Roberta Sá mostra porque é a artista potiguar mais aplaudida pela imprensa

Cantora faz show beneficente hoje à noite; Para iniciantes e iniciados, ela precisa vir mais vezes aqui

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Roberta Sá é daquelas artistas que durante uma viagem para além da Bahia sentimos prazer em dizer: “É lá da minha terra”. No que um olhar espantado costuma retrucar: “Mas como, ela é de Natal?”, “Sim, amigo, e mesmo morando por aqui mantém fortes ligações com o povo que a gerou”. Mal sabe o desconfiado ignorante em biografias que a cantora potiguar estará no palco do Teatro Riachuelo nesta quarta-feira (04), às 21 horas, para um show especial. Se o repertório será baseado em seu mais recente disco, Segunda Pele, ela doará sangue, suor e notas precisas em favor da revitalização da Catedral Metropolitana. A renda de hoje à noite será revertida para tapar goteiras e infiltrações do templo católico.

Abro um parêntese para abordar o problema estrutural do bonito e importante prédio natalense. Mais que sede de uma religião, a Catedral é um marco arquitetônico da cidade. Com tanta grana investida em túneis e viadutos questionáveis do ponto de vista funcional (falo a médio e longo prazo), nos últimos meses, deixar às traças o lugar onde Dom Jaime Vieira Rocha trabalha é mais uma infâmia do poder público. Digo isso sem ter simpatia por qualquer religião. Da mesma forma, acho que o centro cultural proposto por Lucinha Madana Mohana para abrigar a turma da umbanda, ciganos e demais minorias no Paço da Pátria deveria ser visto com urgência.

Criou-se um projeto para levantar recursos para recuperar a Catedral – que inclui aquisição de equipamentos e substituição da rede elétrica e hidráulica. Ao cantar de graça, Roberta Sá comprou um talão de senhas para a ‘rifa’ que presenteará não apenas um felizardo, mas todos os fiéis que frequentam a casa cristã. Samba e MPB em nome de Deus. Artista potiguar com maior espaço e aceitação na mídia nacional desde sei lá quem, ela passeará por épocas e linguagens distintas, com temas de Caetano Veloso, Jorge Dexler, João Cavalcanti e uma penca de compositores que enaltecem o prazer da parceria – Roberta vem de excursões com Alcione e Martinho da Vila, o que não é pouco.

Marchinhas de carnaval, festa mundana que é a antítese da paz do Senhor, também estão do programa. Tudo acompanhado por quatro feras: o diretor musical, arranjador, guitarrista e violonista Rodrigo Campello, o baixista André Rodrigues, o baterista Élcio Cafaro e o saxofonista e flautista Eduardo Neves. Aos 33 anos, Roberta Sá é uma celebridade, no melhor sentido que a batida palavra pode ter. Sem lobby parental ou investimentos vultosos, predominou o trabalho de formiguinha pelo circuito carioca, com amizades aqui, boas impressões ali, até que discos começaram a ser lançados e consumidos, um atrás do outro. “Tenho a sorte de ter gravado os discos que quis, com as pessoas que escolhi”, ela costuma dizer.

Eleita em 2012 a melhor cantora de MPB no Prêmio da Música Brasileira, seus cinco discos são obrigatórios em qualquer discoteca – uma pessoa que em seu álbum de estreia tem Ney Matogrosso e MPB-4 como colaboradores merece, no mínimo, um minuto de sua atenção. Procure por “Que belo estranho dia para se ter alegria”, de 2007, que poderia ser renomeado para ‘Que belo estranho título para se ter na prateleira’. Para os iniciantes, o show de logo mais pode ser um divisor de águas, um fio do novelo que, com esmero, manufatura bonitas peças. Para os iniciados, fica a certeza de nunca o mais do mesmo soa enfadonho com esta figura que precisa vir mais vezes por estas bandas.

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