Robério: “Henrique Alves quer tirar proveito da tragédia de Mãe Luíza”

Pré-candidato do PSOL ao Governo do Estado acusa presidente da Câmara de “oportunismo político”

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Alex Viana

Repórter de Política

Pré-candidato do PSOL ao governo do Estado, o professor Robério Paulino afirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, pré-candidato do PMDB a governador, está tentando tirar proveito eleitoral da tragédia em Mãe Luíza. “Puro oportunismo político. Por que ele não apareceu em todos os anos anteriores? É deputado federal há tantos anos. Por que em anos anteriores, quando a cidade alagava, ele não apareceu? Aparece agora porque é candidato”, declarou o pré-candidato do PSOL, ao participar, neste final de semana, de evento em favor da sua pré-candidatura. “Isso é puro oportunismo político e aproveitar-se da desgraça alheia para fazer campanha eleitoral. Esse homem nunca fez nada pela cidade, nunca fez nada pelo estado. E agora aparece, dia sim, dia não, visitando as áreas, aparecendo com solução, trazendo ministro. Por que só visitou agora? Por puro oportunismo político”, acrescentou Robério.

Durante a visita que fez na sexta-feira passada aos locais atingidos pelas chuvas em Natal, o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, afirmou que o governo federal ajudará na recuperação da área onde ocorreu o desmoronamento. No entanto, o ministro evitou falar em valores. Ele disse que aguardará a conclusão do projeto que está sendo feito pela prefeitura de Natal. “Nesse primeiro momento, a prioridade é prestar socorro e assistência às famílias, com o projeto concluído daremos início a segunda fase dos trabalhos, que inclui a estabilização do terreno e reconstrução da rede de drenagem e de esgotos. Por isso é importante a presença do prefeito, da governadora, do presidente da Câmara Federal e de todas as autoridades aqui, pois trabalharemos em conjunto”, disse, fazendo referência a governadora Rosalba Ciarlini, ao prefeito Carlos Eduardo e ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Henrique Eduardo Alves, que acompanharam a visita.

A vinda do ministro da Integração Nacional a Natal foi uma solicitação do presidente da Câmara dos Deputados, que, dias antes, havia conversado com o ministro por telefone, solicitando também à presidente Dilma Rousseff providências quanto ao deslizamento. Para o pré-candidato do PSOL a governador, “a situação em Natal não é menor, é grave, mas existem situações muito piores, como no Rio de Janeiro, e nunca vi o senhor Henrique como presidente da Câmara ter visitado o Rio de Janeiro em situações anteriores, o que mostra que essa atuação dele, neste momento, é meramente eleitoreira”. “Usar a autoridade de presidente da Câmara para trazer ministro a Natal tem conotação eleitoreira. Henrique não tem preocupação com a cidade e a população. Quantas vezes a cidade alagou e por que ele não fez em situações anteriores? Houve grandes alagamentos em Natal e ele nunca esteve aqui para visitar desabrigados das áreas alagadas. Por que só agora?”, questionou.

“Veto a Rosalba Ciarlini faz parte do acordão de Henrique com Agripino”

O pré-candidato do PSOL a governador, Robério Paulino, afirmou ainda que o veto do DEM à candidatura à reeleição da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) faz parte de um combinado entre o senador José Agripino, presidente estadual do DEM, e o pré-candidato do PMDB a governador, deputado federal Henrique Alves.

“É mais uma consequência do acordão, porque, na verdade, existem grandes interesses econômicos por trás desse acordo que Henrique Alves costura. O DEM tem suas empresas e interesses empresariais, que tem interesses em manter-se nos grandes negócios do Estado, sobretudo no Aeroporto de São Gonçalo do Amarante”, afirmou Robério, se referindo à empresa do deputado federal Felipe Maia (DEM), filho de Agripino, que detém concessão para abastecimento de aeronaves.

Ainda segundo o pré-candidato do PSOL, o acordão é consequência da união de “toda a velha política do estado”, ao reunir os ex-governadores Agripino, Garibaldi Filho (PMDB) e Wilma de Faria (PSB). “Todos têm interesses nesse acordo por causa da sua parcela de controle nos negócios do estado”, afirmou.

Conforme Paulino, Rosalba está pagando pelo que plantou. “Ela não é vitima. Vitima é o estado. A culpa pelo que ela passa é dela e do partido dela. A rejeição a Rosalba não é fruto da convenção do DEM, mas é um fato real, fruto do governo dela, que foi um descalabro. A vítima é o estado e a população do RN”.

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