RN realiza cinco transplantes de rins em 36 horas e pacientes comemoram

Em 2013 foram registrados 307 transplantes em todo o Estado

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O Rio Grande do Norte realizou cinco transplantes de rins nas últimas 36 horas. Depois da doação da família Procurador-Geral do Estado, Miguel Josino, a família de um jovem de 19 anos falecido no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ontem (20) também autorizou a doação dos órgãos. E outro rim veio de Sergipe.

Essa marca é obviamente festejada pelos pacientes que estavam em uma fila de espera e por seus familiares. Mas quem trabalha com doações também comemora, como a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Artenise Revoredo. Isso porque as dificuldades para se conscientizar a população e até mesmo as equipes de saúde ainda são grandes.

“Dentro dos hospitais, as pessoas precisam entender que a notificação por parada respiratória e morte encefálica deve ser feita o quanto antes”, disse a coordenadora. Segundo ela, as escolas dos profissionais de saúde ainda não tratam adequadamente a questão da doação de órgãos nas suas grades curriculares. “Praticamente não é abordada. Quando alguém fala é uma pincelada”, criticou.

A coordenadora da Central de Transplantes no Estado ressalta que essa questão deve ser difundida para todos que trabalham dentro da unidade hospitalar com o objetivo de se criar uma cultura em favor da doação. “Fizemos esse trabalho no Hospital Walfredo Gurgel desde o maqueiro até o médico e enfermeiro mais graduado”, disse.

Morte cerebral

A notificação tardia da morte pode inviabilizar a doação. Segundo Artenise, os órgãos vão se deteriorando aos poucos. Também por este motivo, a população deve ter a consciência de que a morte do cérebro é a decretação de morte definitiva, mesmo que os demais órgãos continuem funcionando. Não há possibilidade de recuperação.

“Se você tem a morte encefálica, morreu. Não tem mais volta. Pode continuar respirando, mas se retirar os aparelhos, ele não continua porque não tem o comando do cérebro”, explicou. Conforme Artenise, a desestabilização da pressão, respiração e de outros órgãos pode ocorrer a qualquer momento depois de constatada a morte cerebral.

Sinais que possam ser interpretados como um fio de vida no paciente, devem ser explicados para a família pela equipe médica. Exemplo disso, são arrepios que podem acontecer mesmo depois da morte.

Imediatamente após da notificação de morte do paciente, é preciso verificar a possibilidade de se realizar a entrevista com a família. No entanto, a coordenadora da Central ressalta que a entrevista para a liberação dos órgãos deve ser feita a depender do estado emocional da família. “Sempre respeitando a decisão da família, o sim e o não”, acentuou.

A decisão da família deve ser unânime para que a doação seja realizada. Se alguém se manifestar contrário, segundo Artenise, o processo fica impossibilitado. “O Nordeste ainda tem famílias muito numerosas, por mais que os responsáveis aceitem, se chegar um irmão dizendo ‘eu não quero’ não podemos fazer”, acrescentou. O problema é que enquanto se consulta toda a família, o precioso tempo de vida dos órgãos se esgota”, enfatizou.

Além de uma equipe devidamente capacidade para realizar a captação e transporte dos órgãos, as unidades hospitalares também precisam de uma estrutura básica para manter os órgãos doados em bom estado de conservação. O maior problema é o déficit de UTIs no Brasil e no Rio Grande do Norte, que não garante vagas nem para quem está vivo. “O doador deveria ficar dentro de uma UTI. Mas às vezes, quando ele sai do Centro Cirúrgico não tem o leito. Esse é um problema de todo país”, declarou.

Depois de retirados do corpo do doador, a luta contra o tempo continua. Para os rins, por exemplo, a recomendação é que o transplante aconteça em até 36 horas. O fígado deve se integrar a um novo organismo em, no máximo, 12 horas e o coração e pulmões tem apenas quatro horas.

Em 2014, já são 25 rins doados, 59 córneas, 13 corações e 13 fígados. “O transplante realizado no momento é de rins e córnea. O Incor Natal está sendo reabilitado para o transplante de coração”, informou a coordenadora. Fígados e corações captados aqui foram para outros Estados. No caso do procurador-geral Miguel Josino, o fígado foi levado para um paciente na Bahia e o coração para o Paraná. Em 2013, foram realizados ao todo 307 transplantes no Estado.

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