Robério Paulino: “Henrique Eduardo não é mudança; Robinson Faria é Rosalba”

Professor da UFRN quer demonstrar diferencial na disputa majoritária

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Alex Viana

Repórter de Política

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), não representa a mudança. Eleger a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), “é dar marcha à ré, voltar ao passado que queremos superar”. O vice-governador, Robinson Faria (PSD), “é tão responsável quanto Rosalba pelo desastre que vive o Rio Grande do Norte”. Este é o pensamento do professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Robério Paulino (PSOL). Ele ficou conhecido em 2012, quando disputou, pela primeira vez, um mandato eletivo: a Prefeitura de Natal, ficando em quarto lugar, obtendo 13.552 votos. Com visão de Estado e propostas para governar, Robério Paulino concedeu a seguinte entrevista ao Jornal de Hoje:

Jornal de Hoje – Por que quer ser candidato a governador?

Robério Paulino – Para operar uma transformação profunda nas velhas estruturas sociais, econômicas, políticas, de gestão, do uso da terra, em nosso estado. Para reorientar a política econômica que hoje atende apenas aos interesses dos grandes grupos empresariais, das velhas oligarquias e elites que dominam nosso estado – culturalmente medíocres, mesquinhas, sem visão global e sem qualquer preocupação social –, de forma a passar a governar antes de tudo para superar a profunda e vergonhosa desigualdade social ainda existente em nossa terra. Também para arrancar nosso estado do atraso econômico, tecnológico e cultural, enfim, da ignorância. Mas, por enquanto, sou apenas o pré-candidato ao governo. Apesar de ter vencido as prévias internas com praticamente 80% dos votos, meu nome ainda precisa ser homologado pela convenção partidária do PSOL.

JH – Qual visão o senhor tem do estado?

RP – Infelizmente, apesar de todas nossas potencialidades, vivemos num dos estados mais atrasados do país quando se trata dos indicadores sociais, na educação, na saúde, na segurança, no desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico, na cultura, e especialmente no tipo de política que ainda se pratica aqui. Em alguns aspectos, estamos na Idade Média. O Rio Grande é um dos poucos estados ainda governados por oligarquias. Mas a modernização que aqui também ocorre, a urbanização acelerada, a revolução tecnológica, o aumento da escolarização, vêm criando uma imensa brecha entre o que espera nosso valoroso povo, nossa inteligente e vibrante juventude, setores de pensamento mais moderno que crescem em nossas universidades e locais de trabalho, e a prática dessas velhas oligarquias e elites empresarias, mesquinhas, que só pensam em seus próprios interesses. Essa contradição uma hora vai explodir. Essa fratura e o profundo descontentamento, especialmente da nossa juventude, foram expressos nas ruas nas grandes manifestações de junho de 2013. As pessoas não aguentam mais a velha forma de fazer política. Vamos trazer a voz das ruas para a campanha. Ao contrário do que quer fazer crer o governo de Dilma Rousseff, o Brasil continua a ser o país das desigualdades e das carências.

JH – Qual será sua plataforma de campanha?

