Rogério propõe seminário para apagar “incêndio” das eólicas
Um seminário com a participação de técnicos da Companhia Hidroelétrica de São Francisco (Chesf) e todas as empresas ligadas a energia eólica no RN, que já somam investimentos de R$ 10 bilhões. Essa é uma das soluções que o Estado vai propor para resolver o impasse criado com a decisão de um dos players – a Bioenergy – de transferir uma de sua quatro unidades para outro estado por causa da falta de linhas de transmissão sob responsabilidade da Chesf, vencedora da licitação.
Nesta terça-feira, o superintendente da área e licenciamentos da Companhia, Marcos Pinto, desembarcou com uma pequena equipe em Natal para uma reunião com o secretário Rogério Marinho, do Desenvolvimento Econômico, ainda sob o impacto da ameaça do presidente da Fiern, Amaro Sales, de ingressar com uma representação judicial por “negligência” contra a empresa ligada ao Ministério de Minas e Energia responsável por um dos maiores sistemas de transmissão de energia elétrica em alta tensão do Brasil.
No sábado, Rogério Marinho antecipara em entrevista a este jornal que a governadora mobilizaria já no começo de fevereiro a bancada parlamentar do RN para cobrar do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, uma solução para as linhas de transmissão no estado, cujas obras estão muito atrasadas. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), 70% dos “linhões” que deveriam ser entregues em 2013 não ficarão prontas dentro do cronograma, configurando um atraso médio de 15 meses.
Rogério Marinho disse que o problema não pode ser atribuído a atraso em licenciamentos por parte do Estado. Segundo ele, entre julho a novembro de 2012 o Idema deferiu oito processos complexos ligados às linhas de transmissão de eólicas. “Estamos fazendo a nossa parte, agora é preciso entender porque isso está acontecendo e um seminário é o melhor caminho clarear situações”, afirmou.
Segundo uma fonte que acompanhou o encontro, Rogério Marinho teria ligado para o presidente da Fiern, Amaro Sales, e obtido dele o compromisso de que a Fiern trabalharia junto com o governo estadual numa solução que excluísse, pelo menos nesse momento, qualquer medida mais agressiva.
Amaro Sales, que esteve de férias até este fim de semana, mas retornou hoje à Fiern para acompanhar o desenrolar do problema, não retornou às ligações d’ O JORNAL DE HOJE. A outro diário da capital, ele disse que entraria com uma representação judicial contra a Chesf por estar preocupado com os prejuízos decorrentes da falta de linhas de transmissão.
Como as empresas responsáveis pelas usinas devem concluir as obras no prazo, elas teoricamente teriam direito de receber do governo mesmo sem os parques estarem operando. Segundo a Abeeólica, caso o problema persista, os prejuízos para as empresas já instaladas no negócio podem alcançar os R$ 600 milhões. Nesse caso, o temor é que usinas que somam 1,1 GW fiquem paradas no ano por não terem como transmitir energia. O número é quase o dobro dos 622 MW de 2012.
Desde meados de dezembro, o presidente da Bioenergy, Sérgio Marques já antecipava que a empresa realizaria transferências de eólicas no Maranhão para garantir um fornecimento estratégico para o mercado livre, cujos negócios se dão no ambiente da Bolsa de Mercadoria para entregas futuras. Cumprindo esse planejamento, a companhia licitou sete parques de 28,8MW cada, total de 201,6 MW, que integram o Complexo Vento do Norte, no Maranhão. O valor negociado pela Bioenergy ficou um pouco abaixo do preço médio de R$ 87,94 por MWh, 11,65% abaixo do patamar do leilão de reserva 2011, que tinha o menor preço registrado até aquela ocasião.
Na verdade, a Bioenergy, que figura entre as quatro principais empresas de energia com investimentos no setor, resolveu antecipar o cronograma para o início da operação comercial dos primeiros projetos em seis meses para possibilitar a venda da energia no mercado livre. Isso bastou para provocar pânico em setores da indústria potiguar, que enfrentam problemas de autoestima em relação ao encolhimento do PIB do estado.
Outro problema que ajudou o reforçar o primeiro foi que o RN, que lidera em capacidade de geração instalada até 2016, não viabilizou nenhum dos 94 projetos que havia habilitado no único leilão que incluiu eólica em 2012. Mas isso ocorreu mais em função do preço ofertado, considerado muito baixo, do que qualquer outra coisa.
No sábado último, o secretário Rogério Marinho chegou a comentar que havia “certo exagero” às reações públicas em relação a decisão da Bioenergy, mas que o bom senso indicava uma sondagem antecipara no terreno para saber o que realmente estava acontecendo. Ele ainda não sabia o que iria enfrentar esta semana.
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