RN, “escanteado” como sempre!

Mais uma vez a coluna cede espaço para a publicação de oportuno artigo do advogado e homem público Ney Lopes…

Mais uma vez a coluna cede espaço para a publicação de oportuno artigo do advogado e homem público Ney Lopes de Souza, onde ele relata um pouco da história de como o Rio Grande do Norte perdeu para Pernambuco os investimentos que a Petrobras está carreando para a implantação de uma grande refinaria.

 

Ney Lopes

Jornalista, advogado e ex-deputado federal

Dói muito ler a notícia de que a Petrobras abriu mão de penalidades devidas pela Venezuela, no valor de cerca de 18 bilhões de dólares, decorrente da associação feita entre Chávez e Lula para a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. Na época, o grande perdedor foi o Estado do Rio Grande do Norte, pela decisão de Lula em negar a nossa refinaria. Em troca, alardeou-se a “mentirinha” da instalação de uma tal Refinaria Clara Camarão, que nada mais foi do que maquiar pequena unidade já existente há anos, em Guamaré.

Como deputado federal, tentei de todas as formas defender os interesses do Estado.

É bom relembrar que, em junho de 2005, na presidência do Parlamento Latino Americano (Parlatino), organizei uma missão oficial para visitar a Venezuela e demonstrar ao presidente Hugo Chávez, que o Rio Grande do Norte seria o melhor local para a PDVESA (empresa de petróleo venezuelana) instalar a sua refinaria de petróleo no Nordeste.

Viajei à Caracas em companhia do vice-governador Antônio Jácome, do secretário de Planejamento, Vagner Araújo, do consultor Jean-Paul Prates (então secretário de Estado) e do jornalista Ciro Pedroza.

Na Venezuela mostramos que: 1) a refinaria localizada no Estado aproximaria a fonte de produção da matéria-prima para diminuir custos – RN, o maior produtor de petróleo em terra – além de aumentar a produtividade e atender ao mercado consumidor; 2) o RN era um ponto geográfico de intercessão (fica no meio) entre o Norte e o Nordeste, reduzindo os custos de transporte; 3) o Estado dispõe de água abundante e de boa qualidade, indispensável ao refino; 4) estradas asfaltadas e integradas ao sistema rodoviário nacional; 5) três portos marítimos já construídos, com capacidade de expansão (Natal, Guamaré e Areia Branca); e 6) potencial para instalação, ao lado do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, de uma “área de livre comércio”, que facilitaria o escoamento de subprodutos do petróleo (polo petroquímico).

O argumento contra o RN era a inexistência de porto marítimo. A missão oficial convidou os venezuelanos para visitarem a base de operações de Guamaré-RN, e constatarem in loco a existência de um porto marítimo em operação, que recebia navios de até 125 mil toneladas e com possibilidade da sua capacidade ser ampliada. O “quadro de boias” tem o calado máximo de 15.0 metros e permite a atracação de navios petroleiros de 135.000 toneladas, podendo ser duplicado Além disso, os venezuelanos confirmariam a existência de sistema dutoviário já implantado, o que reduziria custos com novos dutos; rodovia pronta (BR 304); parque de tancagem concluído; região pouco povoada para expansão futura e o pleno funcionamento – há algum tempo – de uma pequena refinaria, com produção de óleo diesel, gás natural, GLP e querosene de aviação.

Antes da missão à Venezuela em 2005, organizei com o jornalista Roberto Guedes (“Pacto pelo desenvolvimento do RN”), em maio de 1996, um café da manhã na Embaixada da Venezuela, em Brasília, com a presença do governador Garibaldi Alves, da bancada federal e o sr. Armando Fagundes, representante maçônico voluntário, para reivindicar ao presidente Rafael Caldera, da Venezuela, que visitava o Brasil, a inclusão do RN como o local ideal para a implantação de uma refinaria de petróleo, que os venezuelanos planejavam construir no Brasil.

Em que pese à luta, nada foi conseguido. Não houve um protesto contra a decisão de Lula de excluir o nosso Estado na implantação da refinaria de petróleo e optar por unidades em Pernambuco, Ceará e Maranhão. Todos calaram e aceitaram, desde o governo estadual da época, até as entidades de classe. Repetiu-se o quadro atual, no qual o Estado assiste atônito todos os tipos de acordo políticos, menos aqueles acordos que discutissem com seriedade o seu desenvolvimento econômico e social, com a oferta de empregos e oportunidades.

Mas, se o povo quer assim, que seja assim! Não há o que fazer.

A Venezuela acaba de “passar a perna” na Petrobras, que terá de bancar sozinha a refinaria de Pernambuco.

E o RN? Continua “escanteado”, como sempre! Ninguém fala por ele.

Cosern mostra em seu Balanço porque teve queda de receita em 2013

– No exercício de 2013 a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern), controlada pelo grupo multinacional Neoenergia, obteve faturamento bruto da ordem de R$ 1,465 bilhão, quase R$ 134 milhões a menos do que no ano anterior.

– Apesar disso, sua clientela cresceu de 1,212 milhão de consumidores nas diversas classes (residencial, comercial, industrial, rural e outras) para 1,256 milhão; e o volume de Gigawatt/hora (Gwh) comercializado no Estado passou de 4.170 para 4.419 (expansão de pouco menos de 6 por cento).

– A queda nas receitas da empresa concessionária da distribuição de energia no RN foi verificada em todas as classes de consumidores, com destaque para a área industrial, com perdas de 19,4 por cento.

– Para justificar o sofrível desempenho o presidente do Conselho de Administração da Cosern, Marco Geovanne Tobias da Silva faz as seguintes observações na sua “Mensagem” aos acionistas:

– “(…) O ano de 2013 foi marcado por várias dificuldades para a economia potiguar. Em princípio a atividade rural foi seriamente afetada pelo prolongamento da estiagem, caracterizando como uma das piores secas das últimas décadas, e reduzindo a atividade agrícola do Estado.

– “As exportações do Rio Grande do Norte fecharam 2013 em baixa. O valor exportado pelo Estado no ano passado (US$ 247,9 milhões) foi 5,09% inferior ao exportado em 2012. Este é o terceiro ano consecutivo em que o Rio Grande do Norte exporta menos do que importou no ano anterior. As importações, por sua vez, aumentaram 19,6% em comparação com o ano de 2012. (…)

– “Com relação ao mercado de trabalho, o Rio Grande do Norte fechou 2013 com um saldo líquido de 10.384 empregos formais, o menor desde 2011. (…) Para o turismo os números também não foram animadores, uma vez que obteve o menor fluxo de passageiros dos últimos quatro anos. Só em 2013 o Rio Grande do Norte perdeu 3.088 voos e apresentou uma queda de 290 mil passageiros, principalmente provenientes de voos internacionais.

– “Com relação à atividade industrial, o índice de confiança do empresariado potiguar recuou 2,51% na comparação com dezembro de 2012, o que demonstra certo pessimismo com relação ao ritmo dos investimentos industriais.”

– Talvez sem o querer, o presidente do Conselho de Administração da Cosern fez,em rápidas pinceladas, uma precisa avaliação dos três anos governo Rosalba Ciarlini.

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