Ronaldos
Ronaldo Fenômeno passa distante de minhas simpatias pessoais. Ele e qualquer jogador metido a bonzinho demais devem ser observados com reservas de comportamento. Engomadinho e risonho além do tolerável compõem o esquema tático da falsidade.
Ronaldo Fenômeno jogou 28,5% do futebol de Romário, o atacante zero um do mundo, 41,3% de Tostão e 61,93% do que mostrava Reinaldo, o gênio torto e destruído por pancadaria e drogas do Atlético Mineiro.
Ronaldo Fenômeno é um chato de marketing, mas foi um senhor jogador de futebol. Arranque, presença de área, domínio de bola, dribles em velocidade, oportunismo, cabeçadas mortais e tabelas desenhadas com Rivaldo.
O passado de Ronaldo Fenômeno merece respeito. O cara, está certo que nem pegou na bola, foi campeão do mundo aos 17, 18 anos em 1994.
Fracassou na Copa que seria dele em 1998 e em 2006, levando nas costas um piripaque mal explicado e construindo uma síndrome chamada Zidane. Zidane foi o extraclasse que jogou certo e sem pose pelo time errado.
A Copa do Mundo de 2002 de Ronaldo Fenômeno desempenho inferior apenas ao do magricela classudo Rivaldo, foi impecável. Estava em plena forma e com tesão de vencedor.
Fez dois gols numa final de Copa do Mundo, batendo a Alemanha na decisão inédita e mais esperada da história, na proporção que ninguém desejou ou sonha com um confronto nuclear entre Estados Unidos e Rússia.
Apareceu dias atrás o técnico Alex Fergunson, do Manchester United, para chamá-lo de gordo e dizer que o excepcional Cristiano Ronaldo já é melhor que o Ronaldo. Gordo Ronaldo é, e ser gordo não é pecado nem defeito.
Cristiano, solidário com o Ronaldo principal, marcou os dois gols do Real Madrid e respondeu à provocação sem graça. Cristiano ilhado e ainda sem biografia na seleção portuguesa. Comparar Cristiano com Ronaldo, hoje, é chamar São Francisco de Assis de Paulo Maluf. Ou mensaleiro. É pecado.
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Neymar ainda é o único olho míope do futebol em falência múltipla no Brasil. Ainda que esteja torto e fazendo presepadas, será sempre um atentado cogitá-lo fora da seleção da CBF. Começa uma campanha na mídia do Sudeste para tirá-lo das listas de Felipão.
Futebol mesmo, Neymar não vem jogando há muito tempo. Sobrevive de lampejos e vulgarizou o drible, o requinte supremo do habilidoso em campo. Faz da firula, pirueta de palhaço, estragando uma capacidade nata e uma objetividade já posta em discussão.
Neymar padece pelo despreparo ao sucesso e pelo monstrenguinho em que se transformou por perversidade da imprensa. Neymar entra em curva descendente por ser a referência nacional de arte (jogada fora) em meio à transformação mecânica de um jogo plástico de matéria-prima exclusiva e deformada.
A Folha de São Paulo, o melhor jornal do Brasil e também o mais arrogante, fez uma enquete no seu portal perguntando se Neymar deveria ou não ser convocado. Para 59% dos internautas, claro, corintianos, palmeirenses e tricolores, o moicano insuportável deve ficar de fora.
Enquete na internet é a modernidade das antigas escolhas de senadores biônicos, que eram impostos pela Ditadura para garantir maioria no Congresso Nacional. Organize um grupo razoável ou se depare com um tema fático e polêmico e o motivo da votação vira alvo de voto contra e xingamentos.
Eu não convocaria Neymar. Se fosse nos anos 1970, 1980 e 1990, quando sobravam craques e ele, numa disputa justa, sofreria para tomar o lugar de Jairzinho, Denner, Bebeto, Edmundo, Renato Gaúcho e até Muller como companheiro do atacante mais de dentro de área, no caso Tostão, Reinaldo, Romário, Careca ou Ronaldo Fenômeno.
Pelé já disse que Neymar, na seleção é um jogador comum, o que nós constatamos desde a carta de Pero Vaz de Caminha. Pelé já elegeu Washington do Guarani e o grande Cláudio Adão como seus sucessores. Ninguém o levou a sério. Pelé, sobre Neymar, não foi calado o poeta da chacota de Romário.
Se for o caso de deixar Neymar fora da seleção, primeiro que se encontre e se comprove um substituto melhor ou menos pior do que a fase pela qual ele passa.
Aplicada a justiça na dureza de uma lei norte-americana, onde não há brechas nem contemplações sequer a meninos mimados, seria mais justo se extinguir a seleção brasileira.
Entre todos os convocados, não há, por mais intragável, alguém melhor que o sucessor de Robinho. Terra arrasada. É o apocalipse. Mas é a vida real.
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Júlio, o primeiro
A covardia da calúnia e da difamação sente quem leva como o velho ditado de quem dá esquece e quem apanha, não. O volante Júlio Terceiro demonstrou primeira grandeza e não deixou para lá a agressão dada pelo seu técnico Lula Pereira em 2010, no América.
Justiça
Júlio Terceiro entrou na Justiça, soube esperar e ontem fez Lula Pereira receber o veredito. Vai pagar em dinheiro e já cumpriu pena moral. Pediu desculpas públicas pelo seu destempero, modelo de vários treinadores que continuam impunes por medo dos atletas.
Gesto
O mais nobre gesto de Júlio, o primeiro, foi doar o valor não divulgado em dinheiro para a Amico, entidade sem fins lucrativos cuidadora de crianças com problemas cardíacos. A Amico é uma missão de vida do médico Madson Vidal.
Daqui para a frente
Quem for ofendido – Júlio foi chamado de mau caráter – por treinador ou cartola, pode pegar o exemplo e cair na justiça. Ninguém quer falso moralismo, afinal futebol sem palavrão tem o tempero insosso de uma dança com a irmã. O que se defende é respeito.
A volta
Roberto Fernandes volta para onde nunca deveria ter saído. O desgaste de imagem de sua saída do América foi muito maior do que qualquer prejuízo financeiro. Ele volta motivado e provou que é um técnico ousado, ofensivo, algo raro no mercado da bola.
Fenômeno
Será somente a falta de praia o que faz Belém levar, em média, 40 mil torcedores aos clássicos entre Remo e Paysandu? É um caso a ser pesquisado. Pelo marketing.
ABC 7×0
Foi há exatos 37 anos, pela Taça Cidade do Natal/1976. ABC 7×0 Atlético com 2.118 pagantes no Castelão (Machadão). Os gols do ABC: Zé Carlos Olímpico (2), Noé Silva, Amauri, Fidélis, Reinaldo e Necão (contra).


