Rotina das adolescentes atendidas pela Fundac conta com atividades diversificadas‏

Fundac oferece atividades de cunho educacional, cultural e esportivo, buscando a ressocialização

Foto:Divulgação
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A Fundação Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac/RN) é o órgão do governo responsável pelo cumprimento das medidas socioeducativas para os adolescentes acusados de cometerem ato infracional. Na unidade que atende as adolescentes, no Ceduc Padre João Maria, são realizadas atividades bem diversificadas que contam com a participação de todas as jovens. A Fundac vem trabalhando para oferecer a essas adolescentes atividades de cunho educacional, cultural e esportivo, buscando assim, a ressocialização das meninas.

O Ceduc Padre João Maria, na zona Norte da cidade, funciona como unidade de internação feminina para adolescentes que cumprem medidas de internação provisória, internação definitiva e semiliberdade. Atualmente, a unidade está atendendo nove adolescentes, com faixa etária de 14 a 17 anos.

Todos os dias as adolescentes praticam uma rotina bastante diversificada e produtiva. Os educadores preenchem os dias das jovens com aulas didáticas, reforço escolar, leituras, esporte, oficina de arte, atendimento psicológico, entre outras ocupações. Todas essas atividades e demais acontecimentos do dia são registrados em um diário que as adolescentes precisam escrever todos os dias.

Recentemente, a unidade recebeu materiais esportivos e de lazer para que as adolescentes pratiquem esportes e passem o tempo de uma forma mais divertida. Foram entregues bolas de vôlei, de futsal, jogos de xadrez, de dominó, entre outros itens.

Como atividade ocupacional, a direção da unidade está implantando uma pequena horta para que as jovens se dediquem ao cultivo de hortaliças e temperos diversos.

Uma das atividades realizadas pelas adolescentes, e que agrada bastante as jovens, é a confecção de objetos artesanais. Para esta atividade, as adolescentes dedicam duas horas por dia, durante três dias na semana.

Durante o período em que ficam internadas, elas aprendem a bordar, pintar, costurar, fazer crochê e trabalhar com reciclagem de materiais. As jovens aprendem a confeccionar panos de prato, chaveiros, porta-celulares, bonecas, caixas decoradas, pesos de porta, travesseiros, diademas, imãs de geladeira, entre outros produtos. Nas datas festivas elas utilizam esses produtos para presentear os familiares.

A adolescente Beatriz*, 17 anos, disse que a atividade é muito boa para distrair e uma oportunidade para todas que estão internadas. “Participar dessa atividade de confecção de artesanatos é muito bom para nós, porque temos a oportunidades de aprender alguma coisa para quando sairmos daqui usar o que aprendemos para ganhar uma renda extra e também para presentear os amigos porque o custo do material é barato, não gastamos muito”.

A diretora presidente da Fundac, Kalina Leite Gonçalves, falou que um trabalho como esse que as meninas fazem é o primeiro passo para se profissionalizar. “É muito difícil esses adolescentes produzirem qualquer coisa que tenha a admiração da sociedade e o produto artesanal que elas produzem são de boa qualidade, são bonitos e isso pode despertar outros interesses profissionais na vida dessas adolescentes”.

De acordo com a educadora Josélia Matias, as adolescentes são bem participativas e interessadas em aprender. “Quando as meninas estão sem atividades elas sempre me procuram para confeccionar artesanato. E o bom é que elas aprendem rápido, são bastante inteligentes”.

Josélia Matias disse ainda que as atividades realizadas pelas jovens ajudam no desenvolvimento e descoberta de novas habilidades e o que elas aprendem na unidade pode ser levado para fora, quando estiverem em liberdade.

Uma prova disso é que os materiais confeccionados pelas jovens estão sendo vendidos nesta edição da Feira Brasil Mostra Brasil, que está sendo realizada aqui em Natal, no Centro de Convenções. Algumas adolescentes também estão acompanhando as vendas dos produtos no quiosque montado na Feira, que segue até o próximo domingo (31).

Kalina Leite enfatizou que esta participação das adolescentes na Feira éimportante e serve como incentivo.  “A participação das adolescentes é muito importante não só como atividade ocupacional, mas pela possibilidade de se relacionar com outras pessoas que vivem em um ambiente de trabalho. Acho que isso é salutar, motivador para elas, e significa ressocialização. Conviver com outras pessoas que vão ter um olhar para elas como pessoas produtivas que podem ser muito bem inseridas no mercado de trabalho e reconhecidas como sujeitos de direito”.

Os produtos confeccionados pelas adolescentes também são vendidos em festas que acontecem na unidade, nos dias das visitas dos familiares e para os próprios funcionários. Toda a renda arrecadada com a venda dos trabalhos de artesanato é dividida entre as adolescentes que participam da confecção dos materiais. Com o dinheiro que ganhou com os trabalhos, a adolescente Marina*, 17 anos, contou que já comprou bastante coisas. “Já comprei um ventilador, uniforme da escola e vários produtos de uso pessoais para mim”.

*Nomes fictícios, atendendo a lei 8.069/1990.

Fonte: FUNDAC/RN

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