A rua

Desde junho, quando das jornadas populares que exigiram um Brasil menos injusto e menos desigual, que sociólogos e cientistas políticos…

Desde junho, quando das jornadas populares que exigiram um Brasil menos injusto e menos desigual, que sociólogos e cientistas políticos passaram a prestar atenção à rua. Eles também, como os parlamentares e empresários, estavam fechados em suas salas de aulas e gabinetes, convencidos de que as multidões estavam sob o controle do governo petista. E este, no seu jogo de máscaras com o capital e os bancos, saberia controlar o povo facilmente, preso a um poder cercado de interesses.

Não foi bem assim. A rua sempre foi o grande espaço coletivo de lazer e de luta. Desde os tempos daquela Paris romântica dos fins do século dezenove e começos do vinte. Daquele flaneur a la Baudelaire que perfumava os bulevares parisienses influenciando o dandismo esnobe de Oscar Wilde na sua Londres luminosa e sombria, ao clochard andrajoso e vadio a desafiar uma sociedade burguesa que fazia da rua, seus cafés e passeios, uma vitrine para expor as vaidades aristocráticas.

No Brasil, essa visão romântica da rua encontrou em João do Rio seu cronista mais perfeito. Seu livro ‘A Alma Encantadora das Ruas’, rasgou a vida bem-comportada daquele início de século, assim como um cronista francês, Francis Carco, chamara a atenção dos olhos da intelectualidade parisiense com o livro ‘A Rua’, em 1930, dedicado a Collette. Ele que antes tivera a sensibilidade de registrar a vida quotidiana e simples dos artistas em Montmartre e escritores do Quartier Latin.

Tem sido constante nesses últimos meses a publicação de ensaios, artigos e crônicas sobre a rua nos nossos jornais e revistas. O Le Monde Diplomatique, na versão em português – à venda nas bancas – reuniu em forma de dossiê várias visões da rua e Mac Margolis, norte-americano que escreve aos domingos no Estadão e é correspondente de um dos sites norte-americanos mais sérios do ponto de vista jornalístico, já admitiu que a rua será a personalidade do ano para a revista Time.

Terça-feira foi a vez de Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo, ali na página dois, com o título de ‘A Rua’. Lembrou que os protestos não ocorrem apenas nas ruas do Brasil, mas em várias partes do mundo. E alerta, claro: ‘Embora um grupo de tecnófilos goste de ressaltar a importância das mídias sociais na organização desse tipo de evento, a verdade é que protestos, confrontos e revoluções ocorrem desde que surtiram as primeiras cidades e os reis, cerca de dez mil anos atrás’.

E continua: ‘A Internet por certo ajuda a mobilizar as massas, mas está longe de ser uma condição necessária. Basta lembrar que a inexistência da rede de computadores em 1789 não impediu a tomada da Bastilha. E é bom ou ruim que o povo saia às ruas? A resposta, é claro, depende de para quem você torce e se você está a uma distância segura do centro dos acontecimentos. Manifestações podem derrubar ditaduras como desestabilizar governos legítimos’.

 

DÚVIDA…

Atroz e retrós na cabeça de alguns políticos mossoroenses: ‘Realizada as eleições suplementares em Mossoró já ficaria caracterizado o crime de abuso econômico do qual a governadora também é ré?’.

ESTILO – I

De uma voz wilmista entre um gole e outro de uísque: ‘Wilma deu aquela entrevista longa à TN já sabendo que estava fechada com Henrique para senadora. Aquela dúvida é munganga do seu estilo’.

MAIS – II

Há quem acredite também ser pantim e falso pudor esse veto do PSB wilmista e do PDT de Carlos Eduardo contra o DEM e o PSDB. ‘Se tivessem tanto pudor assim apoiariam o PT e não o acordão’.

ALIÁS – III

E completou: ‘Se a ex-governadora Wilma de Faria pode ser aliada do PMDB, DEM e PSDB que governaram com Rosalba até agora, o que falta para apoiar Robinson e Fátima na oposição? Pudor?

 

NOME

O historiador Luiz Eduardo Brandão Suassuna, Coquinho, coordenará pesquisadores que levantarão dados para beatificação do Padre João Maria. A boa escolha é do cônego José Mário, o postulador.

SAGRAÇÃO – I

Esta coluna errou. Dom Jaime não vai sagrar o novo bispo de Caicó e sim Dom Ernesto Paglia, hoje bispo emérito de Pinheiro. D. Jaime será co-sagrante, o que também é por deferência do novo bispo.

DETALHE – II

Para quem não sabe e muitos dos seus paroquianos não devem saber: D. Antônio Carlos, novo bispo de Caicó, é conhecido na sua vida conventual da Ordem do Sagrado Coração como Padre Maristelo.

RUÍDO – I

A deputada Fátima Bezerra teme pela a aliança do PSD de Robinson com seu PT? Ou sua angústia para anunciar logo a decisão é uma carta de seguro? Que arde uma dúvida desde ontem, lá isso arde.

O… – II

Que tanto teme, afinal, a aguerrida deputada petista: que o PSD aceite a presidência da Assembléia e desista da luta ou tudo não passa de pesadelo em véspera de carnaval com papangus mascarados?

SILÊNCIO – I

Um leitor desta coluna escreve para dizer que teria sido melhor para os nossos diáconos se tivessem silenciado diante da notícia em torno das despesas com as Dalmáticas para a cerimônia de sagração.

AINDA – II

A despesa, afirma o leitor que pede sigilo do seu nome, é sempre muito maior com ‘túnicas, estolas, cíngulos, amitos e outras alfaias usadas pouquíssimas vezes. E que nas igrejas têm de sobra’. Será?

HISTÓRIA

O editor Abimael Morais vai lançar alguns números especialmente históricos da revista do Instituto Histórico e Geográfico, com apoio da instituição, claro. Ensaios e artigos esgotados há anos e anos.

MAGOS

Firme a posição do prefeito Carlos Eduardo Alves ao defender a preservação do Hotel Reis Magos na paisagem arquitetônica da cidade. Sem essa de concepção tola e modernosa de destruir a cidade.

CAOS

Ontem, no cruzamento da Hermes da Fonseca com Alexandrino de Alencar era assim: o amarelinho apitava e o trânsito piorava; o amarelinho apitava e apitava e o trânsito piorava e piorava. Um caos.

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