Roberto Fernandes e o futuro

Valores humanos são incalculáveis. Ninguém mede ou limita. A inteligência é privilégio, não vem como nariz, orelhas, boca, dentes, joelhos…

Valores humanos são incalculáveis. Ninguém mede ou limita. A inteligência é privilégio, não vem como nariz, orelhas, boca, dentes, joelhos ou canelas, cartas marcadas de um corpo. Alguns nascem com ela, outros morrem relinchando, de tão precários. A dimensão do competente é o cruzamento dos oceanos. É o infinito na paisagem. Massa cinzenta tem forma instável no temperamento, imutável pelo conteúdo.

Daí, o ABC ter acertado pela primeira vez em tantos anos ao terminar uma temporada e pensar na extensão inteira da seguinte, renovando o contrato do técnico Roberto Fernandes. O amadorismo preguiçoso de primeiro semestre apresentava a fatura nos campeonatos brasileiros de comemoração efusiva pela contenção de rebaixamentos por erros de formulação.

Muita gente temia a saída do técnico pelo seu salário. Fui parado ao ir embora do trabalho por um policial militar de serviço. “O homem fica ou não fica?” O homem era Roberto Fernandes. Ser chamado de O homem é sinônimo informal de importância no meio popular, o que mais me fascina.

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Fardado, mas de instinto alvinegro pulsante, praguejava a repetição funesta dos filmes anteriores, quando desconhecidos e incompetentes chegavam trazendo caravelas de pernas-de-pau a maltratar suas coronárias e a de milhares de devotos na cidade.

Respondi que tinha minhas dúvidas, mas torcia para Roberto Fernandes ficar, não apenas pelo ABC, mas para o futebol local não passar os quatro primeiros meses de 2014 como uma fazendinha iluminada com a mídia criando adjetivos para gente inexpressiva.

O PM tinha escutado a resenha esportiva no rádio e informou que estava tudo “oitenta por cento resolvido”. O futebol apaixona porque até percentual inventam no suspense de renovação de contrato. O subjetivo matemático. O policial voltou ao seu posto, esperançoso, mas alerta, como exige a sua função.

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Desde que chegou por aqui, com seu jeito explosivo, passional e ganhador, Roberto Fernandes foi o que aconteceu de diferente no Rio Grande do Norte. Para o América e para o ABC.

Antes dele, dentro de campo, foi Cascata, o meia-atacante. O antigo ponta-de-lança dos meus tempos de futebol de botão. Os dois fizeram o povão sorrir mostrando o futebol verdadeiro, jogado para a frente, em busca do gol, pela vitória e para a conquista, sem o medo como escudo e proteção de emprego.

Cascata foi embora. No meu time, sempre jogará, pois em meu time quem sabe, joga, quem dribla, tem vaga, quem lança é titular, quem ginga é cadeira cativa e quem faz gol é vitalício. Roberto Fernandes é um técnico sem vocações retranqueiras, embora tenha jogado com três cabeças de área no desafio romano de manter o time na Série B.

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Seu desempenho, desde que me conheço sentado em arquibancada, menino, nenhum treinador conseguiu em campeonato nacional pelos lados alvinegros desde Célio de Souza na primeira participação de um clube potiguar em 1972.

Nem mesmo o falecido Waldemar Carabina, zagueiro da Academia do Palmeiras, na boa campanha do segundo semestre de 1977 comandando o timaço deHélio Show no gol, Pradera e Cláudio Oliveira na defesa, Danilo Menezes, Maranhão Barbudo na meia-cancha e Santa Cruz de centroavante. Com Roberto Fernandes, foram 12 vitórias quando era preciso se chegar a tanto ou pouco menos.

O preço de Roberto Fernandes não se discute. Nem se comenta. É feio futricar o salário alheio, mesmo quando injusto, o que no caso dele não será, pelo talento que demonstrou ter e pelo histórico dos seus predadores antecessores.

Ao acertar com Roberto Fernandes, o ABC dá um sinal positivo de que o fundamental é a Série B, que se desenha uma Guerra de Afeganistão, combate olho a olho, pelos que ficaram, os que subiram e os que descerão da Série A. O primeiro semestre é detalhe com um Estadual que serve apenas para tapar buraco. Menos um pouco com Roberto Fernandes no cenário. Ele motiva. É inteligência emocional.

 

Transição civilizada
O América dá um exemplo de transição civilizada. O atual presidente Alex Padang termina seu mandato renovando contratos, buscando novos jogadores e deixando o campo limpo para o sucessor Gustavo Carvalho. É assim que se faz uma convivência interna em clube grande. Sem intrigas, nem divisões baseadas em ressentimentos.
 
Rádio Vermelha
O blog Vermelho de Paixão, do amigo Sérgio Fraiman, está preparando um canal de rádio. Será um espaço de interação importante para a torcida do América. O Vermelho de Paixão vem sendo feito ao longo dos anos com esforço e amor ao clube. E o que é melhor: Com informação precisa e resgate da memória do clube.

Camisa 10
O ideal para o América seria a permanência de Régis, que conquistou a massa com seu futebol veloz e de toques, ele seria o camisa 10 talhado para o esquema de jogo do técnico Leandro Sena, que vai montando seu time para o Campeonato do Nordeste, onde – a exemplo do cinema – os fracos não têm vez.

Goleiro
Um bom nome para o ABC seria o de Thiago, do Avaí, que foi reserva na Série B e fez grande partida no Frasqueirão. Não apenas pelos 90 minutos. É experiente e foi campeão brasileiro da Série B pelo Vasco em 2009. Para convencer tem que nivelar com Andrey do América.

Sorteio
Meu grupo ideal para o Brasil seria uma parada dura de saída, tipo França, Itália e um africano qualquer. Quem quer ser campeão deve vir igual ao Bope, pra cima. Mas a maioria deseja uma chave com Costa do Marfim, Irã e Grécia. Nem sei se o “Sistema de Pote” permite, mas a “Teoria do Medo” prefere moleza. Garrincha acharia tudo igual. E driblaria todos. Um por um.

Padrão Fifa
O Padrão Fifa começou a demonstrar seus métodos de gentileza na Costa do Sauípe, onde será realizado amanhã o sorteio dos grupos. Turistas serão retirados do resort onde já está proibida a venda de água de coco e de cerveja que não seja a patrocinadora da Copa do Mundo.

Alecrim
As eleições no Alecrim estão marcadas para segunda-feira e as notícias oficiais dizem que o presidente Anthony Armstrong está na Inglaterra tratando de assuntos particulares. Cruza os dedos, Verdão.

Bagunça
Natal ficou amarelinha de vergonha com a bagunça no trânsito.

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