RN pode prorrogar o início da vacinação contra aftosa
Seguindo o exemplo da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi), o Instituto de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn) também pensa em solicitar uma nova prorrogação no prazo de início da vacinação contra aftosa. Mas isso depende do Ministério da Fazenda autorizar. A data para o início da vacinação está marcada para o próximo dia 15 deste mês.
Hoje, a diretora geral do Idiarn, Fabiana Lo Tierzo, disse que um novo adiamento para o início da vacinação seria desejável pelas condições gerais do rebanho, que se encontra debilitado pela seca. “Nessas condições, a simples movimentação dos animais até a área de vacinação já significa um fator de tremendo estresse para eles que estão muito magros e com as defesas baixas”, afirmou.
Num contato por telefone feito com Ministério da Agricultura em Brasília, hoje pela manhã, Lo Tierzo ficou sabendo que não havia por enquanto nenhum encaminhamento oficial nesse sentido, o que não impede disso vir a acontecer nas próximas horas. “Nossa preocupação é obter o melhor índice vacinal possível nas condições atuais, daí a importância da decisão tomada pelo Piauí”, comentou Lo Tierzo.
Ela informou, ainda, que repercutiu bem entre os produtores a decisão da Companhia Nacional de Abastecimento local, acatando um ofício do Idiarn, atender prioritariamente com milho de seus estoques os produtores sorteados durante a sorologia, que é a retirada de sangue dos animais para exame – processo que antecede o início da vacinação.
Como as propriedades selecionadas pela sorologia não podem movimentar ou abater os animais que participarão das amostras (bovinos de seis a 24 meses), o ofício do Idiarn solicitou que o milho na Conab chegasse antes para esses. Apenas os exemplares não envolvidos nesse trabalho puderam se movimentar com a emissão de Guias de Transporte Animal (GTA).
A notícia de que o Piauí pediria uma nova prorrogação para vacinar seu rebanho de 15 de dezembro para 15 de janeiro – depois de já obtido uma dilação desse prazo que inicialmente era de 15 de novembro – trouxe alívio a técnicos e criadores potiguares.
É que desde o início do adiamento por causa da seca, o problema persiste. As chuvas que começam a cair timidamente nas regiões produtoras ainda não foram suficientes para recompor as pastagens a serem consumidas pelos animais.
Nesta segunda-feira, O JORNAL DE HOJE se dedicou mais uma vez à busca de lideranças dos produtores para comentar a possibilidade de um novo adiante na vacinação contra aftosa no estado. Foram chamados por diversas vezes celulares do presidente da Anorc, Júnior Teixeira; do presidente da Faern, José Vieira; do presidente da Sinproleite, Marcelo Passos; do superintendente federal de agricultura no RN, Orlando Procópio; do assessor de imprensa da Anorc, Marcelo Abdon, mas nenhum deles retornou às ligações.
A diretora geral do Idiarn, Fabiana Lo Tierzo, preferiu não adiantar se o estado irá realmente prorrogar novamente a vacinação dos rebanhos locais. Ela disse que Pernambuco, por exemplo, também se encontra numa situação delicada, pois decidiu suspender parcialmente a vacinação de seu território e de lá para cá a estiagem se manteve. “Vamos aguardar um pouco mais para saber qual será o comportamento de outros estados para ver o que pode ser feito por aqui”, defendeu.
Desde que Idiarn passou por uma reestruturação, motivada principalmente pela urgência em resolver a barreira histórica da febre aftosa, o RN vinha enfrentando críticas duras de estado como Ceará e Pernambuco, cujos interesses dos criadores esbarraram no atraso de Paraíba e Rio Grande do Norte. Tanto que chegaram a levantar barreiras contra produtos de origem animal dos dois estado vizinhos.
A instrução normativa incluindo o RN e a Paraíba no inquérito soroepidemiológico ocorreu só depois de muita pressão política no dia 25 de setembro, às vésperas dos 50 anos da Festa do Boi e com a presença do Ministro Mendes Ribeiro, da Agricultura, que prometeu estar presente na abertura do evento.
Sob rigoroso tratamento contra um câncer no cérebro, Mendes Ribeiro não pôde comparecer, mas sua portaria trouxe alento aos criadores potiguares. Só faltou combinar com São Pedro.
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