Robério: “Consult não tem credibilidade. Quem paga pesquisa determina o resultado”

"Nós temos várias pessoas e estamos preparando uma surpresinha para esses institutos, de pessoas que foram entrevistadas com fichas que não têm o nosso nome", diz. Confira a entrevista.

65u56u53u

Candidato do PSOL a governador, o professor Robério Paulino afirmou hoje, durante visita ao à redação de O Jornal de Hoje, que a pesquisa Consult a ser veiculada nesta quarta-feira por uma emissora de rádio de Natal não tem credibilidade. Ele afirmou que irá, inclusive, questionar o levantamento junto ao Ministério Público Eleitoral, onde tramita uma representação dele contra a realização de pesquisas. “Nós temos várias pessoas e estamos preparando uma surpresinha para esses institutos, de pessoas que foram entrevistadas com fichas que não têm o nosso nome”, diz. Confira a entrevista.

O Jornal de Hoje – Emissoras de rádio anunciam nova rodada de pesquisas para esta semana. Houve andamento na representação das pesquisas no Ministério Público Eleitoral?

Robério Paulino – Eu já falei que essas pesquisas são pesquisas manipuladas, suspeitas, porque ninguém tem controle sobre elas e eles alegam que as pesquisas teriam alguma credibilidade porque são registradas no TSE. Mas essas pesquisas são registradas no TSE depois de feitas, ninguém tem controle. Se o dono do instituto resolver trocar as fichas de avaliação dos entrevistadores, em vez das fichas realmente feitas, aquelas que eles produzem dentro do instituto, ninguém tem controle. Nós temos várias pessoas e estamos preparando uma surpresinha para esses institutos, de pessoas que foram entrevistadas com fichas que não têm o nosso nome. Como é que depois eles podem fazer um resultado com o nosso nome, nos dando um valor bem aquém do que a gente sabe que tem, se eles fizeram pesquisas que sequer constam o nosso nome?

JH – Nessa semana teremos mais uma pesquisa, da Consult. Houve alguma mudança em de procedimento em relação à pesquisa após sua representação?

RP – Todo mundo sabe quem paga a Consult aqui no Estado, uma candidata muito conhecida que paga. E como disse a Luciana Genro, quem paga banda escolhe música, quem paga pesquisa determina o resultado. Eu acho que é uma pesquisa que não tem credibilidade, porque é uma caixa preta, não tem transparência. Nós temos pesquisas nossas que nos dão quase 5%; uma pesquisa dessas nos dá 1%, ou sempre as pesquisas internas dão os dois candidatos, meus principais adversários, mais ou menos empatados e essas pesquisas aparecem com o senhor Henrique Eduardo Alves 15, 20 pontos na frente. Isso não corresponde à rejeição que ele tem no Estado. Então, essas pesquisas para nós são absolutamente suspeitas e elas têm influenciado o eleitor. São usadas no estado para manipular a opinião pública. A dois dias da eleição você publica lá um resultado, como foi feito com Mineiro na eleição passada, a dois dias da eleição ele tinha 10%, dois dias depois ele apareceu com 22%. Como isso é possível? Nós já acionamos o Ministério Público Federal e o Ministério Público Eleitoral. Com certeza vamos questionar os resultados dessa pesquisa, exigindo saber as fichas, o processo com foi feito, como foi realizado, em cada cidade e pedir o direito não só de saber depois que elas estão registradas no TRE, mas antes delas serem realizadas. Nós queremos poder acompanhar as pesquisas, ou que elas sejam proibidas. Na verdade o que achamos correto, é a opinião que eu defendo, e também o PSOL, que essas pesquisas sejam proibidas em todo o país durante o período eleitoral, porque elas tem tido um papel fundamental de manipular, de sugestionar e de mudar os resultados das eleições.

JH – Que tem achado da campanha até agora?

