e bebidas são ocasionadas por coliformes fecais (material de fezes) que possivelmente são passadas pelas mãos do vendedor. O indivíduo que ingere coliformes fecais pode apresentar gastroenteria (náuseas, vômito, febre e dores abdominais).

Com relação aos alimentos vendidos na praia, a nutricionista Mychelle Kytchia afirma que a instituição tem inúmeras portarias que regulamentam a venda desse tipo de alimento, porém, não é fácil fazer vistorias nas praias, já que os vendedores nem sempre estão no local. “Chegando o período da Copa, os órgãos responsáveis pela fiscalização alimentar no município devem ficar atentos aos casos. Se a pessoa sofreu alguma consequência pelo consumo de alimento infectado, deve denunciar o caso, para que assim se saiba onde e como fazer as fiscalizações” alertou.

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