Rosalba critica “obra inacabada” e “desperdício” da gestão anterior
Ao discursar na Assembleia Legislativa, abrindo o ano legislativo, no final da tarde desta sexta-feira, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) sinalizou para um discurso de mais otimismo, conforme antecipado ontem por O Jornal de Hoje, mas, também, não deixou de olhar para o retrovisor e criticar a gestão passada, especialmente, da ex-governadora Wilma de Faria (PSB), adversária mais temida por ela nas urnas em 2014.
No relato sobre os dois primeiros anos de governo, Rosalba afirmou que todas as obras inacabadas de importância para o desenvolvimento econômico e social do estado foram retomadas. “Obra inacabada é desperdício de dinheiro público. Com este governo, estamos enterrando a cultura de que não se conclui obra de um gestor anterior”, afirmou, citando 14 obras da área de esgotamento sanitário e recursos hídricos na Grande Natal e interior do estado que estavam paralisadas e foram retomadas, apenas pela Caern.
Já durante a manhã, foi a vez de Wilma utilizar o twitter para criticar a demora da inauguração da Escola de Governo, na noite anterior, uma obra da sua gestão. A ex-governadora disse que o governo atual inaugurou o prédio da escola somente dois anos após o início do mandato, mesmo a obra tendo ficado 70% concluída até 2010 e tendo a gestão anterior deixado recursos em caixa para finalizar. Além disso, Wilma denunciou o desvio de recursos públicos uma vez que o prédio estava sendo entregue à SECOPA e isso não seria permitido, porque o equipamento foi construído com recursos do FUNDESP, que é um fundo exclusivo para o desenvolvimento de pessoas.
MENSAGEM
Num discurso de mais de uma hora, que cansou os presentes, Rosalba fez um relato dos dois anos de sua gestão e destacou obras e projetos estruturantes em áreas como recursos hídricos e esgotamento sanitário, além de ações para recuperar a estrutura de segurança pública e a rede de saúde, com a reforma simultânea de 12 hospitais do Estado.
O investimento de recursos em obras estruturantes, que vão produzir resultados no médio prazo, também foram enfatizados pela chefe do Executivo Estadual. “São adutoras, obras de esgotamento sanitário, hospitais em reforma, estradas, projetos que não se fazem em dois, nem em seis meses. Não estamos fazendo obras vistosas e imediatistas. Nossa opção e nossa determinação, desde o princípio, foi a de fazer bem feito, com responsabilidade e compromisso com as atuais e as futuras gerações de potiguares”.
Em tom otimista, Rosalba Ciarlini afirmou que pela primeira vez em sua gestão, irá dispor de massa de recursos suficientes para concluir obras e programas já em curso, começar novos investimentos, qualificar os serviços públicos, acelerar o desenvolvimento econômico e realizar transformações sociais de fato, sendo a primeira delas a realização do Programa RN Sustentável. Conquistado por meio de financiamento do Banco Mundial, o programa foi definido como um dos maiores já idealizados na história do estado, pela abrangência, profundidade e poder de transformação econômica e social. (Com informações do governo)
Mineiro: “Mensagem não sinaliza mudança do modelo de gestão”
O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) criticou o discurso da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), ontem, durante a leitura da mensagem anual, na Assembleia Legislativa. Ao analisar a mensagem, Mineiro afirmou que a governadora não sinaliza para mudanças do modelo de gestão. Segundo Mineiro, Rosalba trouxe uma mensagem “ainda muito marcada pelo retrovisor”. Ele afirmou que as obras que ela citou “são do governo federal”. Por fim, disse que a sessão especial da Assembleia com a presença da governadora “a mais esvaziada” de que se tem notícia, o que se deve a “certo desgaste de um lado e falta de credibilidade”.
“No geral, foi um discurso ainda muito marcado pelo retrovisor, ela mesmo cita, ‘alguns dirão que é retrovisor’, e insistindo que o rumo que ela seguiu até agora está correto. Na verdade, esperava que ela anunciasse uma mudança de rumo da gestão. Mas ela reafirmou o rumo e cria do meu ponto de vista uma mensagem que ‘revela um mundo cor de rosa’ que ela criou para ela própria. As obras que cita são do governo federal, como por exemplo, o Pró-transporte, complexo Abolição em Mossoró, obras de saneamento. E usou a palavra otimismo, mas, do meu ponto de vista, foi a sessão mais esvaziada que se teve Assembleia, pouca gente, se não fosse presença das manifestantes da Polícia Civil e Militar, sobrariam vaga nas galerias. Atribui isso a certo desgaste de um lado e falta de credibilidade”, analisou o petista.
MODELO
Na visão de Fernando Mineiro, embora Rosalba tenha afirmado que em 2013 o governo terá recursos para investimentos, fato que acontecerá pela primeira vez no seu governo, o problema da gestão não é somente de falta de recursos. “Eu torço para que ela consiga administrar. Mas o problema do Estado não é tão somente falta de recursos, é problema de modelo de gestão”, afirmou. Para o deputado, Rosalba já cumpriu a metade do governo insistindo num modelo de gestão centralizador, que não escuta nem dialoga com a sociedade. “É falsa a ideia de que o problema do governo é apenas de falta de dinheiro. É parte de um problema que se grava pelo modelo de gestão adotado, que é centralizador, que não escuta ninguém, que não dialoga com a sociedade”.
Outro resultado do modelo, segundo o parlamentar, termina sendo a lentidão na execução dos projetos. “Se tem recurso do governo para enfrentar a seca, a lentidão é muito grande. É um governo altamente centralizador, emperrado. Você não vê autonomia das pastas”. Sobre o tom otimista do discurso governamental, o representante do PT na Assembleia diz que “está focado nos empréstimos e financiamentos em curso”. Contudo, segundo ele, “para que esses financiamentos cheguem à ponta e se transformem em obras, é preciso mudar o modelo de gestão. Se não, não consegue ser operacionalizado”.
REPETECO
Mineiro disse ainda que o principal item do discurso de Rosalba, o programa “RN Sustentável”, resultado do empréstimo de R$ 1 bilhão do governo junto ao Banco Mundial, foi o mesmo da mensagem do ano passado. “Foi o tom da segunda mensagem no ano passado. Essa expectativa com recursos do Banco Mundial constava da mensagem do ano passado e é repetida este ano”, afirmou.
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