Rosalba encontrará dificuldades de gestão, jurídicas e políticas

Esta primeira decisão de afastamento é um obstáculo e também um marco divisório no atual Governo

Governadora já retomou agenda e segue comandando o Estado. Foto: Wellington Rocha
Governadora já retomou agenda e segue comandando o Estado. Foto: Wellington Rocha

Jean Valério

Editor

Na tarde de ontem, antes mesmo do TSE restabelecer as condições normais de temperatura no reino do Rio Grande do Norte, postei um comentário nas redes sociais defendendo as prerrogativas da justiça, mas apontando as dificuldades e prejuízos causados ao Estado e a sua população pelo afastamento de um chefe do executivo, tais como: Descontinuidade das ações, insegurança jurídica nos contratos entre empresas e órgãos administrativos, instabilidade do servidor público, ampliação da ineficiência dos serviços básicos.

Tal medida tem efeito administrativo e político devastador. Poderíamos até classificar como irreversível. Ainda mais numa situação que beira o caos. A quem interessa ampliar e catalisar este caos? Não se trata de analisar a questão sob o prisma eleitoral, muito embora não seja possível descartar a proximidade de um pleito e o interesse ferrenho dos adversários do atual Governo na tomada de poder (daí o esforço desesperado da oposição para ampliar o desgaste e impedir reação da governadora Rosalba Ciarlini).

Qualquer leigo desinteressado por política começa a entender o isolamento ao qual é submetida a governadora. O isolamento popular auferido na impopularidade foi o precursor. O isolamento partidário é agora o mais perceptível porque é propositalmente alardeado na mídia. Tem ainda o isolamento judiciário, onde já se conhecem as insatisfações, muitas delas alicerçadas em argumentos técnicos que sustentam a legalidade das decisões, mesmo que estas sejam pinceladas de revanchismo. E tem também o isolamento empresarial.

Esta primeira decisão de afastamento é um obstáculo e também um marco divisório no atual Governo. A chefe do executivo precisa agora multiplicar a atenção à gestão e desdobrar-se em respostas jurídicas ágeis e eficientes. Além disso, tem que melhorar a performance no jogo de bastidores, o pior e mais traiçoeiro. Hoje Rosalba sabe que muitos (dos medalhões) que a telefonaram solidarizando-se com seu martírio estão numa trincheira oposta. Conviver neste terreno, “morar com o inimigo”, é que é seu maior desafio.

É neste cenário que, daqui pra frente, serão propagadas brilhantes teses jurídicas, defendendo ou condenando, justificando ou não, qualquer processo que trate do afastamento da governadora. Todas as decisões, obviamente, serão alicerçadas na lei. Porém, a justiça também precisa levar em consideração os critérios de instabilidade, aqui já citados, que tal medida pode causar ao Estado e à população. E não deve deixar-se envolver com sentimentalismos ou interesses politiqueiros. O projeto de tomada de poder deve ser tratado no campo adequado (eleições 2014) e pelo juiz soberano (o povo).

 

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    • Aderbal Martins

      Alem de tudo , nosso povo (eleitor desinformado) , vai na conversa dos opositores de plantão. Governadora Rosalba, passe a divulgar os desmandos do Governo passado, Iberê e outros. Mostre como encontrou o início do seu Governo, sua honestidade nas ações de governabilidade, saia dessa fama de má gestora.