RN não participa de programa de hospedagem alternativa na Copa

Explicação é que rede hoteleira atenderá demanda de turistas na época do mundial

Quantidade de leitos oferecidos no Estado seria suficiente para a procura que será gerada com a realização do mundial. Foto: Wellington Rocha
Quantidade de leitos oferecidos no Estado seria suficiente para a procura que será gerada com a realização do mundial. Foto: Wellington Rocha

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A Match Services AG – operadora de turismo oficial da Fifa na organização de viagem das delegações e na venda de pacotes de hospedagem e ingressos VIP para a Copa no mundo  – tem até 31  deste mês, por contrato, para devolver aos hotéis das 12 sedes da Copa metade dos  bloqueios de quartos que não foram concretizados para que as empresas possam trabalhar nas vendas.

Os hoteleiros de Natal têm tanta certeza que a cidade dará conta da demanda da Copa que sua principal entidade, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira no Estado (ABIH-RN) não deve se engajar ao programa de estímulo para a criação de meios de hospedagem alternativo, criado pelo Ministério do Turismo e que já funciona a pleno vapor em sedes como Recife e Rio de Janeiro com o apoio institucional da ABIH desses estados.

Consultada a este respeito pelo JH, a ABIH local não forneceu qualquer posicionamento. O presidente da entidade, Habib Chalita, em reunião, não retornou a consulta feita pelo jornal. Mas o presidente da Câmara de Turismo da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo, o hoteleiro George Gosson, explicou que tanto a capital pernambucana quanto a carioca exibem um conhecido déficit de leitos, razão pela qual a ABIH participa do programa para estimular hospedagens alternativas.

Nesse programa, os anfitriões, como são chamados os donos dos imóveis que se disponham a participar, oferecem condições adequadas para recepcionar os visitantes com hospedagem e café da manhã para eles, além de outros serviços.

Ainda segundo George Gosson, a partir do tamanho da devolução dos bloqueios pela  Match Services é que será possível aos empresários locais projetar melhor os valores de diárias por ocasião da Copa. Parte dessas reservas já bloqueadas são para equipes técnicas da Fifa e jornalistas. Os hoteleiros qualificados para receber essa oferta já foram devidamente informados.

“Se de 200 bloqueios a Match tiver negociado 100 em um determinado estabelecimento, terá que desbloquear metade da sobra (50) para que hoteleiro ofereça como leitos disponíveis”, exemplificou Gosson.

Mesmo depois de investir por anos na criação de programas para estimular a hospedagem alternativa como forma de atrair turistas, como o conhecido “Cama, Café e Rede” e a despeito de ter enviado uma missão à África do Sul para acompanhar o evento Copa naquele país, em 2010, o Sebrae do Rio Grande do Norte não participará diretamente em nenhuma ação para estimular empreendedores por ocasião do evento da Fifa.

Hoje, o superintendente em exercício do Sebrae/RN, João Hélio Cavalcanti, forneceu a mesma explicação dos hoteleiros para o desinteresse: o mercado está em condições de atender com sobras a demanda da Copa de 2014.

 

João Hélio Cavalcanti, no entanto, informou que o Sebrae-RN está aberto a qualquer momento para orientar empreendedores que quiserem aproveitar a Copa para participar dessa oportunidade de hospedar os visitantes que procurem alternativas aos meios de hospedagem tradicional.

Razão econômica

A Match fechou um preço fixo com cada hotel para a Copa do Mundo com um ágil de cerca de 30% sobre o que pagará, ressarcindo seus custos operacionais calculados em 18%. Essa informação já foi confirmada pela empresa em dezembro e divulgada em sites nacionais. O Conselho de Administração Econômica (Cade) vem sendo provocada para investigar tentativa de cartel por parte da empresa que trabalha para a Fifa.

Até o final do ano passado, ela havia fechado contratos para reserva antecipada de 45% dos quartos nos hotéis pesquisados. Outros 40% (previsão do setor) ficaram reservados para grandes clientes corporativos tradicionais das empresas hoteleiras, e 12% dos quartos já foram vendidos para torcedores independentes. No fim deste mês esses dados serão atualizados.

Mas, por essas contas, sobrariam aos torcedores comuns alguma coisa ao redor de 15% dos quartos dos hotéis nas sedes durante a Copa. Pelo menos é o que deve acontecer em sedes como São Paulo e Rio de Janeiro onde a ocupação hoteleira será alta durante todo o Mundial, enquanto em Natal, Cuiabá e Manaus, por exemplo, que recebem apenas jogos da primeira fase, a procura deverá ser na segunda fase da competição.

Em Brasília, que sediará sete jogos do torneio, já existe 325 residências cadastradas nesse sistema, segundo informa o site do sistema Folha, e está sendo preparado, inclusive, um camping com capacidade para receber cerca de 450 pessoas.

O Rio de Janeiro, segundo a mesma fonte, acelerou ações para receber turistas em cruzeiros e já conta com uma rede especializada de “cama e café”, adaptação brasileira do sistema bed and breakfast, de origem irlandesa, em que o visitante se hospeda na casa de um habitante local.

O Ministério do Turismo criou até um link para divulgar a modalidade, dentro do site hospitalidade.turismo.gov.br – em que são encontradas descrições e fotos das acomodações e dos “anfitriões”, como são chamados os proprietários dos imóveis. No site, há um link para a página da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, que lançou o Programa de Hospedagem Alternativa Cama e Café.

Segundo o Ministério do Turismo, a expectativa de demanda total por hospedagem para a Copa alcança 540 mil visitantes estrangeiros e 1,86 milhão de turistas nacionais. Na Copa das Confederações, o público geral se dividiu em 58,4% para hotéis e similares, 37,1% em casa de amigos e 3,8% em apartamentos e casas alugadas. Na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, a procura por cama e café alcançou 10%.

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