RN precisaria de R$ 10 mi por ano para promover bem o destino

Opinião é de especialista durante o Fórum de Turismo

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

De 2011 até agora, a Gol Linhas Aéreas, que tem 10 vôos por dia em Natal, por onde embarcou no ano passado 371 mil passageiros e desembarcaram 356 mil, a perda de movimentação de passageiros no período correspondeu a 21% da oferta de assentos para a capital potiguar.

A informação estava na palestra do vice-presidente comercial da companhia, Eduardo Bernandes Neto, hoje, no segundo dia do 5º Fórum de Turismo do Rio Grande do Norte, no Centro de Convenções, voltada aos agentes de viagem.

Na avaliação de Bernandes, o RN ainda precisa avançar mais no que diz respeito ao turismo de eventos, que ainda continua aquém em relação a demais capitais do Nordeste. “Já houve muitos avanços nessa área, mas é preciso mais”, acrescentou.

Bernardes lembrou que todas as companhias costumam avaliar com cuidado a situação econômica dos destinos antes de investir na malha e que o RN deveria avaliar melhor seus investimentos em promoção do destino, que estão aquém do que deveriam ser para um estado que já foi o segundo melhor do país junto com Fortaleza, no Ceará, e Porto Seguro, na Bahia.

Segundo o executivo, que até recentemente ocupava o cargo de diretor comercial da Gol e foi promovido para uma das vices-presidências da companhia, “Natal continua sendo dona de uma melhores infraestruturas do Nordeste, especialmente no setor hoteleiro, mas não consegue traduzir essa condição na malha aérea que a serve”.

Embora tenha pedido para não comentar a insistência do Governo do Estado em se recusar a debater a possibilidade de desonerar o ICMS do querosene de aviação que abastece as aeronaves, Bernardes informou que em recente revisão a sua empresa calculou em 45% o peso do combustível sobre o custo operacional.

“Deixamos para a Associação Brasileira das Empresas Aéreas o debate sobre essa questão da desoneração do QAV preferimos não nos pronunciar a respeito, mas não há qualquer dúvida que esse incentivo representaria um retorno muito forte em matéria de ocupação de assentos e, por conseguinte, um incremento poderoso no turismo”, afirmou.

Hoje pela manhã, na fase de palestras com os agentes de turismo do qual participaram o diretor comercial da Avianca, Rodrigo Nápole; o presidente da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem, Antonio João Monteiro de Azevedo e da Associação dos Agentes de Viagem de São Paulo, Marcelo Matera, O JORNAL DE HOJE propôs um desafio aos palestrantes. Na opinião deles, quanto seria uma cifra razoável a ser gasta em promoção para atrair mais turistas de lazer e negócio para o RN.

Depois de pensar um pouco, eles disseram que R$ 10 milhões/ano seria uma quantia mais do que aceitável para a promoção de um destino com todas as belezas naturais e a infraestrutura do Rio Grande do Norte. Hoje, segundo a Empresa de Turismo do Estado, o orçamento que está no papel não passa de R$ 4 milhões e, mesmo assim, sem nenhuma certeza de que será liberada na íntegra em função dos crônicos problemas financeiros do Estado.

Uma importância de R$ 10 milhões seria quase o total da renúncia do Estado no caso de uma desoneração de 17% para 12% sobre a arrecadação do querosene que abastece os aviões. No final do ano passado, o secretário estadual de Tributação, José Airton da Silva, elaborou um estudo sobre a viabilidade dessa desoneração, mas esse trabalho – não se sabe a razão – não chegou ao gabinete do chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, que assumiu a responsabilidade de analisar a questão.

Duas audiências públicas na Assembléia depois, a questão continua parada sem qualquer esperança de retomada, pelo menos no primeiro semestre. Hoje, o presidente da ABAV, Antônio João Azevedo, disse que essa situação merece um exame mais profundo, tendo em vista as oportunidades abertas com a realização da Copa do Mundo na cidade.

Já o presidente da Associação das Agências de Viagem Independentes do Interior do Estado de São Paulo (AVIESP), Marcelo Matera, onde se concentra o maior número de turistas que visitam o destino RN depois de São Paulo – capital – não tem segredo: investir em promoção e capacitação está entre as prioridades para quem deseja um retorno garantido.

Com uma política de substituição de aparelhos dos Fokkers por Air Bus 320, atingindo até julho uma frota de 34 Airbus contra cinco Fokkers, a Avianca Linhas Aéreas, com linhas Natal-Brasília e Natal-Guarulhos (SO) deve crescer algo ao redor de 30% na capita l potiguar até o fim deste ano.

Para o diretor comercial Rodrigo Nápole, é uma posição de estabilidade construída muito a partir da falta de posições da companhia nos aeroportos. É um caso diferente das demais companhias, que vem vendo seus investimentos para o RN minguar pela diminuição progressiva do número de oferta de assentos para Natal.

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