RB – Primeiramente um forte choque de qualidade na educação, com elevação imediata do salário dos professores, para manter a atrair os melhores profissionais, treinamento e melhoramento das escolas. Propomos também um grande mutirão para zerar o analfabetismo no estado em 8 anos; essa chaga que nos envergonha em pleno século XXI. Esse foi um dos segredos da arrancada tecnológica de países como a Coreia do Sul e a China. Mas isso só se faz elevando a dotação do orçamento do estado para o setor, que hoje, de fato, não passa de 15%, para no mínimo 25%. Em segundo, queremos dar uma atenção especial à segurança, sabendo que violência não se combate apenas com mais violência, com balas ou justiçamentos. Isso é um equívoco. É necessário pensar a segurança de forma integral, combinada com a questão social, ou seja, melhorar as escolas, a saúde, criar empregos com melhores salários, esporte, cultura e lazer, enfim dar oportunidades de progresso social aos nossos jovens. Além disso, rediscutir o modelo militarizado de nossas polícias, dotá-las de equipamento moderno, introduzindo no sistema antes de tudo a inteligência e a prevenção, além de criar um plano de carreira que a categoria justamente demanda. Em terceiro lugar, recuperar e reequipar todo o sistema de saúde, especialmente as unidades básicas, portas de entrada do sistema, para desafogar hospitais como o Walfredo Gurgel, o que passa evidentemente pela valorização salarial e qualificação intensiva de nossos servidores, redefinindo o orçamento. Outra proposta é mudarmos radicalmente a equivocada política hídrica, de como enfrentar as secas, hoje centrada em açudes, barreiros e barragens, onde a água, além de contaminada, evapora em torno de 70%. Temos um dos semiáridos mais chuvosos do mundo e não sabemos guardar a água. Nossa proposta é construir dezenas de milhares de cisternas calçadão em pleno sertão para armazenar a água limpa da chuva e até usarmos as próprias rodovias federais e estaduais como coletores, com milhares de cisternas ao lado delas, o que é uma proposta minha. Além disso, acelerar a Reforma Agrária em nosso estado. Não é possível que num estado tão pequeno, que importa quase todos os grãos que consome, do feijão ao milho, ainda existam latifúndios com até 35 mil hectares, produzindo apenas cana, como na época colonial. Precisamos produzir alimentos para baixar os preços. Vamos inverter as prioridades: em vez de Copa e prioridade ao sistema financeiro e ao mercado, nosso foco será a questão social.

JH – O que acha da política do RN?

RP – Temos aqui o que há de mais atrasado, mais fisiológico, mais clientelista e mais repugnante na política brasileira. Nossos políticos só pensam em se eleger para se aproveitarem da máquina pública em seu próprio interesse ou de suas famílias. Os acordos eleitorais, como o chapão que estamos vendo ai, não são baseados em princípios ou programas para o desenvolvimento do estado, mas sim no loteamento da máquina pública. Cada partido desses conluios apoia determinado candidato de olho nos cargos comissionados que poderá ganhar depois. Vamos reduzir drasticamente esses cargos comissionados e instituir concursos para tudo. Já as obras públicas em certa cidade ou região, nessa velha política, são apresentadas como concessão de determinado político, de olho no retorno em votos na próxima eleição, o que chamamos clientelismo, que é a base da política local no Brasil. Para nós, as políticas públicas não são dádivas de político nenhum; devem ser direitos universais do povo, pois é o povo que paga os impostos que financiam essas obras. Vamos fazer um grande mutirão de recuperação dos serviços públicos.

JH – O que acha dos candidatos ao governo do estado e ao senado?

RB – Quase todos os velhos políticos que se apresentam nestas eleições já governaram ou ajudaram a eleger governantes no estado. Apoiaram Micarla, apoiaram Rosalba, governaram juntos, e agora vêm falar de mudança? Que mudança? O senhor Henrique Alves, representante da mais velha oligarquia do estado, o que fez em 2012, quando perdemos quase 40% do rebanho com a seca? Na verdade, o que fez em 40 anos? Já a senhora Wilma de Faria, envolvida até o pescoço, através de seu filho, segundo relata a imprensa, em processos de corrupção, o que fez para acabar com o analfabetismo em nosso estado quando governou? A gente como ela, interessa mesmo é a continuidade da ignorância; assim é mais fácil enganar o povo. Eleger Wilma é dar marcha à ré, voltar ao passado que queremos superar. Sobre o senhor Robinson Faria, o fato de ser o vice de Rosalba já diz tudo sobre ele. Ele é tão responsável quanto ela pelo desastre que vive o estado. O PT, ao se aliar a ele, se iguala a toda essa velha política, já não representa nada de novo, será mais do mesmo.

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