RP – Ela está apenas começando. A maioria dos eleitores ainda não se interessou pelas eleições e não conhece todos os candidatos. Quando começarem os debates e os programas eleitorais na TV e no rádio, a parcela menos informada da população vai acordar e, mesmo com nosso pouco tempo, vai nos ouvir, ver que tem opção. A rejeição da população aos velhos políticos como Henrique Alves e Robinson Faria é muito grande. Quanto mais dinheiro gastarem na campanha e mais promessas falsas fizerem, mais a população consciente vai rejeitá-los. Os tempos mudaram. Lamento que o PT tenha se juntado a tudo isso. Especialmente Henrique Eduardo vai se surpreender com seu grau de rejeição e vai perder esta eleição. Ele não cresce mais, bateu no teto, só vai cair. Darei para ele de presente um prego e uma barra de sabão, para ver se ele sabe o que fazer com isso. E nós vamos crescer. Seremos a terceira via para quem quer opção à velha política. É esperar para ver.

JH – Como vê o favoritismo dos adversários?

RP – A polarização entre Henrique e Robinson é ilusória. Eles representam a velha forma de fazer política, baseada no loteamento da máquina pública, no clientelismo, na compra de votos, nos currais e cabos eleitorais. O povo está cansado disso. O favoritismo deles é uma ficção criada por pesquisas manipuladas. Esses institutos de pesquisa são contratados por algum grupo político, indiretamente, através de um veículo de comunicação. Por que não nos dão acesso ao processo? Não basta registrar no TSE depois. Quem paga a banda escolha a música, quem paga a pesquisa determina o resultado. Mas acionamos o Ministério Público Eleitoral e estamos preparando uma surpresinha para eles. Se manipularem, vão sair da eleição totalmente desmoralizados, sem qualquer credibilidade. É só esperar para ver.

JH – Acha que tem condições de crescer a disputar o segundo turno? Por quê?

RP – A população quer mudança real. E nem Henrique nem Robinson representam mudança, pois participaram ou apoiaram todos os últimos governos. Seremos a opção para quem não aceita as velhas oligarquias do estado. Trabalhamos com pesquisas internas que já nos dão bem mais que 5% e crescendo rápido; vamos chegar a 10% a um mês das eleições e surpreender. Eles gastarão milhões na campanha, comprarão votos, juntarão tudo que há de pior e mais corrupto na política potiguar. Mas eles não têm uma coisa preciosa que temos: o apoio de milhares de jovens e pessoas conscientes que estiveram nas ruas em 2013 e que já estão fazendo nossa campanha nas redes sociais, escolas e empresas voluntariamante. Isso sem nos pedir um real, apenas por ideal. Isso não tem preço. E nos dá a segurança que estamos no caminho certo, que vamos crescer e podemos chegar ao segundo turno.

JH – Pelas andanças iniciais, o que tem visto RN afora?

RP – Enquanto meus principais adversários andam pelo estado apenas para tirar fotos com correligionários , fazer cena em busca de votos, eu tenho visitado toda semana muitos hospitais regionais, sala por sala, escolas públicas e até delegacias e visto o rastro de destruição deixado pela senhora Rosalba, com o apoio do partido de Henrique, e de seu vice também, Robinson Faria. No Hospital Regional de Açu, conversei com médicos, enfermeiras, sala por sala, vi enfermarias vazias com as paredes todas quebradas, colchões e camas abandonados, teto furado; no plantão diurno não havia um único médico. Todos os doentes da cidade eram encaminhados para o Tarcísio Maia em Mossoró ou para o Walfredo Gurgel. Meu sentimento foi de tristeza e de indignação ao mesmo tempo. Como podemos ter governantes tão estúpidos, tão insensíveis ao sofrimento do povo? E agora vão dizer ao povo que vão fazer mudança. Mentira. Visitei também várias barragens e estou muito preocupado quanto ao abastecimento hídrico das cidades.

JH – Porque os eleitores devem votar em Robério e não nos adversários?

RP – Porque somos uma bandeira limpa. Seremos a terceira via, a opção, para quem está cansado dessa velha política. Não somos políticos profissionais, somos militantes sociais, lutando por um mundo melhor, mais justo, desenvolvido e esclarecido, sem pobreza e ignorância. Tudo sem esperar benefícios pessoais. Entendemos a política de outra forma. Vamos recuperar todos os serviços públicos e dar um choque qualidade na educação, na saúde e na segurança, através da mobilização social. Vamos colocar os interesses do povo e dos trabalhadores acima dos interesses dos grandes grupos empresariais e políticos. Mas não adianta as pessoas reclamarem, reclamarem e depois votarem nos mesmos políticos de sempre. Elas têm opção, o PSOL é opção. A hora é agora.

Compartilhar:
    Publicidade