Rosalba decide hoje os nomes que ocuparão três secretarias

Problema é saber se escolhidos aceitarão assumir

Um alto servidor de carreira do Estado disse ao JH com todas as letras que o chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, é o maior culpado de o governo demonstrar tanta ineficiência na hora de encontrar nomes para o primeiro escalão. Foto: Divulgação
Um alto servidor de carreira do Estado disse ao JH com todas as letras que o chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, é o maior culpado de o governo demonstrar tanta ineficiência na hora de encontrar nomes para o primeiro escalão. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A governadora Rosalba Ciarlini começa a resolver hoje, finalmente, quem colocará no lugar dos secretários que deixarão seus cargos para concorrer às eleições de outubro.

São eles Leonardo Rêgo, do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Aldair Rocha, da Segurança, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Econômico. Embora o prazo legal para desincompatibilizações seja abril, a governadora resolveu só hoje colocar um fim às especulações.

Esse assunto apareceu na pauta de seu gabinete hoje depois do fim de semana prolongado pelo feriado municipal de Santos Reis. A informação foi confirmada pelo secretário de Comunicação, jornalista Paulo Araújo.
O primeiro a deixar o governo, no fim do ano passado, foi o secretário de Turismo, Renato Fernandes, cuja exoneração já saiu publicada no Diário Oficial do Estado.

Ainda não se sabe o nome que deverá sucedê-lo depois de uma série de sondagens mal sucedidas. O da vez é o do jornalista Alexandre Mulatinho, que foi o primeiro secretário de Comunicação da governadora e hoje ocupa a vice-presidência da Emprotur, a empresa de Turismo potiguar. Nesta terça-feira, por telefone, Mulatinho jurou de pés juntos não saber de nada.

Um dos sondados para o cargo foi o hoteleiro Mário Barreto, logo esquecido ao colocar entre as suas exigências para assumir que o Estado desonerasse o querosene de aviação. Outro cotado, o ex-secretário de Turismo de Micarla de Sousa na prefeitura, Soares Júnior, também preferiu ser incluído fora dessa e segue trabalhando como consultor privado do programa Mais RN. E outro nome, o do empresário Nilson Brasil, recentemente reconduzido à presidência da Associação Comercial e Industrial de Mossoró, por alguma razão também não deve emplacar.

De confirmado, até o momento, apenas Silvio Torquato na Secretaria de Desenvolvimento Econômico no lugar de Rogério Marinho. É a segunda vez que Torquato assume o cargo desde que foi adjunto do baiano Benito Gama, uma das escolhas exóticas da governadora ao assumir o comando administrativo do Estado.

Já a saída do ex-prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rêgo, secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, tem razão políticas e pessoais. Ele está na lista desde que o secretário de Comunicação, Paulo Araújo, lhe incluiu junto com Rogério Marinho e Aldair Rocha.

O tempo em que a governadora vem conseguindo preencher o cargo de um colaborador direto afastado varia entre um a dois meses. No começo de sua gestão era mais rápido. A substituição do urologista Domício Arruda da Secretaria de Saúde foi mais rápida. Só que no último ano as trocas de comando têm se revelado mais gravosas.

Júnior Teixeira, que deixou a agricultura no ano passado com o rompimento de Henrique Eduardo Alves, foi uma exceção à regra. Ele entregou o cargo num fim de tarde de uma segunda-feira e não deu mais as caras pelo Centro Administrativo. Só tempos depois sua exoneração foi publicada para então ser nomeado seu adjunto, Tarcísio Bezerra, o que não aconteceu na mesma hora.

Um alto servidor de carreira do Estado disse ao JH com todas as letras que o chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, é o maior culpado de o governo demonstrar tanta ineficiência na hora de encontrar nomes para o primeiro escalão. É que diante da possibilidade de ocupar um cargo sem qualquer autonomia de trabalho, a reação imediata do convidado é manter profilática distância.

“O fato é que ninguém aguenta mais esse sujeito; um dia ele te segura no colo, pergunta se você gostaria de jantar com ele e, no outro, nem olha para a sua cara. E quando a governadora dá uma ordem logo vem uma contraordem dele sem que ninguém saiba o porquê”, afirmou a fonte.

A reclamação não é novidade. Auxiliares próximos da governadora se queixam de que não conseguem acesso ao gabinete de Carlos Augusto para tratar de absolutamente nada. É uma reclamação generalizada em todas as secretarias e órgãos da administração. E é tão antiga que já se incorporou ao folclore ligado às decisões de governo.

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